seg, 21 set
Economia

Boletim Focus: mercado projeta Selic a 13,50% no fim de 2026 e IPCA de 4,92%

Primeira leitura do Focus depois do corte do Copom traz a Selic em 13,50% no fim do ano, inflação de 4,92% e PIB de 1,88%.

Por Redação Sou Brasília 5 min de leitura
Edifício sede do Banco Central do Brasil, em Brasília, visto de baixo contra o céu azul
Foto: Jonas Pereira/Agência Senado (Wikimedia Commons, CC BY 2.0)
Neste texto6 tópicos
  1. Quando o mercado espera o próximo corte
  2. Por que a inflação projetada subiu
  3. O que o Focus projeta para 2026 e 2027
  4. Quanto o mercado espera que o PIB cresça
  5. O que isso muda no seu bolso
  6. O que vem agora

O Boletim Focus divulgado nesta segunda-feira mostra o mercado financeiro projetando a taxa Selic em 13,50% ao ano no fim de 2026. Na semana passada a projeção era 13,75%, o patamar em que a taxa está hoje.

A pesquisa foi encerrada na sexta-feira, 18 de setembro, e ouviu mais de 140 instituições financeiras.

A mudança veio logo depois do corte da Selic para 13,75% ao ano decidido pelo Copom em setembro. Foi a primeira leitura do Focus feita já com a decisão na mesa, e ela desfez a aposta que o mercado mantinha havia semanas: a de que o Banco Central pararia por aqui em 2026.

Na mesma rodada, a projeção de inflação subiu. O IPCA deste ano passou de 4,90% para 4,92%, com 146 instituições respondendo. Entre as 91 que responderam nos últimos cinco dias úteis, a mediana é mais alta ainda: 4,97%. A meta perseguida pelo Banco Central é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual, o que coloca o teto em 4,5%.

Quando o mercado espera o próximo corte

O Sistema de Expectativas de Mercado do Banco Central publica a projeção reunião a reunião, e é aí que a mudança desta semana fica visível. Até o Focus de 11 de setembro, a mediana apontava 13,75% nas três reuniões seguintes. Agora ela cai antes.

Grafico mostra que o mercado passou a esperar a Selic em 13,50% ja na reuniao de dezembro do Copom, e nao so em 2027
Antes do corte de setembro, o mercado via 13,75% nas duas reunioes que faltam em 2026; agora ve 13,50% em dezembro.Grafico: SouBrasilia, com dados do Banco Central

Para a reunião de 3 e 4 de novembro, a mediana ficou em 13,625%. O número não é uma taxa que o Copom possa decidir: ele fica exatamente no meio do caminho entre manter 13,75% e cortar para 13,50%, sinal de que o painel de analistas está dividido nessa reunião.

Para o encontro de 8 e 9 de dezembro, o último do ano, a mediana é 13,50%. Uma semana antes era 13,75%. Já a projeção para a primeira reunião de 2027 continua em 13,50%, a mesma de antes. Em outras palavras: o mercado não passou a esperar mais cortes, passou a esperar o mesmo corte mais cedo.

Por que a inflação projetada subiu

O que puxa a conta para cima é a comida. A projeção do Focus para a alimentação no domicílio em 2026 está em 6,69%, mais de um ponto e meio acima da média geral.

Grafico de barras mostra alimentacao no domicilio em 6,69%, servicos em 5,44% e bens industrializados em 3,49% na projecao do Focus para 2026
A alimentacao no domicilio e o grupo com a maior projecao de alta em 2026, acima do IPCA cheio.Grafico: SouBrasilia, com dados do Banco Central

Serviços aparecem em 5,44% e o conjunto dos preços livres, em 5,07%, os dois também acima do IPCA cheio. Os preços administrados, que incluem energia elétrica, combustível e tarifa de ônibus, ficam em 4,61%. Os bens industrializados seguem no campo oposto, com 3,49%: o que se compra em loja pressiona menos que o que se come e o que se contrata.

O IGP-M, índice usado no reajuste de boa parte dos contratos de aluguel, subiu de 4,54% para 4,73% na projeção deste ano. Para 2027, o Focus vê 4,11%.

Mês a mês, a pesquisa projeta IPCA de 0,52% em setembro, 0,33% em outubro e 0,35% em novembro. A inflação suavizada em doze meses aparece em 4,62%.

O que o Focus projeta para 2026 e 2027

Indicador20262027Semana anterior (2026)
Selic no fim do ano13,50%12,00%13,75%
IPCA4,92%4,30%4,90%
PIB1,88%1,43%1,89%
Dólar no fim do anoR$ 5,20R$ 5,28R$ 5,20
IGP-M4,73%4,11%4,54%
Taxa de desemprego5,3%5,8%5,3%

Os números são as medianas do conjunto de instituições consultadas. O relatório completo está no site do Banco Central, que publica a edição em PDF toda segunda-feira.

Quanto o mercado espera que o PIB cresça

A projeção de alta do PIB em 2026 recuou de 1,89% para 1,88%, segunda semana seguida de queda. Há quatro semanas o mercado via 1,95%. Para 2027, a previsão caiu de 1,45% para 1,43%.

Por dentro do resultado, a agropecuária puxa para cima, com 2,2%, e o investimento produtivo trava a conta: a formação bruta de capital fixo aparece com alta de apenas 0,9% no ano. A indústria fica em 1,6% e os serviços, em 1,8%.

Nas contas públicas, a projeção é de déficit primário de 0,42% do PIB em 2026 e de dívida bruta do governo geral em 83,4% do PIB.

O que isso muda no seu bolso

A Selic é a taxa de referência do crédito e da renda fixa no país. Quando ela cai, o custo do dinheiro tende a ceder ao longo dos meses seguintes em linhas como financiamento imobiliário, crédito consignado e capital de giro, e o rendimento das aplicações atreladas ao CDI tende a acompanhar a queda.

O efeito não é imediato nem automático. O que o Focus informa é a direção que o mercado espera, não uma decisão tomada: quem decide é o Copom, e a projeção muda toda semana.

Para quem aluga imóvel, o número a acompanhar é o IGP-M. Para quem faz compra de supermercado, é a linha de alimentação no domicílio, hoje a mais pressionada da pesquisa.

O que vem agora

O Banco Central publica nesta terça-feira a ata da reunião de setembro do Copom, o documento em que o comitê explica o corte e sinaliza o ritmo à frente. É o texto que costuma mexer com as projeções da semana seguinte.

Depois dele, o calendário de 2026 tem duas reuniões: 3 e 4 de novembro e 8 e 9 de dezembro. O próximo Focus sai na segunda-feira seguinte, com a pesquisa encerrada na sexta.

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