A taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas alcançou 64% ao ano em junho, informou o Banco Central nesta quinta-feira (30/7). O indicador subiu 1,2 ponto percentual em relação a maio e acumula alta de 4,6 pontos percentuais em 12 meses, segundo as Estatísticas Monetárias e de Crédito divulgadas pela autoridade monetária.
O crédito livre reúne as linhas em que os bancos definem as condições sem direcionamento do governo, como cartão de crédito rotativo, cheque especial e empréstimo pessoal sem consignação. É nesse grupo que estão as modalidades mais caras do mercado e onde o consumidor sente primeiro o efeito de uma taxa básica elevada.
Endividamento cresce mais rápido que a renda
O saldo das operações de crédito do Sistema Financeiro Nacional somou R$ 7,4 trilhões em junho, com avanço de 0,7% no mês e de 9,7% em 12 meses. O crédito destinado às famílias chegou a R$ 4,6 trilhões, alta de 0,2% no mês e de 10,8% no acumulado de um ano.
Já o crédito ampliado ao setor não financeiro totalizou R$ 21,7 trilhões, o equivalente a 164,3% do Produto Interno Bruto. O número mostra o tamanho do estoque de dívida da economia brasileira em relação a tudo o que o país produz.
- 64% ao ano: taxa média do crédito livre às famílias em junho
- 1,2 ponto percentual de alta no mês
- 4,6 pontos percentuais de alta em 12 meses
- R$ 4,6 trilhões em crédito às famílias
- 4,7% de inadimplência na carteira total do sistema
Inadimplência estável, mas acima do ano passado
A inadimplência da carteira total de crédito do Sistema Financeiro Nacional ficou em 4,7% em junho, estável em relação a maio. Na comparação anual, porém, o índice está 1 ponto percentual acima do registrado no mesmo período do ano passado.
A combinação entre juros mais altos e atraso no pagamento elevado é o retrato de um consumidor que continua tomando crédito para fechar o mês. Quando o rotativo do cartão entra na conta, a dívida cresce em ritmo próprio, porque a taxa incide sobre o saldo não pago e se acumula a cada ciclo de fatura.
A taxa média de juros do crédito livre às pessoas físicas alcançou 64% ao ano em junho, com alta de 1,2 ponto percentual no mês e de 4,6 pontos percentuais em 12 meses, segundo o Banco Central.
O que fazer com a dívida cara
Para quem já está no rotativo, a saída mais usada é a troca da dívida cara por uma linha mais barata. O crédito consignado, quando disponível, costuma ter taxa bem inferior à do cartão porque o desconto vem direto da folha. O parcelamento da fatura negociado com o banco também sai menos caro que deixar o saldo rolar de mês em mês.
Antes de contratar qualquer linha, vale comparar o Custo Efetivo Total, que reúne juros, tarifas e encargos. Duas propostas com a mesma taxa nominal podem ter custo final diferente. As instituições são obrigadas a informar esse percentual antes da assinatura do contrato.
O próximo dado do Banco Central sobre o comportamento do crédito sai no mês que vem e vai mostrar se a alta dos juros nas linhas livres continua em julho. A trajetória da taxa básica, definida pelo Comitê de Política Monetária, é o principal fator por trás desse movimento.
Como a Selic chega à fatura
A taxa que o consumidor paga no banco parte da taxa básica de juros, definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, e recebe camadas de custo até virar o número do contrato. Entram nessa conta o risco de calote embutido pela instituição, os impostos, as despesas administrativas e a margem do banco.
É por isso que uma linha sem garantia, como o rotativo do cartão, custa muito mais que um financiamento imobiliário, em que o imóvel responde pela dívida. Quanto menor a garantia oferecida, maior o peso do risco na formação da taxa final.
Onde o dado aparece no orçamento
Com R$ 4,6 trilhões em crédito nas mãos das famílias e alta de 10,8% em 12 meses, o estoque de dívida cresce mais rápido que a maioria dos reajustes salariais. O resultado aparece no comprometimento da renda mensal: parcela maior do salário sai antes mesmo de chegar ao consumo.
O comportamento da inadimplência nos próximos meses é o indicador a acompanhar. Um índice estável em 4,7% mostra que o consumidor ainda está conseguindo pagar, mas a distância de 1 ponto percentual em relação ao ano passado indica que a margem foi ficando mais estreita.
Leia também: Nota Legal: prazo para indicar conta e receber o crédito vai até 21 de agosto.
Perguntas frequentes
Qual a taxa média de juros do crédito às famílias?
A taxa média do crédito livre para pessoas físicas chegou a 64% ao ano em junho de 2026, segundo o Banco Central.
Quanto os juros subiram no período?
A taxa avançou 1,2 ponto percentual em relação a maio e acumula alta de 4,6 pontos percentuais em 12 meses.
Qual o nível da inadimplência?
A inadimplência da carteira total do Sistema Financeiro Nacional ficou em 4,7% em junho, estável no mês e 1 ponto percentual acima do registrado um ano antes.
O que é crédito livre?
É o conjunto de linhas em que os bancos definem livremente as condições, como cartão de crédito rotativo, cheque especial e empréstimo pessoal, sem direcionamento do governo.








