IPCA sobe 0,07% em julho e inflação de 12 meses fica em 4,44%

agosto 11, 2026
Tomates maduros amontoados em uma banca de feira, vistos de perto

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,07% em julho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11). É o quarto mês seguido de desaceleração da inflação oficial do país, que em junho havia registrado 0,16%.

No acumulado de 2026, o IPCA soma 3,44%. Em 12 meses, a alta é de 4,44%, abaixo do teto da meta perseguida pelo Banco Central. O regime de metas em vigor fixa o centro em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo, o que define o intervalo entre 1,5% e 4,5%.

A trajetória de queda vem de março, quando o índice marcou 0,88%. De lá para cá, a inflação mensal recuou em quatro leituras consecutivas.

Alimentos puxam o índice para baixo

O grupo Alimentação e bebidas teve a maior queda entre os nove grupos pesquisados: recuo de 0,67%. O tomate foi o item de maior impacto negativo no mês, com desvalorização de 29,09% e contribuição de 0,10 ponto percentual para baixo no resultado geral.

Outros itens da mesa acompanharam o movimento. A batata-inglesa caiu 19,59% e a cenoura recuou 14,41%. Na direção oposta, o leite longa vida subiu 2,47%.

Vestuário também fechou julho no campo negativo, com queda de 0,66%.

Energia elétrica pressiona a conta de casa

O contrapeso veio da Habitação, grupo que acelerou para 0,99% e respondeu pelo maior impacto positivo do mês, de 0,15 ponto percentual. Dentro dele, a energia elétrica residencial passou de alta de 1,53% em junho para 3,09% em julho.

Saúde e cuidados pessoais subiu 0,40%.

Entre as 16 áreas pesquisadas, Rio Branco teve a maior variação, de 0,32%, e Belém registrou a menor, com queda de 0,45%.

A composição do mês ajuda a entender por que o índice ficou tão perto de zero. Alimentação e Habitação são os dois grupos de maior peso na cesta do IPCA, e em julho eles andaram em direções opostas com intensidade parecida. O recuo de 0,14 ponto percentual puxado por alimentos foi praticamente anulado pelos 0,15 ponto percentual que a moradia acrescentou.

Quando os dois maiores grupos se cancelam, o resultado final passa a depender de itens de peso menor, o que explica a leitura de 0,07% apesar de variações expressivas dentro de cada categoria.

O que o número significa para o bolso do brasiliense

A leitura de julho tem três desdobramentos práticos para quem mora no Distrito Federal.

O primeiro é a cesta de compras. A queda concentrada em hortaliças e legumes aparece rápido nas feiras e nos hortifrútis, porque são produtos de giro curto e com pouca margem de estoque. Já a alta da energia elétrica chega pela conta de luz e permanece enquanto durar a bandeira tarifária vigente.

O segundo é o custo do crédito. Com a inflação de 12 meses dentro do intervalo de tolerância, o Banco Central ganha espaço para discutir o ritmo da política monetária nas próximas reuniões do Copom. A decisão afeta juros de financiamento imobiliário, crédito consignado e cartão.

O terceiro são os contratos indexados. Aluguéis, mensalidades escolares e planos de saúde individuais usam índices distintos, e o IPCA é apenas um deles. Vale conferir no contrato qual indicador está previsto antes de aceitar um reajuste apresentado como automático.

IPCA e INPC não são a mesma coisa

Os dois índices saem da mesma coleta do IBGE, mas medem públicos diferentes. O IPCA acompanha famílias com renda de até 40 salários mínimos e é a referência da meta de inflação. O INPC cobre famílias com renda de um a cinco salários mínimos e baliza a correção do salário mínimo, dos benefícios do INSS acima do piso e de boa parte dos acordos coletivos.

Na mesma divulgação desta terça, o INPC registrou deflação de 0,01% em julho e acumulou 4,10% em 12 meses, resultado mais favorável do que o do IPCA justamente porque alimentos pesam mais na cesta de menor renda.

Próximos passos

O IBGE divulga o IPCA-15 de agosto, prévia da inflação, ainda neste mês, e o IPCA fechado de agosto em setembro. O Boletim Focus, com as projeções de mercado para o índice e para a Selic, é atualizado todas as segundas-feiras pelo Banco Central.

  • IPCA de julho: 0,07%
  • acumulado no ano: 3,44%
  • acumulado em 12 meses: 4,44%
  • meta de inflação: 3%, com intervalo de 1,5% a 4,5%
  • maior impacto negativo: tomate, com queda de 29,09%
  • maior impacto positivo: Habitação, com alta de 0,99%

As tabelas completas por grupo, subitem e região metropolitana estão disponíveis no Sidra, o banco de dados agregados do IBGE.

Perguntas frequentes

Qual foi o IPCA de julho de 2026?

O IPCA subiu 0,07% em julho de 2026, segundo o IBGE. É o quarto mês seguido de desaceleração da inflação oficial.

Qual a inflação acumulada em 12 meses?

O IPCA acumula alta de 4,44% em 12 meses, abaixo do teto da meta, que é de 4,5%. No ano, o índice soma 3,44%.

Qual item mais puxou a inflação para baixo em julho?

O tomate, com queda de 29,09%, foi o item de maior impacto negativo no mês, com contribuição de 0,10 ponto percentual para baixo.

Qual a diferença entre IPCA e INPC?

O IPCA mede a inflação de famílias com renda de até 40 salários mínimos e é a referência da meta. O INPC cobre famílias com renda de um a cinco salários mínimos e baliza o salário mínimo e os benefícios do INSS.

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