qua, 28 out

20,3 milhões de brasileiros estão em endividamento de risco, diz o BC

O BC contou 20,3 milhões de devedores de risco em junho, alta de 75% em cinco anos. Veja os critérios, o peso na renda e onde reclamar no DF.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
Casal em uma cozinha analisa contas e papéis ao lado de um notebook e uma calculadora, em foto ilustrativa
Foto: Mikhail Nilov/Pexels
Neste texto4 tópicos
  1. Quem o BC classifica como endividado de risco
  2. Quanto da renda vai para o pagamento de dívidas
  3. O que o BC já decidiu e o que promete
  4. O que fazer se a dívida apertou no DF

O Banco Central (BC) contabilizou 20,3 milhões de brasileiros em situação de endividamento de risco em junho de 2026, alta de 75% em cinco anos. O número consta do Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado na terça-feira, 27, e equivale a 17% dos devedores do Sistema Financeiro Nacional, segundo a Agência Brasil.

O presidente do BC, Gabriel Galípolo, disse que o órgão prepara novas medidas contra ofertas agressivas de crédito. "Pretendemos adicionar medidas ainda este ano", afirmou. A prioridade, segundo ele, são consumidores que já usam o rotativo do cartão ou têm atrasos relevantes.

Quem o BC classifica como endividado de risco

O consumidor entra na conta quando atende a pelo menos dois destes quatro critérios:

  • atraso superior a 90 dias no pagamento de parcelas de crédito;
  • mais de 50% da renda mensal comprometida com dívidas;
  • uso simultâneo de cheque especial, crédito pessoal sem consignação e rotativo do cartão;
  • renda restante, depois de pagar as dívidas, abaixo da linha de pobreza.

A classificação não significa que os 20,3 milhões estejam inadimplentes. Ela indica maior vulnerabilidade financeira, e quem tem uma conta atrasada pode não estar no grupo.

Quanto da renda vai para o pagamento de dívidas

O relatório mostra que o comprometimento da renda com cartão de crédito subiu em todas as faixas salariais. A faixa de até dois salários mínimos reúne 61,2 milhões de pessoas e é a mais pressionada.

Indicador (junho de 2026)Resultado
Brasileiros em endividamento de risco20,3 milhões
Alta em cinco anos75%
Parcela dos devedores do sistema financeiro17%
Renda comprometida, até 2 salários mínimos42%
Parte dessa renda que vai ao cartão (até 2 salários mínimos)15%
Renda comprometida, acima de 10 salários mínimos18,6%

Em outra nota sobre o mesmo relatório, a Agência Brasil informa que os ativos problemáticos das famílias, que reúnem operações em atraso ou com sinais de dificuldade, chegaram ao maior nível desde 2012 na maioria das modalidades. O comprometimento da renda com dívidas é o maior em 21 anos. O BC estima que a pressão sobre a capacidade de pagamento continue no segundo semestre.

O mesmo relatório diz que o BC "não vê risco relevante" para a estabilidade financeira do país. Bancos mantêm capitalização e liquidez confortáveis, e 73% das instituições consultadas se disseram muito ou totalmente confiantes na resiliência do sistema. As maiores preocupações apontadas foram o risco fiscal e a inadimplência com juros altos por muito tempo.

O que o BC já decidiu e o que promete

Na sexta-feira, 23, o BC aprovou regras para limitar ofertas inadequadas de crédito, que o SouBrasília explicou na matéria sobre as resoluções 601, 602 e 603. Para clientes vulneráveis ou em risco de superendividamento, a oferta de crédito dependerá de autorização prévia, específica e inequívoca. Nesses casos, só poderão ser oferecidas renegociação e portabilidade, sem dinheiro novo.

Galípolo apontou o crescimento do crédito sem garantia, como cartão, cheque especial e empréstimo pessoal não consignado, mesmo com juros altos. "A preocupação que existe é nessas modalidades, em que estamos assistindo crescimento de maneira pouco sensível a preço", disse.

O que fazer se a dívida apertou no DF

Quem mora no Distrito Federal tem três caminhos oficiais:

  • O Procon-DF atende reclamações sobre serviços de instituições financeiras, como cobrança indevida e fraude. O telefone é o 151, e o atendimento é gratuito. O passo a passo está no guia do Procon-DF.
  • O Consumidor.gov.br recebe queixas contra bancos e financeiras pela internet.
  • O Desenrola 3.0 compra dívidas de até R$ 10 mil com atraso de 720 a 1.645 dias, de cartão e crédito pessoal sem consignação. O leilão está previsto para novembro, e o resumo de quem entra está no SouBrasília.

O bloqueio de ofertas de crédito só passa a valer em 31 de março de 2027. Os painéis de dívidas e os limites para ofertas durante transações pelo Pix entram em vigor em julho do mesmo ano.

Mais em Economia

Ver todas

Mais lidas da semana

últimos 7 dias
Enviar no WhatsApp