Copom mantém a Selic em 13,75% e interrompe cinco cortes seguidos
O Copom manteve a Selic em 13,75% ao ano por unanimidade, após cinco cortes de 0,25 ponto. Dólar, El Niño e inflação pesaram na pausa.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4), por unanimidade, e interrompeu a sequência de cinco cortes de 0,25 ponto percentual que levou os juros básicos de 15% ao nível atual. A decisão encerra a 282ª reunião do comitê.
Segundo a Agência Brasil, o Banco Central citou a alta do dólar e o fenômeno climático El Niño entre os motivos da pausa. No comunicado, o Copom afirmou que as incertezas aumentaram nas últimas semanas e que as expectativas de inflação seguem acima da meta. O texto não indica o que o comitê fará nas próximas reuniões. A agência lembra que a Selic ficou em 15% de junho de 2025 a março de 2026, o maior nível em quase 20 anos, e que o agravamento da guerra no Oriente Médio também dificulta o trabalho do Copom.
"O contexto atual, caracterizado por taxa Selic substancialmente contracionista, aumento significativo das incertezas em torno do cenário base, expectativas de inflação mais elevadas, e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada, apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução."
O que isso quer dizer para o crédito
A Selic fica onde estava desde o último corte, anunciado em setembro. Quem tem financiamento ou empréstimo com juros atrelados à taxa básica não terá alívio novo agora. Quem tem aplicação em renda fixa pós-fixada continua com a mesma referência de rendimento.
O mercado chegou à reunião dividido. Numa pesquisa da Bloomberg com 18 economistas, feita de 27 a 29 de outubro, dez esperavam manutenção e oito ainda projetavam corte para 13,50%, como mostramos na prévia da reunião. A Agência Brasil classificou a decisão como surpresa, e lembrou que parte das instituições já apostava na pausa.
Copom incompleto e próximos passos
A Agência Brasil informa que o comitê está desfalcado: os mandatos dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Diego Guillen, terminaram no fim de 2025, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda não enviou ao Congresso os nomes dos substitutos.
O IPCA-15 de outubro ficou em 0,32%, ajudado pela queda nas contas de luz, segundo a mesma agência. O Banco Central divulga o novo Relatório de Política Monetária no fim de novembro, com a projeção de inflação revista. A última reunião do ano está marcada para 8 e 9 de dezembro. A trajetória completa do ciclo de cortes está na página Selic hoje, e as projeções do mercado, no boletim Focus de 2 de novembro.
Fontes: Agência Brasil e Banco Central.






