Bolsa cai quase 14% e dólar vai a R$ 5,40 após reeleição de Lula
O Ibovespa recuou de 205 mil para cerca de 176 mil pontos, com circuit breaker, e o dólar subiu 8,21%. Entenda os números, a pausa da B3 e os juros futuros.

A Bolsa de Valores brasileira teve nesta segunda-feira, 26, um dos piores pregões de sua história, e o dólar subiu mais de 8%, um dia depois da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O Ibovespa, principal índice da B3, caiu quase 14% e saiu do patamar de 205 mil pontos para a casa dos 176 mil. O dólar comercial fechou a R$ 5,403, contra R$ 4,99 na sexta-feira, 23.
Os veículos divergem no número exato do fechamento do Ibovespa. O Poder360 registrou queda de 13,88%, aos 176.608 pontos. O Metrópoles, que classificou o dia como um dos piores da história da Bolsa, apontou recuo de 13,43%, aos 177.540. Os dois partem da mesma base, os 205.082 pontos da sexta-feira, e concordam na ordem de grandeza.
O dólar tem leitura menos ambígua. Segundo o InfoMoney, a moeda fechou com alta de 8,21%, a R$ 5,403 na venda. O Poder360 informa máxima de R$ 5,605 e mínima de R$ 5,392 no dia.
O que é o circuit breaker e por que disparou
A B3 suspende as negociações por 30 minutos quando o índice cai mais de 10% em relação ao fechamento anterior. Nesta segunda, a pausa foi anunciada antes da abertura, às 10h04, porque o preço teórico do Ibovespa na fase de leilão já indicava queda superior a 20%, conforme explicou a B3 ao InfoMoney. Segundo o Metrópoles, a última vez que o mecanismo havia sido acionado foi em março de 2020, no início da pandemia de covid-19.
Depois da retomada, o índice chegou a perder 17%. Pela regra usual, uma nova pausa, de uma hora, viria com recuo acima de 15%. A B3 disse que, neste pregão, o novo gatilho seria uma queda de 20%, e por isso não houve segunda interrupção.
Juros futuros e Tesouro
Os contratos de juros futuros subiram com força, e alguns atingiram os limites de oscilação da B3. De acordo com o Poder360, a curva chegou a avançar mais de 260 pontos-base em média. O Tesouro Nacional fez uma operação de recompra de títulos prefixados de cerca de R$ 7,1 bilhões para reduzir a pressão sobre os preços. Esses juros refletem expectativas do mercado e não alteram de imediato a Selic, fixada pelo Banco Central; o Copom cortou a taxa para 13,75% em setembro.
Na leitura do Poder360, os investidores esperavam que um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) fosse mais rígido com as contas públicas, e o resultado, que contrariou as pesquisas, levou a uma reavaliação de política fiscal, juros e câmbio. Lula teve 51,79% dos votos válidos, segundo o InfoMoney, contra 48,21% de Flávio.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, disse ao Broadcast na segunda que o governo pretende mudar a lei ou a Constituição ainda neste ano para buscar o centro da meta fiscal, o que esclareceria as regras de contingenciamento e permitiria ajustar gastos em novembro e dezembro. Para o mercado, pesam também as contestações judiciais ao resultado anunciadas por Flávio.






