seg, 5 out
Economia

Mercado eleva previsão de inflação para 5,01% em 2026, acima do teto da meta

Boletim Focus: projeção do IPCA sobe de 4,99% para 5,01%, terceira alta seguida. PIB de 2026 cai para 1,85% e Selic fica em 13,5% no fim do ano.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Arte com a projeção de inflação de 5,01% para 2026 no Boletim Focus
Arte: Sou Brasília, com dados do Banco Central
Neste texto5 tópicos
  1. O que o mercado espera para os próximos anos?
  2. Quais são as projeções para juros e dólar?
  3. Como a Selic atua sobre a inflação?
  4. O que é o Boletim Focus?
  5. O que muda na prática para o consumidor?

O mercado financeiro elevou de 4,99% para 5,01% a previsão para a inflação oficial de 2026, a terceira alta seguida da estimativa. O número está no Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (5) e fica acima do teto da meta, de 4,5%.

O IPCA, índice usado como inflação oficial do país, tem meta de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Isso significa que a inflação é considerada dentro da meta se ficar entre 1,5% e 4,5%. A projeção do mercado para 2026 segue acima desse limite superior: o IPCA de 5,01% ultrapassa o teto de 4,5% em 0,51 ponto percentual e fica 2,01 pontos acima da meta central de 3%.

O que o mercado espera para os próximos anos?

Indicador202620272028
Inflação (IPCA)5,01%4,30%3,80%
PIB (crescimento)1,85%1,40%1,81%
Dólar no fim do anoR$ 5,20R$ 5,28R$ 5,30
Selic no fim do ano13,5%12%10,5%

Na comparação com a semana anterior, a estimativa de inflação para 2027 recuou de 4,31% para 4,30%, e a de 2028 foi mantida em 3,8%. Já o crescimento da economia ficou um pouco menor: o PIB de 2026 caiu de 1,86% para 1,85%, o de 2027, de 1,41% para 1,40%, e o de 2028, de 1,83% para 1,81%.

Lendo a tabela em sequência, o mercado projeta que a inflação volte para dentro da faixa de tolerância já em 2027, com 4,30%, abaixo do teto de 4,5%, e chegue a 3,80% em 2028. O crescimento esperado da economia, por sua vez, é maior em 2026 (1,85%) do que em 2027 (1,40%), com leve recuperação em 2028 (1,81%).

Quais são as projeções para juros e dólar?

A expectativa para a taxa básica de juros, a Selic, foi mantida em 13,5% ao ano para o encerramento de 2026. Para 2027, os analistas seguem prevendo 12% ao ano, e, para 2028, 10,5%. A projeção para o dólar no fim deste ano permaneceu em R$ 5,20. Para 2027, ficou em R$ 5,28, e, para 2028, em R$ 5,30.

Gráfico com a projeção da Selic ao fim de 2026, 2027 e 2028 no Boletim Focus
O mercado espera Selic de 13,5% em 2026, 12% em 2027 e 10,5% em 2028Gráfico: Sou Brasília, com dados do Banco Central

Como a Selic atua sobre a inflação?

A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Quando o Comitê de Política Monetária (Copom) aumenta a taxa, o objetivo é conter a demanda aquecida: juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Com menos consumo e investimento, a tendência é reduzir a pressão sobre os preços.

Quando o Banco Central reduz a Selic, a lógica é oposta. Juros menores facilitam o crédito e incentivam a produção e o consumo, o que pode impulsionar a economia, mas também aumentar as pressões inflacionárias. A decisão mais recente do comitê foi tema de cobertura sobre o corte da Selic em setembro.

O que é o Boletim Focus?

O Focus é um relatório semanal do Banco Central que reúne as projeções de economistas de instituições financeiras para os principais indicadores da economia. Ele não é uma previsão oficial do governo: mostra a média do que o mercado espera, e as estimativas mudam de uma segunda-feira para outra conforme novos dados são divulgados.

Na semana anterior, o boletim trazia a inflação de 2026 em 4,99%, o PIB em 1,86% e a Selic em 13,5%, como o SouBrasília detalhou no Focus de 28 de setembro.

O que muda na prática para o consumidor?

A inflação acima da meta indica que os preços em geral devem subir mais do que o Banco Central considera adequado em 2026. Por isso, os juros ficam sob atenção. O mercado, porém, mantém a expectativa de queda gradual dos juros nos próximos dois anos, de 13,5% para 12% e depois para 10,5%.

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