Dólar sobe 9% e Bolsa cai 18% na semana da reeleição; Copom decide a Selic na quarta
Dólar a R$ 5,44 e Ibovespa a 167.921 pontos fecham a semana da reeleição de Lula; Copom decide a Selic na quarta-feira, 4.

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O dólar comercial fechou a semana a R$ 5,44 e o Ibovespa, a 167.921 pontos, depois de cinco pregões sob o efeito da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em relação ao fechamento de 23 de outubro, a moeda americana subiu cerca de 9% e a Bolsa caiu 18%, a maior queda semanal desde março de 2020.
Nesta sexta-feira, 30, o dólar subiu 1,05% sobre o dia anterior e o índice recuou 0,75%, segundo o Metrópoles. O mercado fechou a semana sem recuperar o que perdeu na segunda-feira, 26, o primeiro pregão depois do segundo turno.
| Indicador | Fechamento em 23/10 | Fechamento em 30/10 | Variação na semana |
|---|---|---|---|
| Dólar comercial | R$ 4,993 | R$ 5,44 | cerca de +9% |
| Ibovespa | 205.082,56 pontos | 167.921 pontos | cerca de -18% |
| Selic (meta) | 13,75% ao ano | 13,75% ao ano | sem mudança |
Os valores de 23 de outubro são os que o SouBrasília registrou na véspera do segundo turno, com dados da Agência Brasil e da Reuters. Os de 30 de outubro vêm do Metrópoles.
Por que os números variam de uma fonte para outra?
Cada levantamento usa uma base de comparação. A conta direta entre os dois fechamentos acima dá queda de 18,1% no Ibovespa, o mesmo número que o Metrópoles publicou (18,12%). A Folhapress, com dados da B3 compilados pela Elos Ayta, calculou 17,5% e informou que é a quinta maior queda semanal desde o início do Plano Real, em 1994. Na semana de 20 de março de 2020, no começo da pandemia, o índice tinha caído 18,88%.
No câmbio a diferença é parecida: a Folhapress apurou alta de 9,18% na semana, o Metrópoles, de 9,04%. A cotação de referência do Banco Central, a Ptax de venda, que é uma média de quatro janelas de negociação ao longo do dia, saiu de R$ 5,0377 em 23 de outubro para R$ 5,4212 em 30 de outubro, alta de 7,6%. A série completa está na página de cotações históricas do Banco Central.
O que aconteceu em cada dia?
Na segunda-feira, 26, a Bolsa caiu 13,88% e fechou em 176.608 pontos, a maior queda em um dia desde 16 de março de 2020. A B3 acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações para conter quedas bruscas. O dólar teve a maior alta diária desde 1999. Nós registramos o dia na cobertura da queda da Bolsa e do salto do dólar.
Na terça-feira, 27, houve alívio parcial: o dólar recuou 1,07%, para R$ 5,349, e o Ibovespa caiu mais 0,51%, para 175.710 pontos, conforme o fechamento de terça. De quarta a sexta, a Ptax de venda subiu todos os dias (R$ 5,3420, R$ 5,3744 e R$ 5,4212), e o Ibovespa terminou a semana abaixo do nível de terça.
Os juros futuros acompanharam. Segundo a Folhapress, a taxa do contrato de DI com vencimento em janeiro de 2031 foi de 12,64%, na sexta-feira anterior, para 15,3%, alta de 266 pontos-base. Em outubro, a Bolsa acumula queda de 9,21% e o dólar, alta de 5,31%, a maior valorização mensal da moeda neste ano.
O que o mercado espera do Banco Central na próxima semana?
O Comitê de Política Monetária (Copom) se reúne em 3 e 4 de novembro e anuncia a decisão na quarta-feira. A Selic está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro, depois de cinco cortes seguidos de 0,25 ponto percentual. Segundo o Metrópoles, a avaliação do mercado é que o comitê não vai cortar a taxa desta vez. É uma expectativa de mercado, e o Banco Central só se manifesta na decisão.
O mercado também aguarda a definição da equipe econômica do novo governo. Emerson Junior, da Convexa Investimentos, disse ao Metrópoles que as atenções estão na decisão do Banco Central e nos possíveis nomes para o Ministério da Fazenda. Já Bruna Sene, analista da Rico, afirmou à Folhapress que o fator decisivo para a Bolsa é a queda dos juros de longo prazo, o que depende de previsibilidade fiscal, com regras claras que se mantenham.
O que muda para quem mora no DF?
Quem tem viagem ao exterior ou compra em moeda estrangeira paga pela cotação do dia, e a Selic em 13,75% segue como referência para financiamento e cartão de crédito. A Bolsa não mexe no contracheque de quem não investe em ações.
A decisão do Copom sai na quarta-feira, 4, e a ata, que o Banco Central divulga na terça-feira seguinte, mostra como o comitê leu a reação do mercado. A ata anterior, de setembro, está na nossa cobertura da ata do Copom.






