A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu um casal apontado como integrante de uma rede de venda clandestina de anabolizantes durante a Operação Narciso, deflagrada na terça-feira (11). A ação é conduzida pela Divisão de Defesa do Consumidor, ligada à Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e as Fraudes (Corf), e é descrita pela corporação como a maior do ano contra o comércio ilegal dessas substâncias no país.
Ao todo, a Justiça expediu 43 mandados de prisão, sendo 31 preventivas e 12 temporárias, e 64 mandados de busca e apreensão. Também foi determinado o bloqueio e o sequestro de R$ 32 milhões em ativos financeiros. Só no Distrito Federal, 30 pessoas foram presas. Veículos de luxo entraram na lista de bens sequestrados.
Quem foi preso
Entre os detidos estão Ana Luiza e Alam Manoel. Ela reúne mais de 150 mil seguidores no segmento fitness e usava as redes sociais para divulgar os produtos clandestinos, segundo a investigação. Ele se apresentava como empresário do ramo da nutrição e atuava na logística do esquema, de acordo com a apuração policial.
A polícia também alcançou Roberto Carlos Pereira de Carvalho, conhecido como Jiraya, apontado como chefe da organização. Ele foi localizado em Ciudad del Este, no Paraguai, cidade de fronteira que aparece na investigação como ponto de entrada dos produtos no Brasil.
As reportagens que noticiaram a operação não registram manifestação das defesas dos presos.
Como o esquema funcionava
A investigação identificou uma estrutura dividida em quatro núcleos:
- produção e armazenamento das substâncias;
- logística e transporte das encomendas;
- distribuição e venda ao consumidor final;
- lavagem do dinheiro movimentado pelo grupo.
Os investigados respondem por organização criminosa, falsificação de medicamentos e lavagem de dinheiro. A operação teve desdobramentos em vários estados brasileiros, com o Distrito Federal como centro da apuração.
A falsificação de medicamento é crime previsto no artigo 273 do Código Penal, com pena de 10 a 15 anos de reclusão, além de multa. O mesmo artigo alcança quem importa, vende, expõe à venda, distribui ou entrega ao consumo produto falsificado, corrompido, adulterado ou alterado.
O risco de comprar fora da farmácia
Esteroides anabolizantes só podem ser vendidos no Brasil mediante prescrição médica e retenção de receita, conforme as regras de controle especial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Produtos fabricados em estrutura clandestina ficam fora de qualquer controle de origem, de dosagem e de esterilidade, e não passam pelo registro sanitário exigido para medicamentos.
A venda por redes sociais amplia o alcance desse mercado. O perfil da influenciadora presa mostra o modelo: a divulgação chega ao consumidor pelo mesmo canal em que ele acompanha rotina de treino e dieta, sem a intermediação de farmácia ou de receita.
Como denunciar no DF
Denúncias sobre venda irregular de medicamentos e produtos sujeitos a controle sanitário podem ser encaminhadas à Polícia Civil do Distrito Federal pelo Disque-Denúncia 197 ou pela Delegacia Eletrônica, no site da corporação. Casos que envolvam produtos sem registro também podem ser comunicados à Vigilância Sanitária do Distrito Federal.
A Operação Narciso se soma a outras ações recentes da PCDF contra crimes com ramificação econômica no Distrito Federal. Em 11 de agosto, a 15ª Delegacia de Polícia deflagrou a Operação Rubby, que resultou em prisão em flagrante por tráfico de drogas em uma distribuidora da QNM 10, em Ceilândia, com apreensão de maquininhas de cartão, câmeras e comprovantes de transferências.
O bloqueio de R$ 32 milhões indica a dimensão financeira da rede alcançada pela operação, que reuniu mandados de prisão em número raro para um caso de falsificação de medicamentos.
O que é a Corf
A Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e as Fraudes é a estrutura da Polícia Civil do Distrito Federal responsável por casos de fraude, pirataria, falsificação e crimes contra as relações de consumo. A Divisão de Defesa do Consumidor, que conduziu a Operação Narciso, integra essa coordenação e costuma atuar em investigações com ramificação financeira e uso intensivo de comércio eletrônico.
Operações desse tipo combinam a apuração criminal com o rastreio do dinheiro. O bloqueio de ativos, autorizado pela Justiça, é o instrumento usado para impedir que os valores movimentados pela organização sejam dissipados enquanto o processo corre. No caso da Narciso, os R$ 32 milhões alcançados incluem contas bancárias e bens dos investigados.
Perguntas frequentes
Quando foi deflagrada a Operação Narciso?
Na terça-feira, 11 de agosto de 2026, pela Divisão de Defesa do Consumidor da Corf, da Polícia Civil do Distrito Federal.
Quantas pessoas foram presas?
A Justiça expediu 43 mandados de prisão, sendo 31 preventivas e 12 temporárias. Apenas no Distrito Federal, 30 pessoas foram presas.
Qual valor foi bloqueado?
R$ 32 milhões em ativos financeiros, além do sequestro de veículos de luxo.
Como denunciar venda irregular de medicamentos no DF?
Pelo Disque-Denúncia 197 da Polícia Civil do Distrito Federal, pela Delegacia Eletrônica no site da corporação ou à Vigilância Sanitária do DF.








