Copom mantém a Selic em 13,75% e frustra mercado que esperava corte de 0,25 ponto
O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano por unanimidade, interrompeu cinco cortes seguidos e citou dólar, El Niño e inflação acima do teto.

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4), por unanimidade. A decisão surpreendeu o mercado financeiro, que esperava corte de 0,25 ponto percentual, embora parte das instituições apostasse na pausa, segundo a Agência Brasil.
No comunicado, o Copom escreveu que o cenário atual, com "taxa Selic substancialmente contracionista" e "expectativas de inflação mais elevadas", exige "serenidade e cautela" na condução da política monetária. O texto não indica o que o comitê fará nas próximas reuniões.
O que a Selic parada muda para quem tem crédito ou investe?
A Selic é a referência para as demais taxas de juros da economia. Quando ela cai, o crédito fica mais barato; quando se mantém alta, empréstimos e financiamentos seguem caros, e a renda fixa continua pagando mais. A pausa significa que a trajetória de queda dos juros ao consumidor, que vinha desde abril, fica suspensa até pelo menos a reunião de dezembro.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) chamou a decisão de "equivocada e excessivamente conservadora" e pediu a volta dos cortes em dezembro. O presidente da entidade, Ricardo Alban, afirmou que "é possível continuar diminuindo os juros em ritmo compatível com a convergência da inflação para a meta".
Críticas vieram também do comércio e dos sindicatos. O economista-chefe da Associação Paulista de Supermercados (Apas), Felipe Queiroz, disse que "está na hora de o Banco Central adotar uma política monetária que tanto controle a inflação quanto não prejudique o ritmo de atividade econômica". Para a presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, "quanto mais alta a Selic, maior também será a dívida do Estado, com menos recursos sobrando para o que importa, como saúde, educação e segurança".
O argumento do BC segue a lógica inversa: para cortar a taxa, a autoridade monetária precisa estar segura de que os preços estão sob controle e não correm risco de subir. Juro menor estimula produção e consumo, mas enfraquece o controle da inflação.
A Selic ficou em 15% ao ano de junho de 2025 a março de 2026, o maior nível em quase 20 anos. Desde abril, o Copom fez cinco cortes.
Por que o Banco Central parou de cortar?
A Agência Brasil aponta três fatores: a alta do dólar, o início do fenômeno climático El Niño e o agravamento da guerra no Oriente Médio. Do lado da inflação, o IPCA acumulado em 12 meses subiu de 4,5% para 4,62%, acima do teto da meta. O boletim Focus, do próprio BC, projeta inflação de 5,22% em 2026 e crescimento de 1,76% do PIB.
A meta de inflação é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo, ou seja, entre 1,5% e 4,5%. Desde janeiro de 2025 o sistema é de meta contínua: o BC compara a inflação acumulada em 12 meses com esse intervalo mês a mês, e não só no fechamento de dezembro.
O Copom também decidiu desfalcado. Os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, terminaram no fim de 2025, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ainda não enviou ao Senado os nomes dos substitutos.
Quais são as próximas datas?
O IBGE divulga o IPCA cheio no dia 12, e o BC publica o novo Relatório de Política Monetária no fim de novembro, com a revisão da projeção de inflação para 2026, hoje em 5,2%. A próxima reunião do Copom está marcada para dezembro, segundo a Agência Brasil. Para a expectativa do mercado antes da decisão, veja a prévia do Copom e o boletim Focus de 2 de novembro.






