Inquérito liga morte de mulher no DF a anabolizante clandestino

setembro 20, 2026
Dois halteres de ferro apoiados em superfície cinza, em close

Uma mulher de 29 anos morreu no Distrito Federal depois de usar anabolizantes clandestinos vendidos por uma rede investigada pela Polícia Civil do DF, segundo apuração divulgada neste domingo (20) pelo Metrópoles. O caso entrou no inquérito da Operação Narciso, deflagrada em agosto pela Delegacia de Combate aos Crimes Contra o Consumidor e Fraudes (Corf).

A morte ocorreu em 27 de maio de 2022, de acordo com a reportagem. A vítima passou pela UPA de Samambaia Norte e pelo Hospital Regional de Ceilândia antes do óbito.

A causa oficial registrada foi insuficiência respiratória aguda decorrente de tromboembolismo pulmonar em pessoa portadora de cardiopatia grave. O inquérito apura se houve relação entre o uso dos produtos e o quadro que levou à morte. Não há, até aqui, laudo divulgado que estabeleça esse nexo.

O que a investigação aponta

Os produtos citados no inquérito são enantato, oxandrolona e clembuterol, da marca New Science. São substâncias de uso controlado, que dependem de prescrição e de registro sanitário para circular legalmente no país.

A Operação Narciso mira uma rede de produção e venda de anabolizantes clandestinos no Distrito Federal. Em agosto, a PCDF cumpriu 43 mandados e pediu o bloqueio de R$ 32 milhões ligados ao grupo, e depois prendeu um casal apontado como operador do esquema.

O investigado apontado como líder da rede é conhecido pelo apelido Jiraiya. Ele responde à investigação e, no direito brasileiro, é tratado como suspeito até que haja condenação com trânsito em julgado. O SouBrasília não localizou manifestação da defesa dele sobre este caso específico até a publicação desta reportagem.

A distância entre a morte, em 2022, e a apuração atual se explica pelo caminho do inquérito. A Operação Narciso começou em agosto de 2026 mirando a estrutura de produção e venda, e é no curso dessa apuração que ocorrências antigas ligadas aos mesmos produtos passam a ser reanalisadas pela delegacia especializada.

O tromboembolismo pulmonar registrado na certidão é a obstrução de uma artéria do pulmão por um coágulo. A certidão também registra cardiopatia grave preexistente, o que significa que a vítima já tinha condição cardíaca diagnosticada antes do episódio. Estabelecer o peso de cada fator é justamente o que cabe à perícia no inquérito.

Por que o produto clandestino é diferente do registrado

Anabolizante de fabricação clandestina não passa por controle de dose, de pureza nem de esterilidade. Isso significa que o frasco pode conter substância diferente da declarada no rótulo, concentração maior ou menor que a informada e contaminação do conteúdo, sem que o comprador tenha como saber.

Medicamento regular no Brasil precisa de registro ou notificação na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Produto sem esse registro não tem lote rastreável, bula válida nem responsável técnico identificável, o que inviabiliza qualquer apuração de causa quando surge um efeito adverso.

Como conferir antes de comprar:

  • Procure o número de registro na embalagem e confira na consulta de produtos regularizados no portal da Anvisa, em gov.br/anvisa
  • Desconfie de venda por rede social, aplicativo de mensagem ou entrega combinada em academia
  • Anabolizante é medicamento de controle especial e exige receita; venda sem prescrição é irregular
  • Rótulo sem lote, sem validade ou sem responsável técnico é sinal de produto fora do circuito legal
  • Suspeita de produto irregular pode ser comunicada à Vigilância Sanitária do DF e à ouvidoria da Anvisa

Esta reportagem não substitui avaliação médica. Quem usa ou usou produtos desse tipo e apresenta sintomas deve procurar atendimento em serviço de saúde.

O que ainda falta no caso

O inquérito da Corf segue em andamento e não há denúncia oferecida pelo Ministério Público divulgada sobre esta morte especificamente. A investigação sobre a rede continua em curso desde agosto.

Casos de efeito adverso ligados a produto irregular costumam depender de laudo pericial que compare a substância apreendida com o quadro clínico registrado no prontuário. Sem esse cruzamento, a ligação entre o uso e a morte permanece como hipótese de investigação, não como conclusão.

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