dom, 27 set
Economia

Inflação em Brasília sobe 0,76% e supera a do país; conta de luz sobe 8,78%

Prévia da inflação na capital fica em 0,76%, contra 0,70% do Brasil. Energia elétrica residencial sobe 8,78% no DF e limão dispara 48,63%.

Por Redação Sou Brasília 4 min de leitura
Postes de distribuição de energia elétrica com fios e isoladores contra o céu azul
Foto: Pexels
Neste texto6 tópicos
  1. Por que a conta de luz subiu tanto em setembro
  2. O que mais subiu no bolso do brasiliense
  3. O que ficou mais barato na capital
  4. Brasília subiu mais ou menos que as outras capitais
  5. O que o número significa para quem mora no DF
  6. Quando sai o próximo número

A prévia da inflação em Brasília subiu 0,76% em setembro e ficou acima da média do país, de 0,70%. A conta de luz explica quase toda a diferença: a energia elétrica residencial ficou 8,78% mais cara na capital, segundo o IBGE.

O resultado inverte o sinal de agosto, quando o IPCA-15 da capital havia caído 0,25%. No acumulado de 2026, o índice em Brasília soma 3,80%. Em 12 meses, chega a 4,74%, contra 4,47% do Brasil.

Essa distância entre a capital e o país cresceu. Em agosto, o acumulado de 12 meses em Brasília era 4,33%, e o nacional, 4,24%. A diferença de 0,09 ponto percentual passou para 0,27 ponto em um mês.

Por que a conta de luz subiu tanto em setembro

A alta não vem de reajuste de tarifa. Em agosto, o consumidor recebeu o Bônus de Itaipu, um crédito na fatura formado pelo saldo positivo da conta de comercialização da hidrelétrica. A conta de luz caiu 6,25% no país naquele mês por causa desse desconto.

Em setembro o crédito não se repetiu. A fatura cheia passou a ser comparada com a fatura com desconto do mês anterior, e o resultado apareceu como alta. No Brasil, a energia elétrica residencial subiu 7,42% e foi o item de maior impacto individual no índice, com 0,29 ponto percentual.

Em Brasília o efeito foi mais forte: 8,78%, ou 1,36 ponto percentual acima da média nacional. O grupo habitação, que reúne luz, água, gás e aluguel, subiu 2,25% na capital, contra 2,07% no país.

Tabela com as maiores altas e quedas de preço em Brasília no IPCA-15 de setembro de 2026
Limão, tomate e cigarro lideram as altas na capital; melancia e pimentão puxam as quedas.Arte: SouBrasília, com dados do IBGE/SIDRA

O que mais subiu no bolso do brasiliense

Fora a energia, quem puxou o índice na capital foi a comida fora da curva e o transporte. O limão subiu 48,63% em um mês. O tomate ficou 24,77% mais caro, e o alho, 8,52%.

O cigarro avançou 15,69%, a maior alta do grupo de despesas pessoais. Nos transportes, a passagem aérea subiu 6,27% e o transporte por aplicativo, 5,86%. O etanol ficou 4,96% mais caro e a gasolina, 3,20%.

Veja como se comportaram os nove grupos pesquisados em Brasília:

GrupoBrasíliaBrasil
Habitação2,25%2,07%
Transportes1,39%0,60%
Vestuário0,50%0,41%
Artigos de residência0,46%0,55%
Comunicação0,33%0,54%
Despesas pessoais0,29%0,96%
Alimentação e bebidas0,20%0,40%
Educação0,17%0,03%
Saúde e cuidados pessoais0,08%0,13%

O transporte é o ponto em que a capital mais se descola do país: 1,39% contra 0,60%. A passagem aérea, que tem peso alto no orçamento de quem mora em Brasília, subiu quase 10% na média nacional.

O que ficou mais barato na capital

A hortifrúti segurou o índice. A melancia caiu 14,50% e o pimentão, 8,60%. A batata-inglesa recuou 7,83% e o feijão-carioca, 7,80%. O mamão ficou 6,17% mais barato e o café moído, 5,22%.

Fora da comida, a maior queda foi em cinema, teatro e concertos, com recuo de 9,99% em Brasília. O item costuma oscilar com promoção de sala e com calendário de estreia.

Brasília subiu mais ou menos que as outras capitais

O IPCA-15 cobre 11 áreas do país. Brasília ficou em quarto lugar entre as maiores altas de setembro:

  • Goiânia: 0,95%
  • Belo Horizonte: 0,79%
  • Rio de Janeiro: 0,77%
  • Brasília: 0,76%
  • Porto Alegre: 0,75%
  • São Paulo: 0,73%
  • Fortaleza: 0,72%
  • Curitiba: 0,62%
  • Belém: 0,51%
  • Salvador: 0,50%
  • Recife: 0,44%

A coleta de preços dessa rodada foi de 15 de agosto a 15 de setembro. Por isso a prévia funciona como antecipação do IPCA cheio, e não como retrato fechado do mês.

O que o número significa para quem mora no DF

A meta de inflação para 2026 é de 3%, com margem de 1,5 ponto para cima ou para baixo. O teto, portanto, é 4,5%. Os 4,74% acumulados em 12 meses em Brasília já estão acima desse limite. O índice nacional, de 4,47%, ainda cabe dentro da margem.

Na prática, o morador do DF sente a diferença em dois lugares. O primeiro é a fatura de luz, despesa fixa que atinge todo domicílio e por isso move o índice com força. O segundo é a passagem aérea, item de peso numa cidade que depende do avião para viagem de média e longa distância.

O IPCA-15 de agosto em Brasília havia caído 0,25%, a primeira taxa negativa do ano na capital, também por causa da energia. É o mesmo item que agora empurra o índice na direção contrária. Quem quiser entender como o cálculo funciona pode ver o que é o IPCA e como ele afeta o seu bolso.

Quando sai o próximo número

O IPCA cheio de setembro será divulgado pelo IBGE em 9 de outubro. É esse indicador, e não a prévia, que entra no cálculo oficial da inflação. Ele serve de referência para reajuste de aluguel, contrato e benefício indexado ao índice.

Os dados por cidade ficam abertos no SIDRA, o banco de tabelas do IBGE, na tabela 7062. O recorte de Brasília aparece no nível de município, com o código 5300108.

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