dom, 1 nov

Copom decide a Selic na quarta com mercado inclinado à pausa em 13,75%

Opções da B3 davam 66,5% de chance de manter a Selic em 13,75% e 32% de corte de 0,25 ponto, após a alta do dólar pós-eleição.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Sede do Banco Central do Brasil em Brasília vista de uma via do Plano Piloto, foto de arquivo
Foto: Ray Fernandes/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
Neste texto4 tópicos
  1. Como está a divisão entre os economistas
  2. O que pesa na decisão
  3. O que muda para o bolso nos dois cenários
  4. De onde a Selic vem

O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne nesta terça-feira (3) e na quarta (4) para decidir se corta a Selic, hoje em 13,75% ao ano, ou interrompe a sequência de cinco reduções. Depois da disparada do dólar que veio com o resultado do segundo turno, o mercado passou a apostar mais em manter a taxa.

Nas opções de Copom negociadas na B3, em 28 de outubro, a chance de manutenção era de 66,5%, contra 32% para um corte de 0,25 ponto percentual, segundo a Bloomberg Línea.

Como está a divisão entre os economistas

Uma pesquisa da Bloomberg feita de 27 a 29 de outubro com 18 economistas mostrou o grupo dividido: dez esperam manutenção em 13,75% e oito ainda projetam corte para 13,50%. Oito deles abandonaram a aposta no corte depois da eleição. Treze dos 18 elevaram a projeção da Selic para o fim do próximo ano, com revisões de 25 a 300 pontos-base.

"O BC deveria pausar o ciclo de cortes por ora", disse Paulo Capeleti, economista da Schonfeld Strategic Advisors no Brasil. Andrea Damico, economista-chefe da Buysidebrazil, avaliou que "o BC não vai ter muita alternativa para cortar os juros com uma alta tão expressiva nos modelos dele". As duas falas constam da reportagem da Bloomberg Línea.

No mercado de juros futuros, a taxa básica precificada para o fim do próximo ano passou de cerca de 12%, entre os dois turnos, para 15%, e a curva praticamente eliminou a chance de cortes em 2026.

O que pesa na decisão

O câmbio é o primeiro fator. O dólar fechou a sexta-feira (30) a R$ 5,44, no maior avanço semanal desde 2008, segundo a Agência Brasil. Dólar mais caro encarece produtos importados e insumos, e esse efeito chega à inflação.

O segundo é a distância da meta. Na ata da reunião de setembro, o próprio Copom projetou inflação de 3,2% para o primeiro trimestre de 2028, acima da meta contínua de 3%, e escreveu que expectativas desancoradas exigem juro restritivo por mais tempo. O Itaú projeta 3,4% para esse horizonte, e a Petros, entre 3,3% e 3,4%, de acordo com a Bloomberg Línea. Alberto Ramos, economista-chefe para a América Latina do Goldman Sachs, resumiu o cenário: "O ano de 2027 será ruim para a inflação". Entre os riscos listados na reportagem estão o câmbio, o petróleo, o El Niño e medidas anunciadas na campanha, como o reajuste do Bolsa Família.

Essas contas ainda não incorporam todo o choque. O Focus de 26 de outubro, com dados até o dia 23, trazia IPCA de 2026 em 5,19% e Selic de 13,25% no fim do ano, ainda antes do salto do dólar. O próximo boletim sai na segunda-feira (2), véspera da reunião.

O que muda para o bolso nos dois cenários

  • Pausa em 13,75%: financiamentos e crédito com juro atrelado à Selic não ficam mais baratos agora, e a renda fixa mantém o rendimento atual.
  • Corte para 13,50%: o alívio no crédito é pequeno e lento, e os rendimentos de CDB e Tesouro Selic recuam na mesma proporção.

De onde a Selic vem

A taxa caiu 1,25 ponto percentual em seis meses, de 15% para 13,75%, em cinco cortes seguidos de 0,25 ponto desde 19 de março, conforme a cobertura da ata de setembro. O último, em 16 de setembro, foi unânime entre os sete membros com direito a voto. Uma pausa em novembro seria a primeira interrupção do ciclo.

O Banco Central divulga a decisão e o comunicado na quarta-feira (4). A ata sai na terça-feira seguinte, dia 10, e mostra com que argumentos o comitê chegou ao resultado. A reunião seguinte, a última do ano, está marcada para 8 e 9 de dezembro.

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