sex, 30 out

Bolsonaro pede a Moraes autorização para receber Milei em 25 de julho

Defesa protocolou pedido no STF para o presidente argentino visitar Bolsonaro na prisão domiciliar em Brasília; Moraes decide sobre o encontro de 25/7.

Por Denver Moura 3 min de leitura
Estátua da Justiça com balança em close, símbolo do Poder Judiciário
Neste texto3 tópicos
  1. Quem acompanha Milei na visita
  2. Por que Milei vem ao Brasil
  3. O que Moraes vai decidir

A defesa de Jair Bolsonaro protocolou na sexta-feira (17) um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para que o presidente argentino Javier Milei visite o ex-presidente durante a prisão domiciliar, em Brasília, no dia 25 de julho.

O requerimento foi apresentado a Moraes por ser ele o relator da execução penal de Bolsonaro na Corte. Cabe ao ministro autorizar ou negar o encontro, previsto para a tarde do sábado, na residência do ex-presidente no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico.

Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde setembro de 2025, quando foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista. Ele também se recupera de uma pneumonia bacteriana diagnosticada após cirurgia, segundo a defesa.

No documento, os advogados afirmam que a visita só ocorrerá com aval prévio do Supremo.

“Em absoluta cautela e em estrita observância às determinações emanadas por Vossa Excelência, submete-se previamente o presente requerimento à apreciação desse Juízo”, diz o pedido da defesa, divulgado pela Agência Brasil.

Quem acompanha Milei na visita

Segundo o requerimento, a comitiva argentina que pretende entrar na residência é enxuta. Além do presidente, foram indicados três nomes:

  • Pablo Quirino, ministro das Relações Exteriores da Argentina;
  • Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente;
  • Enrique Luis de Boero Baby, intérprete oficial.

A visita foi solicitada para as 16h do dia 25, conforme o pedido protocolado no STF.

Por que Milei vem ao Brasil

A vinda do argentino tem motivo eleitoral. Milei confirmou presença na convenção nacional do PL, marcada para o mesmo dia 25 na Arena Pacaembu, em São Paulo, evento em que o senador Flávio Bolsonaro deve ter a pré-candidatura à Presidência da República formalizada pelo partido.

O próprio presidente argentino anunciou o roteiro no início do mês, em declaração registrada pelo Congresso em Foco: “No dia 25, viajo para o Brasil, a convite do candidato a presidente Flávio Bolsonaro, e vou. Então, vou estar em São Paulo e vou dar uma passada também por Brasília para cumprimentar o Jair Bolsonaro”.

Milei e Bolsonaro mantêm alinhamento político desde 2023. O argentino esteve com aliados do ex-presidente em outras ocasiões e declarou apoio público à família Bolsonaro após a condenação no STF.

O que Moraes vai decidir

As regras da prisão domiciliar restringem visitas a advogados, familiares próximos e pessoas autorizadas individualmente pelo relator. Qualquer encontro fora dessa lista depende de decisão específica, e o descumprimento pode agravar o regime imposto ao ex-presidente.

Não há prazo formal para a resposta. Como a visita está marcada para o sábado seguinte, a expectativa de aliados é que o ministro se manifeste ao longo da próxima semana. Moraes pode autorizar o encontro integralmente, limitar a lista de presentes ou negar o pedido.

Se a autorização sair, será a primeira visita de um chefe de Estado estrangeiro a Bolsonaro desde o início da prisão domiciliar. A passagem por Brasília também deve movimentar o esquema de segurança na região do Jardim Botânico, com comitiva presidencial argentina e escolta diplomática circulando pela capital.

A agenda brasileira de Milei ocorre em um momento de aproximação econômica entre os dois países. Leia também: Argentina bate recorde de superávit comercial, mas atividade interna recua.

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