Homem paga R$ 12 a adolescentes para incendiar comércio em Planaltina

agosto 11, 2026
Mangueira de incêndio vermelha enrolada no compartimento de um caminhão do corpo de bombeiros

Um homem de 34 anos foi preso em flagrante nesta segunda-feira (10) sob suspeita de contratar três adolescentes para atear fogo em um estabelecimento comercial de Planaltina, no Distrito Federal. Segundo a Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), ele agiu por causa de uma desavença com o dono do comércio.

O incêndio ocorreu na madrugada do mesmo dia, na Vila Nossa Senhora de Fátima. Moradores perceberam as chamas e conseguiram contê-las antes que o imóvel fosse destruído por completo. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal foi acionado e atuou na ocorrência.

As investigações ficaram a cargo da Seção de Investigação Geral da 16ª Delegacia de Polícia, em Planaltina. De acordo com a apuração da PCDF, o suspeito forneceu luvas e máscaras aos adolescentes e entregou R$ 12 para a compra do combustível usado no ataque. Os três têm 15 e 16 anos.

Depois da prisão, os adolescentes foram encaminhados à Delegacia da Criança e do Adolescente I (DCA I), onde foram adotados os procedimentos legais previstos para menores de 18 anos. O homem permaneceu à disposição da Justiça.

O que a lei prevê para quem usa menor em crime

Aliciar adolescente para praticar infração penal é crime autônomo no Brasil, previsto no artigo 244-B do Estatuto da Criança e do Adolescente. A pena é de reclusão de um a quatro anos, e ela se aplica ainda que o crime encomendado não chegue a ser consumado.

Corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la: pena de reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. (Artigo 244-B do ECA)

O mesmo artigo prevê aumento de um terço da pena quando a infração é cometida por meio de comunicação eletrônica, incluindo aplicativos de mensagem e redes sociais. Já o incêndio doloso está tipificado no artigo 250 do Código Penal, com reclusão de três a seis anos e multa, e a pena sobe se o fogo atinge casa habitada ou local destinado ao público.

Para os adolescentes, a resposta do Estado é diferente. Eles não respondem a processo criminal, mas a procedimento por ato infracional, que pode terminar em medidas socioeducativas que vão da advertência à internação, conforme a gravidade do caso e o histórico de cada um.

Uso de adolescentes por adultos é padrão recorrente no DF

O caso de Planaltina segue um formato que a PCDF já mapeou em outras ocorrências do Distrito Federal: o adulto que encomenda o crime não aparece na cena, financia o material e delega a execução a menores de idade, na aposta de que a punição para eles será menor. A divisão de tarefas descrita pela polícia no episódio da Vila Nossa Senhora de Fátima inclui equipamento para dificultar a identificação, dinheiro para o combustível e a escolha da madrugada como horário.

O valor entregue, R$ 12, é a informação que mais chama atenção no relato da corporação. Ele não cobre nem um litro e meio de gasolina na média de preço praticada no DF, o que indica que a quantia serviu apenas para viabilizar o ataque, e não como pagamento pelo serviço.

O que fazer diante de ameaça ou dano ao comércio

Comerciantes do DF que sofram ameaça, dano ou tentativa de incêndio podem registrar a ocorrência por estes caminhos:

  • 190: emergência com a Polícia Militar, para situação em curso.
  • 193: Corpo de Bombeiros, para princípio de incêndio.
  • 197: disque-denúncia da Polícia Civil do DF, que aceita denúncia anônima.
  • Delegacia Eletrônica da PCDF: registro on-line de dano, furto e ameaça, sem necessidade de ir à unidade.
  • Imagens de câmera: preservar a gravação das 24 horas anteriores e posteriores ao fato ajuda a instrução do inquérito.

A recomendação da PCDF em casos de conflito comercial é registrar o boletim de ocorrência já na primeira ameaça, antes que a disputa evolua. O registro cria o histórico que a polícia usa depois para estabelecer motivação e autoria, como aconteceu no episódio de Planaltina.

Em julho e agosto, o Distrito Federal também concentra ocorrências de incêndio em vegetação por causa do tempo seco. O noticiário de segurança pública do DF tem registrado nas últimas semanas ocorrências de ameaça que chegam à polícia antes de virarem crime mais grave.

Perguntas frequentes

O que aconteceu em Planaltina no dia 10 de agosto de 2026?

Um homem de 34 anos foi preso em flagrante suspeito de contratar três adolescentes, de 15 e 16 anos, para incendiar um comércio na Vila Nossa Senhora de Fátima. Segundo a PCDF, a motivação foi uma desavença com o dono do estabelecimento.

Quanto o suspeito pagou aos adolescentes?

Segundo a PCDF, ele entregou R$ 12 para a compra do combustível e forneceu luvas e máscaras aos três adolescentes.

Qual a pena para quem usa adolescente em crime?

O artigo 244-B do ECA prevê reclusão de um a quatro anos para quem corrompe ou facilita a corrupção de menor de 18 anos, praticando infração penal com ele ou induzindo-o a praticá-la.

Como denunciar ameaça ou dano a comércio no DF?

Pelo 190 em emergência, pelo 193 em caso de fogo, pelo 197 para denúncia anônima à Polícia Civil ou pela Delegacia Eletrônica da PCDF, que aceita registro on-line.

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