O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central iniciou nesta terça-feira, 4 de agosto, a quinta reunião do ano, e anuncia a nova taxa Selic na quarta-feira, 5. O mercado financeiro chega ao encontro apostando no primeiro corte de juros do ciclo, movimento que a taxa não registra desde 2025.
A Selic está em 14,25% ao ano desde a reunião de 17 de junho. O Boletim Focus divulgado na segunda-feira, 3, pelo Banco Central mostrou o mercado projetando a taxa em 13,75% no fim de 2026, o que corresponde a dois cortes de 0,25 ponto percentual até dezembro. Foi a primeira redução na projeção da Selic desde março.
O que o mercado espera do anúncio
As projeções coletadas pelo Focus incorporam a primeira redução já nesta quarta-feira, seguida de pausa nas reuniões imediatamente posteriores. Na prática, o cenário desenhado pelas instituições consultadas é de um ciclo curto e espaçado, e não de uma sequência de cortes.
Para o horizonte mais longo, as estimativas ficaram estáveis: 12% ao ano no fim de 2027 e 10,5% no fim de 2028. A ausência de revisão nesses dois pontos indica que o mercado tratou a mudança como ajuste de curto prazo, ligado ao comportamento recente dos preços, e não como virada de rota da política monetária.
A leitura por trás do movimento está na inflação. A projeção do IPCA para 2026 recuou de 5,12% para 5,03% no último Focus. Foi a quinta semana seguida de queda na expectativa de inflação para o ano, sequência que sustenta o argumento de quem defende o afrouxamento.
Como a decisão chega ao bolso do brasiliense
A Selic é a taxa básica da economia e serve de referência para o custo do crédito. Quando ela cai, o efeito aparece com defasagem em financiamento imobiliário, crédito consignado, cheque especial, rotativo do cartão e capital de giro para empresas. Um corte de 0,25 ponto percentual, isolado, muda pouco a parcela de quem já tem contrato fechado, mas altera a sinalização para quem vai contratar.
Do outro lado, a renda fixa perde parte do rendimento. Aplicações atreladas ao CDI, que acompanha a Selic de perto, passam a render menos em termos nominais. Tesouro Selic, CDBs pós-fixados e boa parte dos fundos DI seguem esse caminho.
- Selic atual: 14,25% ao ano, fixada em 17 de junho de 2026
- Projeção Focus para o fim de 2026: 13,75% ao ano
- Projeção para 2027: 12% ao ano
- Projeção para 2028: 10,5% ao ano
- IPCA projetado para 2026: 5,03%, ante 5,12% na semana anterior
O que pesa na conta do comitê
O Copom decide a Selic olhando para a inflação projetada no horizonte relevante, e não para a inflação já ocorrida. Por isso a sequência de cinco quedas seguidas na expectativa de IPCA para 2026 tem peso maior no debate que a variação de um mês isolado do índice.
A taxa de 14,25% em vigor desde junho é uma das mais altas do mundo em termos reais, ou seja, descontada a inflação. Esse patamar encarece o crédito e freia consumo e investimento, mecanismo que o Banco Central usa deliberadamente para conter os preços. O custo é atividade econômica menor.
O comitê é formado pelo presidente do Banco Central e pelos oito diretores da instituição. A decisão é colegiada e o resultado do voto aparece no comunicado quando não há unanimidade. Reuniões que terminam divididas costumam sinalizar dificuldade de consenso sobre o passo seguinte.
O que observar no comunicado
O texto que acompanha a decisão costuma pesar mais que o número em si. Nele o Copom descreve o balanço de riscos e sinaliza o que pretende fazer nas reuniões seguintes. Se o comitê cortar a taxa e mantiver linguagem cautelosa sobre o cenário externo e sobre a trajetória fiscal, o mercado tende a manter a leitura de ciclo curto que já está no Focus.
O calendário eleitoral também entra na conta dos analistas. As convenções partidárias se encerram em 5 de agosto e o registro de candidaturas vai até 15 de agosto, período em que projeções de gasto público costumam ganhar peso na formação de preços de ativos.
A ata da reunião, com o detalhamento dos argumentos discutidos pelos diretores, é publicada na terça-feira seguinte ao encontro. É nesse documento que aparecem as divergências internas, quando existem, e a descrição completa dos cenários simulados pelo Banco Central.
Leia também: o que o mercado esperava do Copom de agosto.
Perguntas frequentes
Quando sai a decisão do Copom de agosto de 2026?
A reunião começou na terça-feira, 4 de agosto, e a decisão sobre a Selic é anunciada na quarta-feira, 5 de agosto, após o encerramento do encontro.
Qual é a Selic hoje?
A taxa Selic está em 14,25% ao ano, patamar fixado na reunião do Copom de 17 de junho de 2026.
O que o mercado projeta para a Selic no fim de 2026?
O Boletim Focus de 3 de agosto de 2026 projeta a Selic em 13,75% ao ano no fim do ano, o equivalente a dois cortes de 0,25 ponto percentual.
Quando é publicada a ata do Copom?
A ata sai na terça-feira seguinte à reunião e traz o detalhamento dos argumentos discutidos pelos diretores do Banco Central.








