Mercado eleva previsão de inflação para 5,01% em 2026, acima do teto da meta
Boletim Focus: projeção do IPCA sobe de 4,99% para 5,01%, terceira alta seguida. PIB de 2026 cai para 1,85% e Selic fica em 13,5% no fim do ano.

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O mercado financeiro elevou de 4,99% para 5,01% a previsão para a inflação oficial de 2026, a terceira alta seguida da estimativa. O número está no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (5) e fica acima do teto da meta, de 4,5%.
O IPCA, índice usado como inflação oficial do país, tem meta de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que a inflação é considerada dentro da meta se ficar entre 1,5% e 4,5%. A projeção do mercado para 2026 segue acima desse limite superior: o IPCA de 5,01% ultrapassa o teto de 4,5% em 0,51 ponto percentual e fica 2,01 pontos acima da meta central de 3%.
O que o mercado espera para os próximos anos?
| Indicador | 2026 | 2027 | 2028 |
|---|---|---|---|
| Inflação (IPCA) | 5,01% | 4,30% | 3,80% |
| PIB (crescimento) | 1,85% | 1,40% | 1,81% |
| Dólar no fim do ano | R$ 5,20 | R$ 5,28 | R$ 5,30 |
| Selic no fim do ano | 13,5% | 12% | 10,5% |
Na comparação com a semana anterior, a estimativa de inflação para 2027 recuou de 4,31% para 4,30%, e a de 2028 foi mantida em 3,8%. Já o crescimento da economia ficou um pouco menor: o PIB de 2026 caiu de 1,86% para 1,85%, o de 2027, de 1,41% para 1,40%, e o de 2028, de 1,83% para 1,81%.
Lendo a tabela em sequência, o mercado projeta que a inflação volte para dentro da faixa de tolerância já em 2027, com 4,30%, abaixo do teto de 4,5%, e chegue a 3,80% em 2028. O crescimento esperado da economia, por sua vez, é maior em 2026 (1,85%) do que em 2027 (1,40%), com leve recuperação em 2028 (1,81%).
Quais são as projeções para juros e dólar?
A expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 13,5% ao ano para o encerramento de 2026. Para 2027, os analistas seguem prevendo 12% ao ano, e, para 2028, 10,5%. A projeção para o dólar no fim deste ano permaneceu em R$ 5,20. Para 2027, ficou em R$ 5,28, e, para 2028, em R$ 5,30.

Como a Selic atua sobre a inflação?
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a taxa, o objetivo é conter a demanda aquecida: juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Com menos consumo e investimento, a tendência é reduzir a pressão sobre os preços.
Quando o Banco Central reduz a Selic, a lógica é oposta. Juros menores facilitam o crédito e incentivam a produção e o consumo, o que pode impulsionar a economia, mas também aumentar as pressões inflacionárias. A decisão mais recente do comitê foi tema de cobertura sobre o corte da Selic em setembro.
O que é o Boletim Focus?
O Focus é um relatório semanal do Banco Central que reúne as projeções de economistas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia. Ele não é uma previsão oficial do governo: mostra a média do que o mercado espera, e as estimativas mudam de uma segunda-feira para outra conforme novos dados são divulgados.
Na semana anterior, o boletim trazia a inflação de 2026 em 4,99%, o PIB em 1,86% e a Selic em 13,5%, como o SouBrasília detalhou no Focus de 28 de setembro.
O que muda na prática para o consumidor?
A inflação acima da meta indica que os preços em geral devem subir mais do que o Banco Central considera adequado em 2026. Por isso, os juros ficam sob atenção. O mercado, porém, mantém a expectativa de queda gradual dos juros nos próximos dois anos, de 13,5% para 12% e depois para 10,5%.





