O Novo Desenrola Brasil, programa federal de renegociação de dívidas, recebe adesões até 31 de agosto de 2026. Podem participar pessoas com renda de até cinco salários mínimos, e a negociação é feita diretamente no banco em que a dívida foi contraída, sem plataforma única.
O prazo é o mesmo da Medida Provisória nº 1.355/2026, que criou o programa em 4 de maio e teve a vigência prorrogada por 60 dias no Congresso. A extensão da adesão foi anunciada em 28 de julho pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Quem pode aderir e quanto dá para negociar
O eixo voltado às famílias atende quem ganha até cinco salários mínimos, o equivalente a R$ 8.105. Segundo o Ministério da Fazenda, as condições são:
- Teto de R$ 15 mil por CPF em cada instituição financeira;
- Desconto de até 90% sobre o valor devido;
- Juros de no máximo 1,99% ao mês;
- Parcelamento em até 48 vezes;
- Uso opcional do FGTS, limitado a 20% do saldo ou a R$ 1 mil;
- Retirada do nome dos cadastros de inadimplentes para dívidas de até R$ 100.
O foco são as dívidas mais caras do orçamento das famílias, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal.
Como aderir ao Desenrola Brasil
O caminho mudou em relação à edição de 2023. Não há site único de negociação: o interessado procura o banco ou a financeira em que deve, pelos canais da própria instituição, e verifica as condições oferecidas.
As informações oficiais do programa ficam no portal do Ministério da Fazenda, em gov.br/fazenda. Na primeira edição, cerca de 15 milhões de pessoas renegociaram R$ 53,2 bilhões.
Os quatro eixos do programa
- Famílias: pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos;
- Fies: estudantes com débitos no Fundo de Financiamento Estudantil;
- Empresas: micro e pequenos negócios e microempreendedores individuais;
- Rural: agricultores familiares, assentados, quilombolas e comunidades tradicionais.
Cuidado com o anúncio falso do programa
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) identificaram 544 anúncios falsos sobre o Desenrola Brasil veiculados em plataformas da Meta entre 1º de abril e 14 de junho de 2026. O levantamento, divulgado em 31 de julho pelo Laboratório de Estudos de Internet e Redes Sociais (Netlab), mostra que golpistas usaram o nome do programa para atrair vítimas e coletar dados pessoais.
As peças fraudulentas partiram de 48 páginas diferentes. Segundo o Netlab, 34 delas usaram o nome oficial do programa e publicaram 278 anúncios. Outras 15 páginas promoveram um programa que não existe, o “Libera Brasil”, com 264 peças. Uma página misturou os dois nomes.
O anúncio circula como publicidade paga no Instagram, no Facebook e nos demais serviços da Meta. Ao clicar, o usuário chega a um site que imita a identidade visual do governo federal e pede CPF, nome completo e telefone. Em seguida, a conversa é levada para o WhatsApp, onde o golpe continua com pedidos de pagamento de taxas ou de novos dados.
O estudo aponta que 72% dos anúncios usaram indevidamente nomes e imagens do governo ou de marcas privadas, como bancos e sites de notícias. Outros 19,1% divulgaram links falsos apresentados como canais oficiais. Em 38,1% das peças, os pesquisadores identificaram conteúdo gerado por inteligência artificial.
“As pessoas não sabem que tantos anúncios fraudulentos estão circulando sem nenhum tipo de fiscalização, de filtro ou de sistema de segurança”, afirmou a diretora do Netlab, Marie Santini.
O desenho do programa é o que expõe a fraude: se a negociação acontece no banco do devedor, nenhum link enviado por rede social, e-mail ou mensagem é necessário para participar.
Como identificar um anúncio falso
- Desconfie de link recebido por mensagem, rede social, e-mail ou anúncio patrocinado, mesmo com aparência oficial.
- Confira o endereço do site. Página oficial do governo federal termina em gov.br. Domínio com variação do nome do programa é sinal de fraude.
- O programa não cobra taxa antecipada para negociar dívida. Pedido de pagamento para “liberar” desconto é golpe.
- Promessa de perdão automático de dívida, aprovação imediata ou valor exato de desconto antes da consulta não corresponde ao funcionamento do programa.
- Imagem de autoridade do governo anunciando benefício em vídeo curto pode ser gerada por inteligência artificial.
O que fazer se já entregou os dados
Quem informou dados pessoais deve registrar boletim de ocorrência, avisar o banco e acompanhar o CPF em serviços de consulta de crédito. Se houve transferência via Pix, o Mecanismo Especial de Devolução permite ao banco tentar reaver o valor, e o pedido precisa ser feito o quanto antes na própria instituição. Anúncio fraudulento também pode ser denunciado dentro da plataforma onde apareceu.
No Distrito Federal, o registro de ocorrência pode ser feito pela Delegacia Eletrônica da Polícia Civil, sem sair de casa. Reclamação contra cobrança indevida tem canal no consumidor.gov.br e no Procon-DF. Quem teve nome ou imagem usados na peça falsa, incluindo empresas, pode acionar a plataforma pelo canal de propriedade intelectual e registrar a fraude.
O Ministério da Fazenda já havia alertado para uma página falsa que imitava canais oficiais do Novo Desenrola Brasil. A recomendação da pasta é procurar informação apenas nos canais do governo federal.
Leia também: Fraudes financeiras registradas crescem com novas regras do Banco Central e Lucro do FGTS: quanto cai na conta.
Perguntas frequentes sobre o Desenrola Brasil
Até quando dá para aderir ao Desenrola Brasil?
Até 31 de agosto de 2026, prazo alinhado ao fim da vigência da Medida Provisória nº 1.355/2026, que criou o programa.
Quem pode participar do Novo Desenrola Brasil?
Pessoas físicas com renda de até cinco salários mínimos, R$ 8.105, além de estudantes com dívida no Fies, micro e pequenas empresas, MEIs e produtores da agricultura familiar.
Como faço para negociar pelo Desenrola?
Procurando diretamente o banco ou a financeira em que a dívida foi contraída. Não existe plataforma única nem link de cadastro em rede social.
Qual o valor máximo que pode ser renegociado?
R$ 15 mil por CPF em cada instituição financeira, com desconto de até 90%, juros de no máximo 1,99% ao mês e parcelamento em até 48 vezes.
Dá para usar o FGTS no Desenrola?
Sim, de forma opcional, limitado a 20% do saldo da conta ou a R$ 1 mil.








