Os registros de indícios de fraudes financeiras no Brasil cresceram 10,26% no primeiro semestre de 2026 e superaram 9 milhões de ocorrências, entre casos suspeitos e confirmados, segundo levantamento do Registro Unificado de Fraudes (Rufra) divulgado no sábado (18).
No segundo semestre de 2025, haviam sido 8,26 milhões de registros. O Rufra é uma base colaborativa mantida pela Quod, datatech especializada em inteligência de dados, que reúne informações compartilhadas por instituições financeiras e empresas.
O salto nos números não significa apenas mais golpes em circulação. Ele reflete principalmente a entrada em vigor da Resolução 501 do Banco Central, que tornou mais robusta a troca de informações entre instituições financeiras para combater fraudes. Tentativas que antes ficavam fora das estatísticas passaram a alimentar uma base única de inteligência.
“O aumento de 10% no volume de fraudes em relação ao semestre anterior reflete, na verdade, o amadurecimento das defesas do mercado”, afirma Danilo Coelho, diretor de Produtos e Dados da Quod.
Celular e Pix concentram os golpes
O levantamento detalha por onde as fraudes acontecem. O celular é o canal usado em 78% dos casos, e o Pix aparece em 85% das ocorrências com movimentação financeira. Os números mostram o retrato do golpe atual no país:
- Contas correntes: alvo de 94% dos indícios registrados;
- Pix: presente em 85% das fraudes;
- Celular: canal de 78% dos casos;
- Engenharia social (manipulação da vítima por conversa): 40% dos registros, cerca de 3,6 milhões de ocorrências.
Quem são as vítimas
O país teve 3,1 milhões de vítimas de golpes financeiros no semestre. Desse total, 799 mil pessoas, cerca de um quarto, caíram em golpes duas vezes ou mais.
O perfil surpreende quem associa fraude digital a públicos mais velhos: 49,06% das vítimas têm entre 18 e 34 anos, e outros 29,98% estão na faixa de 35 a 49 anos. Homens são 51% dos casos, e 58% das vítimas recebem até dois salários mínimos.
Como se proteger
As recomendações básicas de segurança valem para qualquer banco ou aplicativo de pagamento:
- Desconfie de contatos com urgência: golpista cria pressa para a vítima não checar a informação;
- Não clique em links recebidos por SMS, WhatsApp ou e-mail; procure o canal oficial do banco;
- Nunca informe senhas ou códigos de autenticação por telefone;
- Ative limites reduzidos para o Pix no período noturno;
- Em caso de golpe via Pix, acione imediatamente o banco e peça o Mecanismo Especial de Devolução (MED), além de registrar boletim de ocorrência.
Golpes envolvendo crédito também seguem no radar da polícia. Em junho, a Polícia Federal mirou um grupo que transformava cartão consignado em dívida sem fim para aposentados. Sites falsos de consulta a valores a receber também são isca frequente; o caminho seguro para checar o dinheiro esquecido pelo CPF é o sistema oficial do Banco Central.
O Banco Central segue ampliando as regras de segurança do sistema financeiro. Para outubro, estão previstas novidades como o Pix Automático e o boleto com QR Code unificado, que também trazem novas camadas de autenticação para o usuário.







