A defesa de Jair Bolsonaro protocolou na sexta-feira (17) um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, para que o presidente argentino Javier Milei visite o ex-presidente durante a prisão domiciliar, em Brasília, no dia 25 de julho.
O requerimento foi apresentado a Moraes por ser ele o relator da execução penal de Bolsonaro na Corte. Cabe ao ministro autorizar ou negar o encontro, previsto para a tarde do sábado, na residência do ex-presidente no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico.
Bolsonaro cumpre prisão domiciliar desde setembro de 2025, quando foi condenado a 27 anos e três meses de prisão pela trama golpista. Ele também se recupera de uma pneumonia bacteriana diagnosticada após cirurgia, segundo a defesa.
No documento, os advogados afirmam que a visita só ocorrerá com aval prévio do Supremo.
“Em absoluta cautela e em estrita observância às determinações emanadas por Vossa Excelência, submete-se previamente o presente requerimento à apreciação desse Juízo”, diz o pedido da defesa, divulgado pela Agência Brasil.
Quem acompanha Milei na visita
Segundo o requerimento, a comitiva argentina que pretende entrar na residência é enxuta. Além do presidente, foram indicados três nomes:
- Pablo Quirino, ministro das Relações Exteriores da Argentina;
- Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente;
- Enrique Luis de Boero Baby, intérprete oficial.
A visita foi solicitada para as 16h do dia 25, conforme o pedido protocolado no STF.
Por que Milei vem ao Brasil
A vinda do argentino tem motivo eleitoral. Milei confirmou presença na convenção nacional do PL, marcada para o mesmo dia 25 na Arena Pacaembu, em São Paulo, evento em que o senador Flávio Bolsonaro deve ter a pré-candidatura à Presidência da República formalizada pelo partido.
O próprio presidente argentino anunciou o roteiro no início do mês, em declaração registrada pelo Congresso em Foco: “No dia 25, viajo para o Brasil, a convite do candidato a presidente Flávio Bolsonaro, e vou. Então, vou estar em São Paulo e vou dar uma passada também por Brasília para cumprimentar o Jair Bolsonaro”.
Milei e Bolsonaro mantêm alinhamento político desde 2023. O argentino esteve com aliados do ex-presidente em outras ocasiões e declarou apoio público à família Bolsonaro após a condenação no STF.
O que Moraes vai decidir
As regras da prisão domiciliar restringem visitas a advogados, familiares próximos e pessoas autorizadas individualmente pelo relator. Qualquer encontro fora dessa lista depende de decisão específica, e o descumprimento pode agravar o regime imposto ao ex-presidente.
Não há prazo formal para a resposta. Como a visita está marcada para o sábado seguinte, a expectativa de aliados é que o ministro se manifeste ao longo da próxima semana. Moraes pode autorizar o encontro integralmente, limitar a lista de presentes ou negar o pedido.
Se a autorização sair, será a primeira visita de um chefe de Estado estrangeiro a Bolsonaro desde o início da prisão domiciliar. A passagem por Brasília também deve movimentar o esquema de segurança na região do Jardim Botânico, com comitiva presidencial argentina e escolta diplomática circulando pela capital.
A agenda brasileira de Milei ocorre em um momento de aproximação econômica entre os dois países. Leia também: Argentina bate recorde de superávit comercial, mas atividade interna recua.






