IPCA-15 de Brasília cai 0,25% em agosto com energia e passagem aérea

agosto 26, 2026
Torre de transmissão de energia elétrica vista de baixo contra o céu azul

A prévia da inflação em Brasília caiu 0,25% em agosto, a primeira taxa negativa do ano na capital federal, segundo o IPCA-15 divulgado pelo IBGE nesta quarta-feira (26). A conta de luz e a passagem aérea puxaram o resultado para baixo.

No acumulado de 2026, o índice na capital soma 3,02%. Em 12 meses, a alta chega a 4,33%. A última vez que Brasília havia registrado prévia negativa foi em agosto de 2025, quando o indicador marcou 0,29% negativos.

No país, o IPCA-15 de agosto caiu 0,40%, a menor prévia desde agosto de 2022. Em 12 meses, o indicador nacional acumula 4,24%, abaixo do que aparece na capital.

Onde o preço caiu na capital

Transportes tiveram a maior queda entre os grupos pesquisados em Brasília, com recuo de 1,10%. O item que mais cedeu foi a passagem aérea, 14,16% mais barata do que na coleta anterior. O transporte por aplicativo caiu 8,96%, e acessórios e peças de veículos, 1,84%.

Habitação veio logo atrás, com queda de 1,13%. A energia elétrica residencial recuou 6,75% na capital, movimento que acompanha o resultado nacional: no Brasil, a conta de luz caiu 6,25% e sozinha subtraiu 0,26 ponto percentual do índice, sendo o subitem de maior peso na deflação de agosto.

Alimentação e bebidas recuaram 0,12% em Brasília, com as maiores baixas concentradas na hortifrúti:

  • Tomate: queda de 30,92%
  • Cenoura: queda de 25,74%
  • Batata-inglesa: queda de 25,18%
  • Cebola: queda de 10,73%

O que ficou mais caro

Nem todo item aliviou o orçamento. Despesas pessoais subiram 0,52% na capital, com o cigarro 6,86% mais caro e a hospedagem 0,86% acima do mês anterior. Dentro do próprio grupo de transportes, que fechou em queda, o seguro voluntário de veículo subiu 1,91% e o óleo lubrificante avançou 6,47%.

Na cesta de alimentos, o leite longa vida ficou 3,24% mais caro e o mamão subiu 16,34%, na contramão dos legumes.

Como o IBGE calcula a prévia

O IPCA-15 usa a mesma metodologia do IPCA cheio, com uma diferença no calendário: os preços são coletados aproximadamente da metade de um mês até a metade do mês seguinte. Por isso o índice funciona como antecipação do resultado oficial, que sai depois e fecha o cálculo da inflação do período.

A pesquisa cobre 11 áreas geográficas do país, entre elas Brasília, e mede a variação de preços para famílias com renda de 1 a 40 salários mínimos. Cada grupo entra no cálculo com um peso proporcional ao que pesa no orçamento médio dessas famílias, o que explica por que a energia elétrica, sozinha, move tanto o resultado.

No recorte nacional de agosto, o IBGE registrou queda em cinco dos nove grupos pesquisados: alimentação e bebidas, com 0,57% negativos; habitação, com 1,41% negativos; vestuário, com 0,20% negativos; transportes, com 1% negativo; e comunicação, com 0,02% negativos.

O que o número significa para o bolso

Uma prévia negativa não quer dizer que os preços voltaram ao patamar de meses atrás. Significa que, no conjunto dos itens pesquisados e com os pesos que cada um tem, o custo de vida ficou levemente menor entre uma coleta e outra. Itens de compra frequente, como o leite e a hospedagem, continuaram subindo.

Para quem mora no Distrito Federal, o efeito prático de agosto aparece em dois lugares: a fatura de luz e o bilhete aéreo. A conta de luz é despesa fixa mensal e atinge todos os domicílios pesquisados, o que amplia o efeito da queda de 6,75% no índice da capital.

O alívio não apaga a diferença entre a capital e o país. A inflação acumulada em 12 meses em Brasília, de 4,33%, segue acima da média nacional de 4,24%. A meta de inflação para 2026 é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual, o que coloca o teto em 4,5%. Nos dois recortes, o índice está dentro do intervalo, mas perto do limite superior.

A queda no preço da energia também não resolve o problema da entrega do serviço. Moradores da 26 de Setembro fecharam a Via Estrutural por falta de energia nesta semana, em protesto contra interrupções no fornecimento.

Próximos passos

O IPCA cheio de agosto será divulgado pelo IBGE em setembro e é o número que entra oficialmente no cálculo da inflação do mês, servindo de referência para reajustes de contratos, aluguéis e benefícios indexados ao índice. A prévia de setembro sai no fim do mês que vem.

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