Justica mantem presos tecnicos de enfermagem do caso da UTI em Taguatinga

agosto 26, 2026
Monitor multiparametrico ligado ao lado de um leito hospitalar

A Justica do Distrito Federal decidiu manter a prisao preventiva dos tres tecnicos de enfermagem acusados de provocar a morte de tres pacientes na UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga. A decisao foi publicada em 20 de agosto, durante a revisao periodica da medida cautelar, e revelada pelo Correio Braziliense nesta terca-feira (25).

Estao presos Marcos Vinicius Silva Barbosa de Araujo, 24 anos, Amanda Rodrigues de Sousa, 28, e Marcela Camilly Alves da Silva, 22. Os tres respondem como reus desde marco, quando o juizo recebeu a denuncia apresentada pelo Ministerio Publico do Distrito Federal e Territorios (MPDFT). O processo esta na fase de instrucao, etapa em que sao ouvidas testemunhas e analisadas as provas produzidas pelo inquerito.

O que a investigacao apurou

As mortes ocorreram entre novembro e dezembro de 2025, na unidade de terapia intensiva do hospital particular. As vitimas sao Marcos Moreira, 33 anos, Joao Clemente Pereira, 63, e Miranilde Pereira da Silva, 75. Segundo a apuracao da Policia Civil, os pacientes sofreram parada cardiaca pouco depois de receberem medicacao pela via intravenosa.

A Coordenacao de Homicidios e Protecao a Pessoa concluiu o inquerito em marco de 2026 e apontou Marcos Vinicius como o principal suspeito, na condicao de responsavel pela aplicacao das substancias, conforme informacoes divulgadas na epoca pela CNN Brasil. A partir dessa conclusao, a Justica decretou as prisoes preventivas dos tres profissionais.

A revisao periodica que manteve as prisoes nao e um novo julgamento. O Codigo de Processo Penal obriga o juiz a reavaliar, a cada 90 dias, se os motivos que justificaram a preventiva continuam presentes. Quando conclui que sim, mantem a medida sem alterar o andamento da acao penal.

O que diz a defesa

“Nao muda nada no andamento do processo e, na minha avaliacao, e uma decisao que sera oportunamente combatida”, afirmou o advogado Liomar Torres, que atua no caso.

Os tres continuam presos preventivamente, situacao que nao representa condenacao. Pela Constituicao, ninguem pode ser considerado culpado antes do transito em julgado da sentenca penal, e a instrucao do processo ainda precisa ser encerrada antes de qualquer decisao de merito.

Os proximos passos do processo

  • Conclusao da oitiva de testemunhas de acusacao e de defesa;
  • Apresentacao das alegacoes finais pelo MPDFT e pelos advogados dos reus;
  • Sentenca do juizo da vara criminal responsavel pelo caso;
  • Nova revisao periodica da prisao preventiva em ate 90 dias, caso a sentenca nao saia antes.

Casos com essa configuracao costumam ter tramitacao longa porque dependem de laudos periciais e do depoimento de profissionais que estavam de plantao. Enquanto a instrucao corre, a defesa pode recorrer da manutencao da prisao a instancia superior, caminho que o advogado sinalizou pretender seguir.

O Hospital Anchieta e uma unidade privada de Taguatinga e atende pacientes de planos de saude e particulares. A rede hospitalar do DF ja registrou outros episodios que envolveram apuracao criminal dentro de unidades de terapia intensiva. Em agosto, o SouBrasilia mostrou o caso do zelador espancado na Asa Norte que ficou 14 dias intubado na UTI do Hospital de Base.

A cronologia do caso comeca em novembro de 2025, com a primeira das tres mortes registradas na unidade. As ocorrencias seguidas dentro do mesmo setor chamaram a atencao da direcao do hospital e da policia. O inquerito foi concluido em marco de 2026, mes em que a Justica decretou as prisoes preventivas e o MPDFT apresentou a denuncia acolhida pelo juizo.

Parte do material que sustenta a acusacao veio de registros internos da propria UTI. O Metropoles divulgou imagens do setor que embasaram a investigacao, com a movimentacao dos profissionais nos horarios proximos as paradas cardiacas. Esse tipo de prova costuma ser confrontado em juizo com prontuarios, prescricoes medicas e laudos de necropsia.

A prisao preventiva nao tem prazo fixo de duracao no Brasil. Ela dura enquanto persistirem os motivos que a autorizaram, entre eles a garantia da ordem publica e a conveniencia da instrucao criminal, e precisa ser reavaliada a cada 90 dias por decisao fundamentada. A ausencia dessa revisao periodica e um dos argumentos mais usados por defesas em pedidos de soltura.

Familiares das vitimas acompanham o processo por meio de advogados constituidos. A expectativa e de que a fase de instrucao seja encerrada ainda neste semestre, o que abriria caminho para a sentenca de primeira instancia.

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