Flávio Bolsonaro teria fugido do país; dois inquéritos seguem no STF
Aliados dizem que o senador viajou aos EUA depois de ter o passaporte brasileiro cancelado pela PF. Entenda o que muda nos dois inquéritos que correm no STF.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) teria deixado o Brasil na terça-feira (27), dois dias depois de perder a eleição presidencial para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas continua alvo de duas investigações criminais no Supremo Tribunal Federal (STF), segundo a Agência Brasil.
A saída ainda não foi confirmada por fonte oficial. A Polícia Federal informou de manhã que rastreava pontos de fronteira para checar a hipótese, e a assessoria do senador não se pronunciou. Na segunda-feira, Flávio havia dito em vídeo: "Eu nunca pensei em sair do País. Eu vou entregar os meus passaportes".
O que se sabe sobre a saída do país
A primeira versão veio na madrugada de terça, do site argentino Infobae, que apontou travessia por Puerto Iguazú e embarque em jato particular rumo aos Estados Unidos. A agência Reuters também noticiou a viagem. O governo argentino não confirmou o relato.
O empresário mexicano Simón Levy, ex-secretário de Turismo do México, escreveu no X que Flávio "não está mais no Brasil e está a caminho dos Estados Unidos". O Jornal de Brasília observou que a publicação não traz confirmação oficial do governo americano. Aliados ouvidos pela Folha de S.Paulo dizem que ele viajou com a mulher, Fernanda, e as duas filhas e que pretende pedir asilo.
O coordenador da campanha, Rogério Marinho, negou a informação pela manhã e, mais tarde, disse que não tinha notícias do senador desde as 8h. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF) confirmou a aliados que o enteado saiu do país, de acordo com o Jornal de Brasília.
Por que o passaporte entrou em jogo
A ordem partiu do ministro Alexandre de Moraes na noite de domingo (25), logo após o fim da votação, no inquérito que apura lavagem de dinheiro ligada ao advogado Willer Tomaz. Flávio foi intimado pela PF na segunda a entregar os passaportes em 24 horas. O prazo venceu na manhã de terça sem a entrega, e a PF cancelou o documento brasileiro. O passaporte italiano do senador, que tem dupla cidadania, segue válido, segundo a Folha.
No vídeo de segunda, o senador atribuiu a decisão a uma fala do irmão, Eduardo Bolsonaro (PL), em podcast americano, e afirmou: "Eu nunca falei isso", segundo o Estadão reproduzido pelo Jornal de Brasília. O presidente Lula chamou a viagem de "ato vergonhoso", conforme a Agência Brasil.
O que acontece com os inquéritos
O primeiro apura a rede de Willer Tomaz, acusado de lavar dinheiro de negócios com bets. O nome de Flávio apareceu quando uma secretária do advogado falou do cancelamento de uma conta ligada à Alcazar Holdings, empresa sediada na Ilha da Madeira, em Portugal, investigada pela PF. Na semana passada, Moraes, relator do caso, bloqueou até R$ 6 bilhões de Willer.
O segundo, sob relatoria do ministro André Mendonça, trata dos pagamentos do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o filme "Dark Horse", cinebiografia de Jair Bolsonaro. Flávio entrou no inquérito em julho. Ele nega ter combinado vantagem indevida com Vorcaro e diz que os recursos eram privados.
O senador mantém o mandato até 1º de fevereiro e, com ele, o foro no STF. Pela jurisprudência atual da Corte, a competência continua depois do mandato quando os crimes têm ligação com a função pública, e a Agência Brasil informa que a tendência é de que os dois casos sigam no Supremo.
Para acompanhar: o comunicado da PF sobre o rastreamento de fronteiras, qualquer nova decisão de Moraes sobre a recusa em entregar o passaporte e a posição formal do governo americano. No Distrito Federal, o Datafolha de 23 de outubro dava 55% a Flávio entre os votos válidos, e o resultado das urnas já mexeu no mercado, como mostra a cobertura do pregão de segunda-feira.






