Fraudes financeiras crescem 10% com novas regras do Banco Central

julho 19, 2026
Homem de capuz usa smartphone em ambiente escuro diante de computador

Os registros de indícios de fraudes financeiras no Brasil cresceram 10,26% no primeiro semestre de 2026 e superaram 9 milhões de ocorrências, entre casos suspeitos e confirmados, segundo levantamento do Registro Unificado de Fraudes (Rufra) divulgado no sábado (18).

No segundo semestre de 2025, haviam sido 8,26 milhões de registros. O Rufra é uma base colaborativa mantida pela Quod, datatech especializada em inteligência de dados, que reúne informações compartilhadas por instituições financeiras e empresas.

O salto nos números não significa apenas mais golpes em circulação. Ele reflete principalmente a entrada em vigor da Resolução 501 do Banco Central, que tornou mais robusta a troca de informações entre instituições financeiras para combater fraudes. Tentativas que antes ficavam fora das estatísticas passaram a alimentar uma base única de inteligência.

“O aumento de 10% no volume de fraudes em relação ao semestre anterior reflete, na verdade, o amadurecimento das defesas do mercado”, afirma Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod.

Celular e Pix concentram os golpes

O levantamento detalha por onde as fraudes acontecem. O celular é o canal usado em 78% dos casos, e o Pix aparece em 85% das ocorrências com movimentação financeira. Os números mostram o retrato do golpe atual no país:

  • Contas correntes: alvo de 94% dos indícios registrados;
  • Pix: presente em 85% das fraudes;
  • Celular: canal de 78% dos casos;
  • Engenharia social (manipulação da vítima por conversa): 40% dos registros, cerca de 3,6 milhões de ocorrências.

Quem são as vítimas

O país teve 3,1 milhões de vítimas de golpes financeiros no semestre. Desse total, 799 mil pessoas, cerca de um quarto, caíram em golpes duas vezes ou mais.

O perfil surpreende quem associa fraude digital a públicos mais velhos: 49,06% das vítimas têm entre 18 e 34 anos, e outros 29,98% estão na faixa de 35 a 49 anos. Homens são 51% dos casos, e 58% das vítimas recebem até dois salários mínimos.

Como se proteger

As recomendações básicas de segurança valem para qualquer banco ou aplicativo de pagamento:

  1. Desconfie de contatos com urgência: golpista cria pressa para a vítima não checar a informação;
  2. Não clique em links recebidos por SMS, WhatsApp ou e-mail; procure o canal oficial do banco;
  3. Nunca informe senhas ou códigos de autenticação por telefone;
  4. Ative limites reduzidos para o Pix no período noturno;
  5. Em caso de golpe via Pix, acione imediatamente o banco e peça o Mecanismo Especial de Devolução (MED), além de registrar boletim de ocorrência.

Golpes envolvendo crédito também seguem no radar da polícia. Em junho, a Polícia Federal mirou um grupo que transformava cartão consignado em dívida sem fim para aposentados. Sites falsos de consulta a valores a receber também são isca frequente; o caminho seguro para checar o dinheiro esquecido pelo CPF é o sistema oficial do Banco Central.

O Banco Central segue ampliando as regras de segurança do sistema financeiro. Para outubro, estão previstas novidades como o Pix Automático e o boleto com QR Code unificado, que também trazem novas camadas de autenticação para o usuário.

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