A Anvisa aprovou o registro do Aquipta, medicamento em comprimido indicado para prevenir crises de enxaqueca em adultos que têm pelo menos quatro episódios por mês. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União na terça-feira (8) e vale para todo o país.
O princípio ativo é o atogepanto, e a empresa detentora do registro é a AbbVie Farmacêutica. O ato saiu na Resolução-RE 3.458, assinada em 3 de setembro pelo gerente-geral de Medicamentos da agência, Raphael Sanches Pereira, e publicado cinco dias depois. Foram registradas duas apresentações, de 10 mg e de 60 mg, ambas em caixas com 28 comprimidos.
É remédio de prevenção, não para a crise em curso
A distinção muda o uso. O Aquipta não foi aprovado para cortar a dor de uma crise já instalada: a indicação é profilática, para reduzir a frequência dos episódios em quem tem enxaqueca episódica ou crônica.
“O atogepanto atua no bloqueio de uma via envolvida na transmissão da dor e na fisiopatologia da enxaqueca, prevenindo assim o aparecimento das crises. Estudos de desenvolvimento do medicamento demonstraram que ele reduz significativamente o número de dias mensais de enxaqueca em comparação ao placebo, tanto em pacientes com enxaqueca episódica quanto naqueles com a forma crônica”, informou a Anvisa ao anunciar a aprovação.
A agência classifica a doença como neurológica e incapacitante, com crises de dor de intensidade moderada a grave, muitas vezes acompanhadas de náusea, vômito e sensibilidade à luz e ao som. Segundo a Anvisa, a enxaqueca atinge cerca de 15% da população mundial.
No recorte brasileiro, o número mais recente em documento oficial está num resumo executivo da Agência Nacional de Saúde Suplementar de 2020, que aponta prevalência de 15,8% no país, com 22% entre mulheres e 9% entre homens, e pico entre 30 e 50 anos. O dado é daquele documento, não de levantamento de 2026.
O segundo comprimido da classe a chegar em menos de quatro meses
O Aquipta não inaugura a categoria no Brasil. Em 25 de maio deste ano, a Anvisa registrou o Nurtec ODT, da Pfizer, cujo princípio ativo é o rimegepanto. Os dois pertencem à mesma família de antagonistas do peptídeo relacionado ao gene da calcitonina, o CGRP, mas cobrem situações diferentes.
- Nurtec ODT (rimegepanto): aprovado para o tratamento agudo da enxaqueca, com ou sem aura, e também para a prevenção da forma episódica em adultos com pelo menos quatro crises mensais.
- Aquipta (atogepanto): aprovado para prevenção, nas formas episódica e crônica, em adultos com pelo menos quatro episódios por mês.
Antes dos comprimidos, a classe já tinha chegado ao país pela via injetável. O Ajovy, da Teva, com fremanezumabe, foi registrado em dezembro de 2019, e o Emgality, com galcanezumabe, também é comercializado no Brasil.
O que ainda não está definido
O registro autoriza a venda, mas não responde três perguntas que o paciente costuma fazer primeiro.
- Preço: nem o Aquipta nem o atogepanto aparecem na lista de preços da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos publicada em 9 de setembro. Sem teto fixado, não há valor oficial de fábrica nem preço máximo ao consumidor.
- Chegada às farmácias: nenhum documento oficial informa data.
- SUS: não existe processo na Conitec sobre o atogepanto. Registro na Anvisa autoriza a comercialização e não significa incorporação à rede pública nem cobertura obrigatória por plano de saúde.
Para efeito de comparação, os remédios da mesma classe já listados na tabela oficial têm preço de fábrica que parte de R$ 162,12 na caixa com dois comprimidos do Nurtec ODT de 75 mg e chega a R$ 1.777,90 na seringa preenchida do Ajovy. São produtos diferentes e apresentações diferentes, e o valor que o Aquipta terá ainda não foi definido.
A posologia brasileira, incluindo a dose diária recomendada, consta da bula aprovada junto com o registro e deve ser verificada com o médico. O medicamento exige prescrição, e a troca de um tratamento preventivo por outro não é decisão de autoatendimento em farmácia.
Em maio, a agência já havia registrado a primeira caneta genérica de semaglutida do país, e nesta quinta-feira ampliou a indicação da vacina contra meningite para bebês de 6 semanas. A resolução com o registro do Aquipta entrou em vigor na data da publicação.








