Urna eletronica: como funciona e como o voto e protegido

setembro 17, 2026
Fileira de urnas eletronicas sobre mesa em sala de preparacao da Justica Eleitoral

A urna eletrônica usada nas eleições de 4 de outubro funciona desconectada de qualquer rede e passa por mais de 40 processos de auditoria ao longo do ciclo eleitoral. O equipamento está em uso no Brasil desde 1996 e nunca teve registro comprovado de fraude, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

As informações foram detalhadas pela Agência Senado em reportagem publicada em 16 de setembro, com base em dados da Justiça Eleitoral. A cada eleição o tema volta a circular nas redes, quase sempre sem descrever como o equipamento realmente opera.

Como o voto sai do teclado e entra no sistema

O eleitor apresenta o documento ao mesário, que faz a habilitação no terminal. Onde há biometria cadastrada, a identificação é feita pela digital. Só depois a urna libera o teclado para a votação.

Digitado o número, a tela mostra o nome e a foto do candidato, e o voto é confirmado. O equipamento registra o resultado internamente e não envia nada enquanto a votação está aberta.

“A urna é isolada, não tem internet, não tem Wi-Fi, não tem Bluetooth. Depois que termina a votação, a gente retira a mídia de resultado e faz a transmissão dos resultados”, afirmou o secretário de Tecnologia da Informação do TSE, Júlio Valente.

As camadas de segurança antes do dia da votação

A proteção do voto não começa no domingo da eleição. Ela é montada em etapas, cada uma com fiscalização externa:

  • Inspeção do código-fonte: os programas ficam disponíveis para exame por partidos, Ministério Público, Ordem dos Advogados do Brasil e universidades em período definido pela Justiça Eleitoral.
  • Assinatura digital e resumo criptográfico: cada programa recebe códigos de verificação, os hashes, que permitem checar se o software carregado na urna é o mesmo que foi auditado.
  • Lacração: os sistemas são lacrados em cerimônia pública, com registro em ata e presença de fiscais.
  • Teste Público de Segurança: especialistas convidados tentam encontrar vulnerabilidades antes da eleição, e as falhas apontadas são corrigidas.
  • Teste de integridade: no dia da votação, urnas sorteadas votam em ambiente controlado, com votos conhecidos, e o resultado é comparado com o esperado.

No Distrito Federal, o teste de integridade é acompanhado publicamente e ocorre nas duas datas do calendário eleitoral, 4 e 25 de outubro.

O que acontece depois das 17h

Encerrada a votação, a urna imprime o boletim de urna com o resultado da seção. Uma via fica afixada no local de votação, onde qualquer pessoa pode fotografar e conferir os números depois, quando a apuração for divulgada.

Só então a mídia de resultado é retirada e transmitida. O registro digital do voto, arquivo que embaralha a ordem dos votos para preservar o sigilo, permite refazer a contagem em auditorias posteriores.

Quem quiser acompanhar o placar pode usar o portal e o aplicativo da Justiça Eleitoral. Veja como acompanhar a apuração no DF a partir das 17h de 4 de outubro.

Por que o sistema é fiscalizado por quem disputa a eleição

A fiscalização não fica só com a Justiça Eleitoral. Partidos e coligações podem indicar técnicos para acompanhar as cerimônias, e entidades externas têm acesso formal às etapas de verificação. Esse desenho existe justamente porque o interessado em apontar uma falha é o próprio adversário de quem vencer.

O presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, tem defendido a transparência do processo em eventos sobre o tema. Segundo ele, o objetivo é que o eleitor “possa compreender que o verdadeiro caminho do voto tem origem no trabalho coordenado das instituições da República, no compromisso permanente com a transparência”.

Antes do dia 4, o eleitor do DF deve checar se houve mudança na sua seção. Parte dos endereços foi alterada nesta eleição: veja como conferir o local de votação.

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