O Distrito Federal deve registrar 760 novos casos de câncer de cólon e reto em 2026, segundo a Estimativa 2026 do Instituto Nacional de Câncer (Inca). São 360 diagnósticos previstos em homens e 400 em mulheres, o que coloca a doença como o terceiro tumor mais frequente na capital, atrás apenas de mama e próstata.
A taxa bruta projetada para o DF é de 25,29 casos por 100 mil habitantes. No país inteiro, o Inca calcula 53.810 novos casos por ano de câncer colorretal entre 2026 e 2028, sendo 26.270 em homens e 27.540 em mulheres.
O número do DF fica acima do de câncer de traqueia, brônquio e pulmão, estimado em 490 casos, e do de estômago, com 300. À frente aparecem mama feminina, com 1.410 diagnósticos previstos, e próstata, com 940.
O exame que evita o tumor, não só descobre
A colonoscopia é o principal exame de rastreamento e tem uma particularidade: além de detectar, ela remove. O procedimento permite retirar pólipos, lesões que podem se transformar em tumor com o passar dos anos. Por isso a doença é descrita por especialistas como evitável em boa parte dos casos.
“Hoje o câncer de intestino é um câncer totalmente prevenível”, afirmou o proctologista Danilo Munhóz. Segundo ele, “a colonoscopia é o principal exame e deve ser realizada a partir dos 45 anos na maioria da população”.
A idade de início do rastreamento pode ser antecipada quando há histórico familiar da doença, o que precisa ser avaliado em consulta. O intervalo entre exames também varia conforme o achado da primeira colonoscopia.
Sinais que pedem consulta
O câncer colorretal costuma se desenvolver em silêncio, e é essa a razão de o rastreamento por idade existir. Quando aparecem, os sinais mais comuns são:
- sangue nas fezes, vivo ou escurecido;
- mudança persistente no hábito intestinal, com diarreia ou prisão de ventre fora do habitual;
- dor ou desconforto abdominal que não passa;
- sensação de evacuação incompleta;
- perda de peso sem causa aparente e cansaço fora do comum.
Nenhum desses sintomas é exclusivo de câncer. Todos, porém, justificam consulta, principalmente depois dos 45 anos.
Fatores de risco que estão no prato e na rotina
O Inca associa o aumento da incidência a hábitos que se espalharam nas grandes cidades. Entre os fatores de risco listados por especialistas estão o consumo frequente de carnes processadas, a alimentação pobre em fibras, o sedentarismo, o excesso de peso, o álcool e o tabagismo.
A contrapartida é direta: dieta com mais fibras, frutas, legumes e grãos integrais, atividade física regular e controle do peso reduzem o risco. Não existe garantia individual, mas a estatística populacional responde a essas mudanças.
Onde procurar atendimento no DF
No Distrito Federal, o caminho começa na Unidade Básica de Saúde de referência do endereço do paciente. A partir da avaliação clínica, o médico da atenção primária encaminha para exame e, se necessário, para o serviço especializado. A rede pública local concentra o tratamento oncológico no Hospital de Base e no Hospital Universitário de Brasília, com apoio de unidades regionais.
Quem já está em tratamento encontra serviços de apoio na própria rede. O Hospital de Base, por exemplo, mantém um banco de perucas gratuito para pacientes em quimioterapia.
O que a estimativa é, e o que ela não é
A Estimativa do Inca projeta quantos diagnósticos novos devem ocorrer em um período, unidade da federação por unidade da federação. Ela não é contagem de casos registrados nem previsão de mortes. Os valores são arredondados para múltiplos de dez, e o próprio instituto sinaliza quando o número estimado é inferior a 20.
Considerando todos os tipos de tumor, exceto pele não melanoma, o Inca projeta 7.600 casos novos no DF em 2026. Com o câncer de pele não melanoma incluído, o total chega a 10.070.








