O governo elevou de 4,5% para 5,1% a projeção oficial de inflação para 2026 e passou a admitir que o IPCA vai fechar o ano acima do teto da meta. A revisão consta do Boletim Macrofiscal divulgado na quarta-feira (15) pela Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda.
A meta de inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O teto, portanto, é 4,5%. Pelas regras do regime de metas, o estouro prolongado obriga o presidente do Banco Central a explicar as razões em carta aberta ao ministro da Fazenda.
É a primeira vez neste ano que a projeção oficial do governo supera o limite. Até junho, a SPE trabalhava com o IPCA exatamente no teto.
O que puxou a revisão
O boletim aponta pressão vinda dos alimentos e dos combustíveis, com o petróleo mais caro por causa do conflito no Oriente Médio, além de choques de oferta e do repasse de preços do atacado ao consumidor.
“As pressões sobre a inflação ao consumidor permanecem, principalmente em razão dos preços dos alimentos e dos efeitos indiretos do conflito no Oriente Médio”, diz o documento da SPE.
O texto também cita a possibilidade de um El Niño mais intenso, fenômeno climático que costuma derrubar a produção agrícola e encarecer a comida no mercado.
Os números do Boletim Macrofiscal
- IPCA 2026: 5,1% (antes 4,5%)
- INPC 2026: 5,3% (antes 4,6%)
- IPCA 2027: 3,6% (antes 3,5%)
- PIB 2026: crescimento de 2,3% (mantido)
- PIB 2027: 2,5% (antes 2,6%)
O INPC importa para o bolso de quem ganha até cinco salários mínimos: é ele que corrige o piso nacional e a maioria dos acordos salariais. Projeção maior de INPC sinaliza reajustes mais pressionados em 2027.
Governo e mercado enxergam o mesmo cenário
A nova projeção oficial se aproxima da estimativa do mercado financeiro. No boletim Focus mais recente, os bancos projetam IPCA de 5,16% para 2026, também acima do teto. A diferença entre os dois números caiu para 0,06 ponto percentual.
São levantamentos distintos: o Focus reúne as apostas de instituições financeiras e é divulgado pelo Banco Central toda segunda-feira; o Boletim Macrofiscal traz o cenário da equipe econômica do governo e sai a cada dois meses.
Efeito nos juros
Inflação acima da meta reduz o espaço para cortes na taxa Selic, hoje em patamar elevado. O Copom volta a decidir os juros nos dias 4 e 5 de agosto, e o mercado espera manutenção da taxa em 14% ao ano.
Para o consumidor, o quadro significa crédito caro por mais tempo, em financiamentos, cartão e empréstimo pessoal, enquanto a comida e a energia seguem como os itens de maior pressão no orçamento das famílias.
Perguntas frequentes
Qual é a meta de inflação de 2026?
A meta definida pelo Conselho Monetário Nacional é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto para cima ou para baixo. O teto é 4,5% e a nova projeção oficial, de 5,1%, fica acima desse limite.
O que acontece se a inflação estourar a meta?
Pelas regras do regime de metas, o presidente do Banco Central precisa explicar as razões do descumprimento em carta aberta ao ministro da Fazenda, indicando as medidas e o prazo para a inflação voltar à meta.
Projeção do governo e boletim Focus são a mesma coisa?
Não. O Boletim Macrofiscal traz a projeção da equipe econômica do governo, a cada dois meses. O Focus reúne as estimativas do mercado financeiro e é divulgado toda semana pelo Banco Central. Hoje os dois apontam estouro da meta em 2026.







