seg, 28 set
Economia

Focus: inflação projetada sobe para 4,99% e o PIB de 2026 cai a 1,86%

A mediana do mercado para a inflação deste ano passou de 4,92% para 4,99%, acima do teto da meta, e a projeção de crescimento caiu pela quarta semana.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Torre do edifício-sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, vista de frente com a cidade ao fundo
Foto: Banco Central do Brasil/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)
Neste texto4 tópicos
  1. O que subiu e o que caiu nesta semana
  2. O que o Focus diz sobre os juros
  3. O que isso muda no seu bolso
  4. Como o Focus é feito

O mercado financeiro elevou para 4,99% a projeção de inflação de 2026 e cortou de novo a estimativa de crescimento da economia, para 1,86%. Os números são do Boletim Focus desta segunda-feira, com projeções coletadas até 25 de setembro.

Na semana anterior, a mediana das estimativas para o IPCA estava em 4,92%. A conta importa porque a meta de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual: o teto fica em 4,5%, e a projeção segue acima dele. Os dados constam do sistema de expectativas de mercado do Banco Central, que reúne, neste indicador, respostas de 144 instituições.

Tabela comparando as projeções do Boletim Focus agora, uma semana antes e um mês antes para IPCA, PIB, Selic e dólar
Inflação maior e PIB menor na mesma rodada: a comparação semana a semanaArte: Sou Brasília, com dados do sistema de expectativas do Banco Central

O que subiu e o que caiu nesta semana

O movimento foi de piora em duas frentes ao mesmo tempo: inflação maior e crescimento menor. A projeção do PIB de 2026 caiu de 1,88% para 1,86%, e a de 2027 recuou de 1,43% para 1,41%. Há um mês, no fim de agosto, os mesmos números eram 1,92% e 1,50%.

A inflação de 2027 praticamente não se mexeu, de 4,30% para 4,31%. O dólar projetado para o fim deste ano segue em R$ 5,20, o mesmo valor de um mês atrás.

O que o Focus diz sobre os juros

A mediana para a Selic no fim de 2026 ficou em 13,50%, o mesmo valor da semana passada. A taxa em vigor é de 13,75% ao ano, em vigor desde 17 de setembro, segundo a série histórica do próprio Banco Central. Na prática, o mercado ainda espera mais um corte de 0,25 ponto nas reuniões que faltam até dezembro. Para o fim de 2027, a projeção continua em 12%.

O Comitê de Política Monetária vinha cortando a taxa em doses pequenas. Em agosto, a Selic passou de 14,25% para 14%, e em setembro caiu mais um quarto de ponto. A expectativa de novo corte se manteve mesmo com a inflação projetada subindo, o que mostra que o mercado considera o movimento de preços desta semana pontual. Na semana passada, o Focus já apontava Selic de 13,50% e IPCA de 4,92% para o fim do ano.

O que isso muda no seu bolso

Juro alto encarece crédito e financiamento. Com a Selic em 13,75%, parcela de carro, cheque especial, crédito pessoal e financiamento imobiliário seguem caros, e a rentabilidade de aplicações ligadas ao CDI continua alta. Quem está com dívida cara não deve contar com alívio antes de dezembro, pelo que projeta o próprio mercado.

  • Quem tem dívida: a queda projetada até dezembro é de apenas 0,25 ponto;
  • Quem investe em renda fixa: a taxa de 14% segue valendo nas próximas semanas;
  • Quem vai financiar imóvel: a curva de juros longa acompanha a Selic projetada para 2027, hoje em 12%;
  • Quem compra no supermercado: a projeção de 4,99% indica preço subindo acima do teto da meta neste ano.

Como o Focus é feito

O boletim sai toda segunda-feira e resume as projeções que instituições financeiras e consultorias registram no sistema do Banco Central. O que o mercado publica não é previsão oficial do BC: é a mediana do que esses analistas esperam, e ela muda de semana para semana conforme dados novos de inflação, atividade e câmbio.

O número de participantes varia por indicador. Nesta rodada, o IPCA teve 144 respondentes, a Selic 138, o PIB 106 e o câmbio 110. Quanto menos instituições respondem, mais uma projeção isolada mexe na mediana, e é por isso que vale olhar a série de semanas, e não uma foto só.

A próxima referência concreta chega com o IPCA de setembro, divulgado pelo IBGE em outubro, e com a reunião seguinte do Copom. Até lá, o Focus volta na segunda-feira que vem, com a mesma régua.

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