Anvisa apreende lote falsificado do Phesgo, de câncer de mama, e três do Dysport
A Anvisa mandou apreender o lote B5011B05 do Phesgo e os lotes P08191, P08192 e P22368 do Dysport, todos falsificados. A medida vale para todo o país.

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A Anvisa mandou apreender um lote falsificado do Phesgo, remédio para câncer de mama, e três lotes falsificados do Dysport, a toxina botulínica. A ordem vale para todo o país e saiu no Diário Oficial da União.
- Phesgo: lote B5011B05, apenas as unidades com data de fabricação 06/2025 impressa na embalagem.
- Dysport 500 U: lotes P08191, P08192 e P22368.
- A medida é de apreensão e proibição de uso, venda e distribuição.
- Quem tiver o produto em casa ou na clínica deve parar de usar e notificar a Anvisa.
- O canal de notificação do cidadão é o Notivisa; para reação adversa, o VigiMed.
A medida está na Resolução-RE nº 3.717, assinada pela gerente-geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária, Renata de Lima Soares, e publicada com data de 18 de setembro. O texto reúne cinco itens de fiscalização, dos quais dois tratam dos medicamentos falsificados.
Quais lotes estão proibidos
Os dois casos chegaram à Anvisa pela mesma via: o comunicado da empresa que detém o registro do medicamento. Nos dois, a agência considerou caracterizada a falsificação e mandou recolher o produto do mercado.
| Produto | Lote | Detalhe da embalagem | Detentora do registro |
|---|---|---|---|
| Phesgo | B5011B05 | Fabricação 06/2025 | Produtos Roche Químicos e Farmacêuticos |
| Dysport 500 U | P08191 | Validade 04/2029 | Beaufour Ipsen Farmacêutica |
| Dysport 500 U | P08192 | Validade 05/2029 | Beaufour Ipsen Farmacêutica |
| Dysport 500 U | P22368 | Validade 02/2029 | Beaufour Ipsen Farmacêutica |
No caso do Phesgo, a Roche comunicou à agência que identificou no mercado unidades daquele lote com características diferentes das do produto original. No caso do Dysport, a Beaufour Ipsen informou que não reconhece nenhum dos três lotes como originais.

Como saber se a sua caixa é do lote apreendido
Há um detalhe da resolução que a maior parte da divulgação não trouxe e que muda a leitura da medida. Para o Phesgo, o texto é expresso: "as ações de fiscalização determinadas são aplicáveis apenas às unidades que estampam 06/2025 como data de fabricação". Ou seja, não é o lote inteiro que está sob suspeita, e sim as caixas que trazem aquela data impressa.
O número do lote e a data de fabricação ficam na lateral ou no fundo da embalagem externa, junto do prazo de validade. No Dysport, o que identifica o produto irregular é o número do lote, sem recorte de data.
A apreensão não atinge o medicamento original nem o registro dos dois produtos, que seguem regulares. A ação é contra as unidades falsificadas que circularam no mercado.
O que fazer se você tem o produto em casa ou na clínica
A resolução proíbe armazenar, comercializar, distribuir, importar, exportar e usar as unidades falsificadas. Na prática, para quem tem o produto:
- Confira o número do lote na embalagem e compare com a tabela acima.
- Se bater, não use e não descarte antes de notificar: a embalagem é a prova.
- Procure a farmácia, a clínica ou o hospital onde comprou e peça a nota fiscal.
- Notifique a Anvisa e a vigilância sanitária local.
- Se estiver em tratamento com o Phesgo, fale com a equipe médica antes de interromper qualquer aplicação.
Vale para os dois produtos a regra básica de compra: medicamento de uso hospitalar e injetável não se compra em rede social, marketplace ou revendedor sem registro. Foi por esse caminho que chegaram ao mercado brasileiro outros produtos barrados neste ano, como a caneta emagrecedora T36 trazida do Paraguai.
Onde notificar no DF
A Anvisa mantém canais separados por tipo de problema, e usar o certo acelera a apuração:
- Notivisa: suspeita de falsificação, desvio de qualidade e queixa técnica de medicamento.
- VigiMed: reação adversa ou evento inesperado depois do uso.
- e-Notivisa: notificação por serviços de saúde e profissionais.
- Os três ficam reunidos na página de notificações da Anvisa.
- Ouvidoria-Geral do DF, telefone 162: para acionar a vigilância sanitária do Distrito Federal, no Anexo do Palácio do Buriti, 12º andar.
A denúncia com o número do lote, a foto da embalagem e o local de compra é a que tem chance real de virar fiscalização. Sem o endereço de onde o produto foi vendido, a apuração trava.
O que mais a mesma resolução proibiu
Os dois medicamentos falsificados dividem a Resolução-RE nº 3.717 com outros três itens de fiscalização, todos com efeito nacional:
- Proibição da propaganda e da venda de produtos derivados de cannabis sem registro ou autorização, anunciados por um site e um perfil de rede social de fabricante desconhecido.
- Suspensão da propaganda de 21 produtos manipulados da Queen Pharma Aesthetic, entre eles lidocaína, hialuronidase e fórmulas para emagrecimento, expostos à venda no Instagram.
- Suspensão da propaganda de manipulados da Farmácia Malheiro, oferecidos no site da empresa.
Nos três casos, a motivação é a mesma: a norma proíbe farmácia de manipulação de anunciar fórmula manipulada diretamente ao público, e produto sem registro não pode ser vendido nem anunciado.
Não é a primeira apreensão de lote falsificado de medicamento de alto custo no ano. Em julho, a agência adotou medida semelhante depois de identificar um lote falsificado do Mounjaro, usado no tratamento de diabetes e obesidade.
Próximos passos
As medidas preventivas da Anvisa valem desde a publicação e seguem até que a agência decida sobre o caso. Quem quiser acompanhar deve olhar o texto da Resolução-RE nº 3.717 no Diário Oficial da União e as próximas resoluções da Gerência-Geral de Inspeção e Fiscalização Sanitária, publicadas semanalmente. Farmácias, hospitais e clínicas do DF que tenham recebido os lotes devem separar o estoque e comunicar a distribuidora antes de qualquer devolução.






