Boletim Focus: mercado projeta Selic a 13,50% no fim de 2026 e IPCA de 4,92%
Primeira leitura do Focus depois do corte do Copom traz a Selic em 13,50% no fim do ano, inflação de 4,92% e PIB de 1,88%.

Neste texto6 tópicos
O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira mostra o mercado financeiro projetando a taxa Selic em 13,50% ao ano no fim de 2026. Na semana passada a projeção era 13,75%, o patamar em que a taxa está hoje.
A pesquisa foi encerrada na sexta-feira, 18 de setembro, e ouviu mais de 140 instituições financeiras.
A mudança veio logo depois do corte da Selic para 13,75% ao ano decidido pelo Copom em setembro. Foi a primeira leitura do Focus feita já com a decisão na mesa, e ela desfez a aposta que o mercado mantinha havia semanas: a de que o Banco Central pararia por aqui em 2026.
Na mesma rodada, a projeção de inflação subiu. O IPCA deste ano passou de 4,90% para 4,92%, com 146 instituições respondendo. Entre as 91 que responderam nos últimos cinco dias úteis, a mediana é mais alta ainda: 4,97%. A meta perseguida pelo Banco Central é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual, o que coloca o teto em 4,5%.
Quando o mercado espera o próximo corte
O Sistema de Expectativas de Mercado do Banco Central publica a projeção reunião a reunião, e é aí que a mudança desta semana fica visível. Até o Focus de 11 de setembro, a mediana apontava 13,75% nas três reuniões seguintes. Agora ela cai antes.

Para a reunião de 3 e 4 de novembro, a mediana ficou em 13,625%. O número não é uma taxa que o Copom possa decidir: ele fica exatamente no meio do caminho entre manter 13,75% e cortar para 13,50%, sinal de que o painel de analistas está dividido nessa reunião.
Para o encontro de 8 e 9 de dezembro, o último do ano, a mediana é 13,50%. Uma semana antes era 13,75%. Já a projeção para a primeira reunião de 2027 continua em 13,50%, a mesma de antes. Em outras palavras: o mercado não passou a esperar mais cortes, passou a esperar o mesmo corte mais cedo.
Por que a inflação projetada subiu
O que puxa a conta para cima é a comida. A projeção do Focus para a alimentação no domicílio em 2026 está em 6,69%, mais de um ponto e meio acima da média geral.

Serviços aparecem em 5,44% e o conjunto dos preços livres, em 5,07%, os dois também acima do IPCA cheio. Os preços administrados, que incluem energia elétrica, combustível e tarifa de ônibus, ficam em 4,61%. Os bens industrializados seguem no campo oposto, com 3,49%: o que se compra em loja pressiona menos que o que se come e o que se contrata.
O IGP-M, índice usado no reajuste de boa parte dos contratos de aluguel, subiu de 4,54% para 4,73% na projeção deste ano. Para 2027, o Focus vê 4,11%.
Mês a mês, a pesquisa projeta IPCA de 0,52% em setembro, 0,33% em outubro e 0,35% em novembro. A inflação suavizada em doze meses aparece em 4,62%.
O que o Focus projeta para 2026 e 2027
| Indicador | 2026 | 2027 | Semana anterior (2026) |
|---|---|---|---|
| Selic no fim do ano | 13,50% | 12,00% | 13,75% |
| IPCA | 4,92% | 4,30% | 4,90% |
| PIB | 1,88% | 1,43% | 1,89% |
| Dólar no fim do ano | R$ 5,20 | R$ 5,28 | R$ 5,20 |
| IGP-M | 4,73% | 4,11% | 4,54% |
| Taxa de desemprego | 5,3% | 5,8% | 5,3% |
Os números são as medianas do conjunto de instituições consultadas. O relatório completo está no site do Banco Central, que publica a edição em PDF toda segunda-feira.
Quanto o mercado espera que o PIB cresça
A projeção de alta do PIB em 2026 recuou de 1,89% para 1,88%, segunda semana seguida de queda. Há quatro semanas o mercado via 1,95%. Para 2027, a previsão caiu de 1,45% para 1,43%.
Por dentro do resultado, a agropecuária puxa para cima, com 2,2%, e o investimento produtivo trava a conta: a formação bruta de capital fixo aparece com alta de apenas 0,9% no ano. A indústria fica em 1,6% e os serviços, em 1,8%.
Nas contas públicas, a projeção é de déficit primário de 0,42% do PIB em 2026 e de dívida bruta do governo geral em 83,4% do PIB.
O que isso muda no seu bolso
A Selic é a taxa de referência do crédito e da renda fixa no país. Quando ela cai, o custo do dinheiro tende a ceder ao longo dos meses seguintes em linhas como financiamento imobiliário, crédito consignado e capital de giro, e o rendimento das aplicações atreladas ao CDI tende a acompanhar a queda.
O efeito não é imediato nem automático. O que o Focus informa é a direção que o mercado espera, não uma decisão tomada: quem decide é o Copom, e a projeção muda toda semana.
Para quem aluga imóvel, o número a acompanhar é o IGP-M. Para quem faz compra de supermercado, é a linha de alimentação no domicílio, hoje a mais pressionada da pesquisa.
O que vem agora
O Banco Central publica nesta terça-feira a ata da reunião de setembro do Copom, o documento em que o comitê explica o corte e sinaliza o ritmo à frente. É o texto que costuma mexer com as projeções da semana seguinte.
Depois dele, o calendário de 2026 tem duas reuniões: 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro. O próximo Focus sai na segunda-feira seguinte, com a pesquisa encerrada na sexta.






