IPCA de setembro sobe 0,82%, maior alta desde março, e passa do teto da meta em 12 meses
O IPCA de setembro foi de 0,82% e chegou a 4,58% em 12 meses, acima do teto de 4,5%. A conta de luz foi o maior peso. O INPC acumula 4,29%.

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A inflação oficial fechou setembro em 0,82%, a maior taxa mensal desde março (0,88%), e levou o acumulado de 12 meses a 4,58%, acima do teto de 4,5% da meta, informou o IBGE na sexta-feira (9). O número veio acima do mercado: o boletim Focus de 5 de outubro projetava 0,60% para o mês, segundo a Agência Brasil.
Em agosto, o IPCA havia registrado deflação de 0,32% e o acumulado em 12 meses era de 4,22%. A última vez que a soma de um ano passou do teto foi em junho (4,64%).
A conta de luz puxou o índice
O grupo habitação foi o que mais pressionou o IPCA. A energia elétrica residencial subiu 7,98% em setembro, depois de cair 7,63% em agosto, e sozinha respondeu por 0,32 ponto percentual do índice. A explicação é o fim do Bônus de Itaipu, um desconto que os consumidores receberam na conta de agosto. Como setembro voltou à tarifa "normal", a comparação com o mês anterior, mais baixo, ficou salgada.
O bônus é a distribuição do saldo positivo da conta de comercialização da usina de Itaipu, que vira crédito nas contas de energia. O analista do IBGE Fernando Gonçalves lembrou que setembro de 2025 teve comportamento parecido, com o grupo habitação subindo 2,97%. O IBGE também registrou reajuste contratual da conta de luz em Belém, São Luís e Vitória. O economista Roberto Luis Troster, da Fipe, chamou o movimento de "efeito pontual, com influência limitada sobre o próximo mês", e outubro deve trazer alívio, já que a bandeira tarifária é a verde, sem cobrança adicional.
Transportes e alimentos também subiram
- Transportes (+0,89%): passagens aéreas subiram 9,66% e os combustíveis, 1,41%. A gasolina avançou 1,21%, o etanol 3,16%, o diesel 1,69% e o gás veicular 0,10%.
- Alimentação no domicílio (+0,96%): depois de três meses de queda, os alimentos voltaram a subir. O IBGE ligou o resultado à oferta menor, com frio e chuva atrapalhando tomate, batata e cebola. Gonçalves não atribuiu o efeito ao El Niño.
- Serviços (+0,61%): acumulam 5,98% em 12 meses. Os preços monitorados saltaram 1,59% e somam 4,13% no ano.
O índice de difusão mostra que 55% dos 377 produtos e serviços pesquisados tiveram aumento, contra 54% no mês anterior.
INPC: o índice que corrige salários
O INPC, que mede a inflação para famílias com renda de um a cinco salários mínimos, também fechou setembro em 0,82% e acumula 4,29% em 12 meses (era 3,98% em agosto). Os alimentos subiram 0,80% e os itens não alimentícios, 0,83%.
É o número que mais interessa a quem negocia salário. O salário mínimo, hoje em R$ 1.621, leva em conta o dado de novembro, e o seguro-desemprego, o teto do INSS e os benefícios acima do mínimo são reajustados pelo INPC acumulado até dezembro, conforme a Agência Brasil. A previsão oficial para o mínimo do ano que vem está em salário mínimo de 2027: R$ 1.741 na proposta do orçamento.
O que isso significa para o DF
Brasília entra na coleta de preços do IBGE, junto com dez regiões metropolitanas e outras cinco capitais (Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju). Para quem mora no DF, o dado de setembro mostra a conta de luz como peso central. O IPCA-15 de setembro em Brasília já indicava energia elétrica acima da média nacional, e o guia da conta de luz da Neoenergia ajuda a conferir a fatura.
Quanto à meta, o Banco Central só a considera descumprida se a inflação ficar fora do intervalo de tolerância (de 1,5% a 4,5%) por seis meses seguidos, no cálculo de 12 meses. Para o fim de 2026, o Focus de 5 de outubro mostra projeção de 5,01%. A leitura completa do Focus traz o restante das estimativas. O IPCA de outubro será divulgado pelo IBGE em novembro.






