Focus: inflação projetada sobe para 4,99% e o PIB de 2026 cai a 1,86%
A mediana do mercado para a inflação deste ano passou de 4,92% para 4,99%, acima do teto da meta, e a projeção de crescimento caiu pela quarta semana.

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O mercado financeiro elevou para 4,99% a projeção de inflação de 2026 e cortou de novo a estimativa de crescimento da economia, para 1,86%. Os números são do Boletim Focus desta segunda-feira, com projeções coletadas até 25 de setembro.
Na semana anterior, a mediana das estimativas para o IPCA estava em 4,92%. A conta importa porque a meta de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual: o teto fica em 4,5%, e a projeção segue acima dele. Os dados constam do sistema de expectativas de mercado do Banco Central, que reúne, neste indicador, respostas de 144 instituições.

O que subiu e o que caiu nesta semana
O movimento foi de piora em duas frentes ao mesmo tempo: inflação maior e crescimento menor. A projeção do PIB de 2026 caiu de 1,88% para 1,86%, e a de 2027 recuou de 1,43% para 1,41%. Há um mês, no fim de agosto, os mesmos números eram 1,92% e 1,50%.
A inflação de 2027 praticamente não se mexeu, de 4,30% para 4,31%. O dólar projetado para o fim deste ano segue em R$ 5,20, o mesmo valor de um mês atrás.
O que o Focus diz sobre os juros
A mediana para a Selic no fim de 2026 ficou em 13,50%, o mesmo valor da semana passada. A taxa em vigor é de 13,75% ao ano, em vigor desde 17 de setembro, segundo a série histórica do próprio Banco Central. Na prática, o mercado ainda espera mais um corte de 0,25 ponto nas reuniões que faltam até dezembro. Para o fim de 2027, a projeção continua em 12%.
O Comitê de Política Monetária vinha cortando a taxa em doses pequenas. Em agosto, a Selic passou de 14,25% para 14%, e em setembro caiu mais um quarto de ponto. A expectativa de novo corte se manteve mesmo com a inflação projetada subindo, o que mostra que o mercado considera o movimento de preços desta semana pontual. Na semana passada, o Focus já apontava Selic de 13,50% e IPCA de 4,92% para o fim do ano.
O que isso muda no seu bolso
Juro alto encarece crédito e financiamento. Com a Selic em 13,75%, parcela de carro, cheque especial, crédito pessoal e financiamento imobiliário seguem caros, e a rentabilidade de aplicações ligadas ao CDI continua alta. Quem está com dívida cara não deve contar com alívio antes de dezembro, pelo que projeta o próprio mercado.
- Quem tem dívida: a queda projetada até dezembro é de apenas 0,25 ponto;
- Quem investe em renda fixa: a taxa de 14% segue valendo nas próximas semanas;
- Quem vai financiar imóvel: a curva de juros longa acompanha a Selic projetada para 2027, hoje em 12%;
- Quem compra no supermercado: a projeção de 4,99% indica preço subindo acima do teto da meta neste ano.
Como o Focus é feito
O boletim sai toda segunda-feira e resume as projeções que instituições financeiras e consultorias registram no sistema do Banco Central. O que o mercado publica não é previsão oficial do BC: é a mediana do que esses analistas esperam, e ela muda de semana para semana conforme dados novos de inflação, atividade e câmbio.
O número de participantes varia por indicador. Nesta rodada, o IPCA teve 144 respondentes, a Selic 138, o PIB 106 e o câmbio 110. Quanto menos instituições respondem, mais uma projeção isolada mexe na mediana, e é por isso que vale olhar a série de semanas, e não uma foto só.
A próxima referência concreta chega com o IPCA de setembro, divulgado pelo IBGE em outubro, e com a reunião seguinte do Copom. Até lá, o Focus volta na segunda-feira que vem, com a mesma régua.






