dom, 1 nov

Assédio no trabalho: Justiça registrou 142,8 mil processos por assédio moral em 2025

Corregedora cita 142.828 processos por assédio moral e 112.813 por assédio sexual em 2025; seminário do IgesDF no DF lista condutas e canais.

Por Redação Sou Brasília 3 min de leitura
A corregedora Vládia Pompeu fala ao microfone durante o seminário sobre assédio do IgesDF
Foto: Divulgação/IgesDF, via Agência Brasília
Neste texto3 tópicos
  1. Que comportamentos entram na conta
  2. O que muda na política do instituto
  3. Onde denunciar

A Justiça do Trabalho registrou em 2025 um total de 142.828 novos processos por assédio moral, alta de 22% sobre o ano anterior, e 112.813 por assédio sexual, aumento de 40%. Os números foram citados pela corregedora do Ministério da Previdência Social, Vládia Pompeu, no IV Seminário de Combate e Prevenção ao Assédio do IgesDF, na quinta-feira (29), no auditório do Shopping ID, em Brasília, segundo a Agência Brasília.

O Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal administra hospitais e UPAs da rede pública. O encontro, com o tema "Um ambiente seguro começa com todos nós", foi promovido pela Coordenação de Compliance e Governança, em parceria com a Diretoria de Inovação e Ensino.

Que comportamentos entram na conta

Vládia abriu a palestra com uma pergunta à plateia: "Você já sofreu assédio em algum momento da sua vida? E será que você já assediou alguém?" A partir daí, listou situações que passam despercebidas na rotina: interromper um colega várias vezes em reuniões, fazer comentários impróprios, dirigir olhares de conotação sexual.

Ela também apresentou a pesquisa Trabalho sem Assédio, da Think Eva. Segundo o levantamento, 57% dos entrevistados relataram ter passado por alguma situação de assédio. Entre as mulheres que sofreram assédio sexual, só 10% procuraram os canais de denúncia da empresa.

Eliane Abreu, presidente do IgesDF, em fala de abertura do seminário
A presidente do IgesDF, Eliane Abreu, na abertura do seminário.Foto: Divulgação/IgesDF, via Agência Brasília

A corregedora do IgesDF, Danielle Lontra, tratou da linha entre cobrança legítima e conduta abusiva. Para ela, o consentimento separa as duas coisas: "Se a outra pessoa não validou, aceitou ou permitiu aquela ação, a gentileza se transforma em invasão. Ele precisa ser livre, explícito e consciente. Se você não tem certeza, a resposta é não."

O que muda na política do instituto

A coordenadora de Compliance e Governança, Lorena Mayla, apresentou a proposta de atualização da Política de Combate e Prevenção ao Assédio do IgesDF. A revisão leva a regra para mensagens, reuniões virtuais, grupos profissionais e redes sociais, e prevê medidas de acolhimento, proteção das pessoas envolvidas, prevenção de retaliação e atenção aos riscos psicossociais.

A controladora Vanessa Tchelzoff orientou os gestores a buscar apoio da Controladoria antes de concluir que há irregularidade. "Contem conosco para ser um apoio, para desconstruir o denuncismo e ajudá-los na gestão. Não se omitam", disse. A chefe do Núcleo de Ouvidorias das UPAs, Luciana Parente, explicou como registrar uma manifestação e como ela chega às áreas responsáveis: "E, na dúvida, procure a Ouvidoria".

A presidente do IgesDF, Eliane Abreu, afirmou na abertura que o instituto "precisa ser a melhor empresa para trabalhar" e que prevenir o assédio é responsabilidade da gestão, não só de quem sofre.

Onde denunciar

  • Servidor ou empregado do IgesDF: Ouvidoria e Controladoria do instituto.
  • Trabalhador da iniciativa privada: denúncia ao Ministério Público do Trabalho (MPT), pelo site mpt.mp.br.
  • Mulher em situação de violência, inclusive no trabalho: Ligue 180.

O tema também aparece na agenda eleitoral. O governo federal recebeu 4,3 mil denúncias de assédio eleitoral em três dias, como mostrou o SouBrasília em matéria sobre os canais de denúncia, e o Ministério Público do Trabalho contabilizava 115 denúncias no DF até 28 de outubro, quase o dobro de 2022.

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