Durigan nega que governo estude congelar a Selic às vésperas do Copom
Fazenda desmente especulação sobre congelamento da taxa básica, hoje em 13,75%, antes da decisão do Copom na quarta-feira (4).

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O ministro da Fazenda, Dario Durigan, negou nesta segunda-feira (2) que o governo estude congelar a Selic, hoje em 13,75% ao ano. O desmentido veio a um dia do início da reunião do Copom, que decide a taxa na quarta-feira (4).
O que Durigan disse sobre os juros
Segundo o Metrópoles, o ministro afirmou que a equipe econômica não avalia a hipótese. "Propostas como tabelar os juros ou queimar reservas cambiais não estão em avaliação", declarou Durigan.
Ele também disse que não existe encontro marcado entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o economista André Lara Resende. "Vários economistas estão se colocando à disposição para dialogar com o presidente, mas não há nada agendado", afirmou.
O presidente do BNDES, Aloisio Mercadante, também rebateu a associação com a ideia. "Não procede. Eu nunca defendi tabelamento de juros. Não tenho absolutamente nenhuma identidade com isso", disse ao colunista Matheus Leitão, do Metrópoles.
A agenda oficial de Lula no site do Planalto não trazia compromisso na segunda-feira. O presidente passou o feriado de Finados na Granja do Torto, em Brasília.
De onde veio a ideia de congelar a Selic
A especulação começou no domingo (1º), com uma nota do colunista Lauro Jardim, de O Globo. O texto dizia que Lara Resende, um dos economistas que formularam o Plano Real, teria uma reunião com Lula nesta semana. Parte do mercado leu o encontro como sinal de que o governo poderia reduzir os juros à força.
Lara Resende publicou no fim de setembro, na plataforma Substack, um artigo em que defende que a taxa básica é a principal causa do desequilíbrio fiscal. "Acuso o Banco Central de sustentar, em nome de uma teoria anacrônica, a taxa de juros que é a principal causa do desequilíbrio fiscal que diz combater", escreveu.
No texto, ele afirma que, sem contar o serviço da dívida, as contas públicas estão praticamente equilibradas, e que o déficit nominal, puxado pelos juros, se aproxima de 10% do PIB. Também reconhece que o país gasta mal, citando as emendas parlamentares, as vantagens salariais do Judiciário e as isenções tributárias. Segundo a Agência Brasil, os juros consumiram mais de R$ 1,1 trilhão do orçamento nos últimos 12 meses, o equivalente a 8,9% do PIB.
O raciocínio dele admite um custo de curto prazo. "A redução do juro vai efetivamente trazer a inflação para baixo, mas só depois de um repique da inflação no curto prazo", diz um trecho do artigo. O texto não propõe congelar a Selic, e foi a leitura do mercado sobre a nota do colunista que levou a hipótese a circular.
O que o Banco Central responde e o que está em jogo no Copom
O Banco Central sustenta que os juros altos são necessários para controlar a inflação e cita, entre os motivos, os déficits primários, aquele em que as despesas superam as receitas sem contar os gastos com a dívida. Quando a Selic sobe, o crédito encarece e a demanda cai, o que freia os preços. O efeito colateral é o crédito mais caro para empresas e famílias, e o freio no investimento.
Para o governo, a taxa alta também pesa nas contas: quanto maior a Selic, mais dinheiro a União destina ao pagamento de juros da dívida. A dívida bruta do governo geral está em cerca de 82,9% do PIB, ante 71,7% em 2022, segundo os números citados pela Agência Brasil.
A taxa é definida pelo Comitê de Política Monetária, formado pelos diretores do Banco Central, e não pelo Ministério da Fazenda. O colegiado se reúne em 3 e 4 de novembro para decidir se reduz, mantém ou eleva os 13,75% atuais. Sobre o que o mercado projeta, veja a cobertura do Copom de 4 de novembro e a última leitura do Boletim Focus de 26 de outubro.
A reportagem do Metrópoles não conseguiu contato com Lara Resende. As informações deste texto vêm do Metrópoles e da Agência Brasil, publicadas em 2 de novembro de 2026.






