Técnico de enfermagem é preso por furtar morfina em UPA de São Sebastião

agosto 26, 2026
Duas ampolas de vidro transparente sobre superfície vermelha

Um técnico de enfermagem foi preso em flagrante na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de São Sebastião, no Distrito Federal, nesta quarta-feira (26), suspeito de furtar ampolas de morfina do estoque da unidade e aplicar o medicamento em si mesmo. Seis ampolas foram apreendidas com ele.

Segundo a Polícia Civil do DF, a denúncia partiu da própria coordenação da UPA, que percebeu o desvio no controle de medicamentos e acionou a corporação. O profissional foi flagrado no banheiro da unidade no momento em que se aplicava a substância.

O caso é apurado pela 30ª Delegacia de Polícia, em São Sebastião. O técnico responde por peculato, crime praticado por funcionário público que se apropria de bem de que tem a posse em razão do cargo. A pena prevista é de dois a doze anos de reclusão, além de multa.

Como o furto foi descoberto

A morfina é um opioide de uso hospitalar submetido ao controle especial da Portaria 344/1998 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que lista as substâncias entorpecentes sujeitas a notificação de receita. Cada ampola tem registro de entrada, saída e destinação, e a retirada exige prescrição e conferência.

É esse controle que costuma expor o desvio. A diferença entre o que foi dispensado pela farmácia da unidade e o que foi efetivamente aplicado no paciente aparece na conciliação do estoque, que é feita por turno em unidade de pronto atendimento. A ampola vazia precisa ser devolvida e descartada em recipiente próprio, o que fecha o ciclo de rastreio.

O desvio de opioide em unidade de saúde tem dois vetores conhecidos: a revenda e o consumo pelo próprio profissional. No caso desta quarta, a apuração inicial aponta para o segundo, já que o técnico foi flagrado no momento da autoaplicação.

O delegado Thiago Peralva conduz a investigação. De acordo com a apuração inicial, o técnico foi contratado pela unidade em dezembro do ano passado.

O que diz a lei sobre o desvio de medicamento em unidade pública

O enquadramento em peculato, e não em furto simples, tem efeito prático. O furto comum prevê pena de um a quatro anos. O peculato parte de dois anos e chega a doze, justamente porque pressupõe a quebra do dever funcional de quem tem acesso privilegiado ao bem público.

Há ainda um segundo desdobramento possível, na esfera administrativa. O Conselho Regional de Enfermagem pode instaurar processo ético-disciplinar em paralelo ao processo criminal, com penalidades que vão da advertência à cassação do direito de exercer a profissão. As duas esferas são independentes: a absolvição em uma não vincula automaticamente a outra.

Preso em flagrante, o suspeito passa por audiência de custódia em até 24 horas, quando o juiz decide entre a conversão em prisão preventiva, a concessão de liberdade provisória com medidas cautelares ou o relaxamento do flagrante. A dependência química, se comprovada, não afasta a apuração criminal, mas pode ser considerada na dosimetria e no encaminhamento para tratamento.

  • Onde: UPA de São Sebastião
  • Quando: quarta-feira, 26 de agosto de 2026
  • O que foi apreendido: seis ampolas de morfina
  • Delegacia: 30ª DP, São Sebastião
  • Enquadramento: peculato

O impacto na rede de urgência

A UPA de São Sebastião atende urgências e emergências de média complexidade e é a porta de entrada da rede pública para os moradores da região administrativa e do entorno imediato. Analgésico opioide, a morfina é usada no controle de dor intensa, em trauma, pós-operatório e cuidados paliativos, e a falta dela em unidade de pronto atendimento afeta diretamente quem chega com dor aguda.

O episódio é o segundo caso de técnico de enfermagem preso no DF em menos de uma semana. Na terça, a Justiça manteve a prisão de profissionais investigados por mortes na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga, em um caso sem relação com o desta quarta.

Não há, até esta publicação, manifestação da Secretaria de Estado de Saúde do DF sobre a prisão. O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges-DF), responsável pela administração das UPAs da rede, também não se pronunciou.

Nos casos em que se confirma o desvio, a unidade costuma abrir sindicância interna para revisar o fluxo de dispensação e identificar em que ponto o controle falhou. A medida corre em paralelo ao inquérito policial e serve para corrigir o procedimento, não para apurar responsabilidade criminal, que cabe à polícia e ao Ministério Público.

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