Anvisa manda apreender lote falsificado do Mounjaro

julho 30, 2026
Cliente confere a caixa de um medicamento ao lado de farmacêutica em farmácia

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou nesta quinta-feira (30) a apreensão de um lote falsificado do Mounjaro, medicamento injetável usado no tratamento de diabetes tipo 2 e de obesidade. A medida atinge as unidades com número de lote D881474 e número de série 302199651396.

A resolução foi publicada no Diário Oficial da União. Além da apreensão, ficam proibidas a distribuição, a venda e o uso das canetas com essa combinação de lote e série.

Por que este caso é diferente

A falsificação identificada agora usa um lote verdadeiro. Segundo a Anvisa, a Eli Lilly do Brasil, detentora do registro do produto, encontrou no mercado unidades com o lote D881474, que existe no sistema e é considerado legítimo, mas acompanhado de um número de série incompatível.

Na prática, o consumidor que olhar apenas o número do lote na embalagem não identifica o problema. É preciso conferir também o número de série, impresso na caixa junto ao código de rastreabilidade.

A orientação da Anvisa é que a população e os profissionais de saúde comprem medicamentos apenas em farmácias devidamente regularizadas, sempre na embalagem completa e com emissão de nota fiscal.

O que fazer se você comprou

Quem tem em casa uma caneta com esse lote e essa série deve seguir alguns passos:

  • não aplicar o medicamento;
  • conferir o lote e o número de série na embalagem externa;
  • procurar a farmácia onde comprou e apresentar a nota fiscal;
  • notificar a Anvisa pelo Notivisa, sistema de notificação em vigilância sanitária;
  • registrar reclamação na Ouvidoria da agência;
  • procurar o serviço de saúde em caso de sintoma após o uso.

Produto falsificado não passa por controle de qualidade. Não há garantia sobre o princípio ativo, a dose, a esterilidade da agulha ou as condições de armazenamento, o que torna imprevisível o efeito da aplicação.

A terceira medida em menos de um mês

Este não é o primeiro alerta do tipo em julho. No dia 10, a Anvisa já havia determinado a apreensão de outros lotes falsificados do mesmo medicamento pela Resolução RE 2.693/2026:

  • Mounjaro 10 mg: lote 855044;
  • Mounjaro 15 mg: lotes D880403, MJR 257 e D854901.

Naquele caso, as irregularidades incluíam lotes não reconhecidos pela fabricante, números de série incompatíveis, dispositivo de aplicação fora do padrão original e erro de grafia na rotulagem, com a palavra “soluction” no lugar de “solution”.

O que é o Mounjaro

O Mounjaro tem como princípio ativo a tirzepatida e é aplicado por via subcutânea, com caneta injetora. O registro no Brasil cobre o tratamento de diabetes tipo 2 e o controle de peso em pacientes com obesidade, sempre com prescrição médica e acompanhamento.

Por ser injetável, o medicamento depende de conservação em temperatura controlada. A quebra da cadeia de frio compromete o produto mesmo quando ele é original, o que torna a compra fora do circuito formal um risco adicional ao da falsificação em si.

Por que a falsificação cresceu

A procura por medicamentos da mesma classe disparou nos últimos anos por causa do efeito sobre o peso corporal. Preço alto, prescrição obrigatória e demanda acima da oferta formam o cenário que estimula a venda por canais irregulares.

Compra por rede social, aplicativo de mensagem, site sem identificação e revenda por pessoa física estão fora de qualquer controle sanitário. É nesses canais que as unidades falsificadas circulam, já que a farmácia regularizada é obrigada a manter rastreabilidade e emitir nota fiscal.

Como conferir a origem do medicamento

Antes de comprar, vale checar alguns pontos objetivos:

  1. exigir nota fiscal em qualquer compra de medicamento;
  2. recusar caneta vendida fora da embalagem original;
  3. conferir lote e número de série na caixa;
  4. desconfiar de preço muito abaixo do praticado no mercado;
  5. verificar se a farmácia tem autorização de funcionamento.

A caixa original traz o código de rastreabilidade previsto no sistema nacional de controle de medicamentos. É esse conjunto de dados, e não apenas a aparência da embalagem, que permite identificar unidades irregulares como as apreendidas nesta quinta.

O que a proibição significa na prática

A determinação da Anvisa vale em todo o território nacional e alcança farmácias, distribuidoras, clínicas e qualquer estabelecimento que tenha as unidades em estoque. Manter à venda produto sob apreensão sujeita o estabelecimento a autuação pela vigilância sanitária local.

No Distrito Federal, a fiscalização de farmácias cabe à Vigilância Sanitária do DF, que atua a partir de denúncias e de rotinas de inspeção. Consumidores que encontrarem o lote em prateleira podem comunicar o caso à agência e ao órgão local.

Alertas sanitários e decisões da agência são publicados no portal da Anvisa e no Diário Oficial da União. Outras orientações de saúde pública no Distrito Federal, como o monitoramento de casos de meningite pela SES-DF, também são divulgadas pelos canais oficiais.

Perguntas frequentes

Qual lote do Mounjaro foi apreendido?

O lote D881474 com número de série 302199651396. O lote existe e é legítimo, mas a série é incompatível, o que caracteriza a falsificação.

Comprei uma caneta desse lote. O que faço?

Não aplique o medicamento, confira lote e série na embalagem, procure a farmácia onde comprou com a nota fiscal e notifique a Anvisa pelo Notivisa.

Quais outros lotes do Mounjaro estão proibidos?

Em 10 de julho a Anvisa já havia determinado a apreensão do lote 855044 do Mounjaro 10 mg e dos lotes D880403, MJR 257 e D854901 do Mounjaro 15 mg.

Como evitar comprar medicamento falsificado?

Compre apenas em farmácia regularizada, exija nota fiscal, recuse produto fora da embalagem original e confira lote e número de série na caixa.

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