BRB: empréstimo de R$ 6,6 bilhões do FGC sai até o fim de julho

julho 15, 2026
Cédula de cem reais em close sobre fundo branco

O empréstimo de R$ 6,6 bilhões do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para capitalizar o BRB deve ser liberado até o fim de julho, previsão reforçada após reunião da governadora Celina Leão com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, na tarde de terça-feira (14).

O encontro na sede do BC reuniu, além da governadora e de Galípolo, o presidente do BRB, Nelson de Souza, o secretário de Economia do DF, Valdivino de Oliveira, e três integrantes da cúpula técnica da autarquia: o diretor de Fiscalização, Ailton de Aquino Santos, o diretor de Regulação, Gilneu Vivan, e o procurador-geral, Cristiano Cozer.

Na pauta, os ajustes finais da operação intermediada pelo Supremo Tribunal Federal (STF). O GDF já havia concluído os trâmites da sua parte no início do mês, com o envio da documentação exigida, e o banco entregou ao BC o plano de negócios para o período de 2026 a 2035.

O que falta para o dinheiro sair

A etapa em aberto é burocrática, segundo a governadora. Antes do encontro com Galípolo, Celina afirmou a jornalistas que a operação está na reta final, citando uma reunião realizada na sexta-feira anterior (10) com todos os envolvidos.

“Esses documentos vão e voltam. Na sexta-feira aconteceu uma grande reunião com todos os envolvidos. Estamos terminando todas as questões burocráticas”, disse Celina Leão, em declaração publicada pelo Correio Braziliense.

Do lado privado, um consórcio de bancos liderado pelo Banco do Brasil ainda define a fatia de cada instituição no funding da operação, de acordo com o Correio Braziliense. Ao fim do encontro de terça, os participantes não falaram com a imprensa.

Segundo o site Política Distrital, o BRB também conclui os procedimentos internos para divulgar seus balanços, etapa que dá transparência à situação patrimonial do banco antes da entrada dos recursos.

Como a operação chegou até aqui

A capitalização do BRB é a resposta do GDF às perdas bilionárias ligadas à compra de carteiras de crédito do Banco Master, que colocaram em risco a saúde financeira do banco público do DF. Os principais marcos da operação:

O que é o FGC e por que ele entra na conta

O Fundo Garantidor de Créditos é uma entidade privada mantida com contribuições dos próprios bancos que operam no país. É o mesmo fundo que garante depósitos de até R$ 250 mil por CPF em caso de quebra de uma instituição financeira. No caso do BRB, o FGC atua na outra ponta: em vez de indenizar correntistas depois de uma crise, antecipa recursos para evitar que ela aconteça.

Esse desenho evita o uso direto de dinheiro do Tesouro do DF no reforço de capital do banco. A contrapartida é o cumprimento do plano de negócios de dez anos entregue ao Banco Central, que passa a acompanhar a execução da estratégia e os resultados do banco ao longo do período.

Por que isso importa para o brasiliense

O BRB é o banco público do Distrito Federal, responsável pela folha de pagamento de servidores do GDF, por linhas de crédito consignado e imobiliário e por patrocínios que vão do transporte ao esporte da cidade. A recomposição do capital protege correntistas e mantém o banco operando sem sobressaltos.

A crise que originou a operação também segue rendendo desdobramentos na Justiça. As perdas com as carteiras compradas do Banco Master derrubaram a antiga diretoria do banco e levaram à prisão do ex-presidente da instituição, além de investigações da Polícia Federal e da Polícia Civil do DF sobre as fraudes.

Os próximos passos são a definição das participações do consórcio privado, a assinatura final dos contratos e a liberação dos recursos, prevista para até o fim do mês. A divulgação dos balanços do BRB deve ocorrer na sequência, e o SouBrasília acompanha cada etapa da operação.

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