Audiência no STF sobre empréstimo de R$ 6,6 bi ao BRB termina sem acordo

agosto 14, 2026
Fachada do edifício sede do Banco de Brasília, o BRB, em Brasília

A audiência de mediação convocada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), para destravar o empréstimo de R$ 6,6 bilhões ao Banco de Brasília (BRB) terminou sem acordo nesta quinta-feira, 13 de agosto, em Brasília. As partes decidiram continuar negociando, sem prazo definido.

Participaram da reunião a governadora Celina Leão, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, representantes do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e executivos do BRB. A informação foi divulgada pela Agência Brasil.

O crédito é a peça que falta para cobrir parte do rombo aberto pela compra de carteiras de crédito do Banco Master, hoje tratadas como fraudulentas. Em maio deste ano, Fux chancelou o acordo em que o FGC, entidade privada mantida por bancos públicos e privados, ficaria de avaliar a concessão do empréstimo sem aval financeiro do governo federal.

Onde a negociação travou

O impasse está nas garantias. Os bancos que sustentam o FGC pedem acesso aos recursos do Fundo de Participação dos Estados (FPE) e do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) caso o governo do Distrito Federal deixe de pagar. Também questionam a viabilidade do plano de negócios apresentado pelo banco.

São três pontos ainda abertos na mesa:

  • a exigência de contragarantia ligada ao FPE e ao FPM em caso de inadimplência do GDF;
  • a divergência de contas entre as partes sobre o tamanho real da necessidade de capital;
  • a pendência do balanço do BRB, que os credores querem ver fechado antes de assinar.

A Advocacia-Geral da União (AGU) se posicionou contra conceder aval da União à operação, o que retira do arranjo a garantia mais forte que o FGC poderia obter.

O que dizem GDF e Fazenda

Celina Leão manteve o discurso de que o banco tem condições de honrar o compromisso e que a situação não é nova.

“O banco está nesta condição desde novembro do ano passado. É um banco sólido”, afirmou a governadora.

Do lado do governo federal, Durigan repetiu que o Tesouro Nacional não entra na conta.

“A União não tem nada que ver com essa história”, disse o ministro da Fazenda.

A separação entre o risco do BRB e o caixa federal vem sendo repetida pela Fazenda desde que o caso chegou ao Supremo. Na semana passada, bancos do FGC já haviam condicionado o aval à apresentação de contragarantia do Tesouro, conforme o SouBrasília mostrou.

Como o caso chegou ao Supremo

A disputa nasce da compra de carteiras de crédito do Banco Master pelo BRB, operação que depois se revelou lastreada em ativos problemáticos. Com o buraco no balanço, o banco distrital passou a depender de capital externo para recompor os índices exigidos pelo regulador.

A saída desenhada em maio pelo STF foi levar o pedido ao FGC. O fundo é abastecido por contribuições dos próprios bancos e existe para socorrer instituições em dificuldade, mas seus mantenedores decidem caso a caso e cobram garantia de retorno. Foi esse ponto que travou a mediação de quinta-feira.

Dias antes da audiência, Celina Leão afirmou que o BRB chegaria à mesa em condição financeira melhor do que a de meses atrás, argumento que o GDF repete para sustentar o pedido. A avaliação foi registrada pelo SouBrasília na segunda-feira, 10.

O governo distrital também trabalha para separar o desempenho atual do banco do episódio Master, tese que o FGC ainda não aceitou como suficiente para dispensar contragarantia.

Por que isso importa para quem mora no DF

O BRB é o banco do Distrito Federal, controlado pelo GDF, e concentra folha de pagamento de servidores, crédito consignado, financiamento habitacional e a conta de programas do governo local. O desfecho da negociação define quanto capital o banco precisa levantar e em que condições, o que afeta a política de crédito da instituição no ano que vem.

Se o empréstimo sair com contragarantia atrelada a FPE e FPM, parte da receita que o Distrito Federal recebe por repasse constitucional fica comprometida como lastro em caso de calote. Se não sair, o BRB precisa recorrer a outra fonte de capital ou reduzir a operação.

Não há nova data marcada para a mediação. Fux segue como responsável pela conciliação, e as tratativas continuam entre GDF, BRB, FGC e Fazenda. O Supremo não fixou prazo para que as partes apresentem uma proposta consolidada.

Enquanto o impasse não se resolve, o banco opera com o balanço de 2025 ainda pendente de fechamento, item que os próprios credores apontam como condição para avançar.

Perguntas frequentes

Quando foi a audiência no STF sobre o empréstimo ao BRB?

Na quinta-feira, 13 de agosto de 2026, conduzida pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal.

Qual é o valor do empréstimo em discussão?

R$ 6,6 bilhões, que o BRB busca junto ao Fundo Garantidor de Créditos para cobrir parte do rombo da compra de carteiras do Banco Master.

O que os bancos do FGC exigem para liberar o crédito?

Garantia de acesso aos recursos do FPE e do FPM em caso de inadimplência do GDF, além do fechamento do balanço do BRB.

A União vai avalizar a operação?

A AGU se manifestou contra conceder aval da União, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou na audiência que o governo federal não tem relação com a operação.

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