O BRB encerrou na sexta-feira (17) as negociações com a gestora Quadra Capital para a venda de até R$ 15 bilhões em ativos herdados do Banco Master. O acordo, fechado em abril, previa pagamento inicial bilionário que não chegou a entrar no caixa do banco.
Em nota, o BRB informou que o fim do contrato foi consensual. O banco atribuiu a decisão a diferenças na avaliação dos termos financeiros da operação e confirmou que passa a cuidar diretamente da carteira que seria transferida ao fundo.
O encerramento ocorreu por “divergências em relação aos parâmetros econômicos e financeiros considerados adequados pelo Banco para a operação”, diz o comunicado do BRB.
O que previa o acordo com a Quadra Capital
O contrato foi anunciado em abril de 2026 como peça central da reorganização do BRB depois da crise do Banco Master. A Quadra Capital, gestora paulista criada em 2016, estruturaria um fundo de investimento em direitos creditórios (FIDC) para comprar e administrar a carteira problemática.
Nesse tipo de operação, o banco tira os ativos de risco do próprio balanço e os transfere a um fundo, que paga uma parte à vista e devolve o restante aos poucos, conforme consegue recuperar os créditos. A engenharia montada com a Quadra tinha três pontas principais:
- venda de até R$ 15 bilhões em ativos ligados à carteira recebida do Banco Master;
- pagamento inicial à vista entre R$ 3 bilhões e R$ 4 bilhões;
- conversão do restante em cotas subordinadas do fundo, monetizadas ao longo do tempo.
Segundo o Jornal de Brasília, o BRB seria o maior cotista, com mais de 100 investidores comprometidos com o fundo. Já o Correio Braziliense aponta que a decisão de romper veio depois que o aporte inicial de R$ 4 bilhões, previsto para o fim de junho, não foi efetivado pela gestora.
Na época do anúncio, o SouBrasília detalhou a criação do fundo com a Quadra Capital.
Tesouro do DF garante a liquidez
A Secretaria de Economia do DF tratou de conter qualquer leitura negativa sobre o rompimento. Ao Correio Braziliense, o secretário de Economia afirmou que o Tesouro do DF já substituiu a liquidez que viria da operação com a Quadra e que o fim do negócio, por isso, não representa fator relevante de risco para o banco neste momento.
O reforço de caixa tem ainda outra frente. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) deve liberar um empréstimo de R$ 6,6 bilhões até o fim de julho, como o SouBrasília mostrou, o que amplia a folga de liquidez da instituição durante a reestruturação.
Relembre a crise do Banco Master
A origem do problema está na compra de carteiras do Banco Master, operação que expôs o BRB a ativos de qualidade duvidosa e desencadeou investigações. O Master acabou liquidado após a identificação de fraudes em suas carteiras, e coube ao banco de Brasília administrar a fatia que havia absorvido.
Desde então, a instituição encadeou uma sequência de movimentos para se recapitalizar: acordo bilionário homologado no STF, empréstimo do FGC e a tentativa, agora abandonada, de transferir os R$ 15 bilhões em ativos para o fundo da Quadra Capital.
Próximos passos do banco
O calendário aperta. Segundo o Jornal de Brasília, o Banco Central fixou o dia 5 de agosto como prazo para o BRB implementar as medidas de recomposição de capital exigidas pela autoridade monetária.
Com o rompimento, o banco afirma que fará “diretamente a gestão e o reposicionamento desses ativos no mercado”. Na prática, o BRB tenta extrair valor da carteira do Master por conta própria, sem dividir o resultado com um fundo externo nem depender do ritmo de pagamento de terceiros.
Para o correntista, o encerramento do acordo não altera o funcionamento de contas, crédito e demais serviços. O ponto de atenção segue no balanço: o mercado vai observar como o banco acomoda os ativos do Master e se o plano de capital será entregue dentro do prazo do Banco Central.








