PCDF prende suspeito de participação em feminicídio em Sobradinho II

setembro 13, 2026
Viatura da Policia Civil do Distrito Federal estacionada em via de Brasilia

A Polícia Civil do Distrito Federal prendeu um homem de 37 anos investigado por participação no feminicídio de Janaína Rodrigues da Silva, de 45 anos, morta em Sobradinho II. A prisão foi feita por agentes da 35ª Delegacia de Polícia na noite de sexta-feira (11), um dia depois de o corpo ser localizado.

O crime ocorreu na madrugada de quinta-feira (10), em uma chácara nas proximidades da AR 18. Segundo a PCDF, a vítima foi morta a facadas e o corpo foi levado para uma área de vegetação próxima, onde houve tentativa de destruir vestígios. A faca usada no crime foi encontrada enterrada perto do local pela equipe da 35ª DP.

O principal suspeito de executar o crime continua foragido. A corporação identificou Renato Gonçalves da Silva, de 44 anos, conhecido como Loucura, e divulgou a foto dele para que a população ajude na localização. Ele é procurado por feminicídio e por destruição de cadáver.

O que a polícia já estabeleceu

A PCDF não detalhou qual foi a participação do homem preso na sexta-feira. A investigação corre na 35ª DP, responsável por Sobradinho II, e segue em andamento. Todos os envolvidos são tratados como suspeitos até eventual condenação.

A identificação da vítima foi feita por familiares. O caso reúne duas apurações paralelas: a da morte em si, enquadrada como feminicídio, e a dos atos praticados depois, com a finalidade de ocultar o que havia ocorrido.

“A faca utilizada no crime também foi localizada pela equipe da 35ª Delegacia de Polícia, enterrada nas proximidades do local”, informou a Polícia Civil do Distrito Federal.

Quem tiver informação sobre o paradeiro do foragido pode acionar a PCDF pelo telefone 197 ou pelo aplicativo de denúncia anônima da corporação. A identidade de quem denuncia é preservada.

Feminicídio tem qualificadora própria desde 2015

A Lei 13.104, de 2015, criou o feminicídio como qualificadora do homicídio quando o crime é cometido contra a mulher por razões da condição do sexo feminino, o que inclui violência doméstica e familiar e menosprezo ou discriminação à condição de mulher.

Em 2024, a Lei 14.994 transformou o feminicídio em crime autônomo, com pena de reclusão de 20 a 40 anos, superior à do homicídio qualificado. A mudança também vedou a aplicação de penas alternativas e endureceu a progressão de regime nesses casos.

A destruição ou ocultação de cadáver é crime separado, previsto no artigo 211 do Código Penal, com pena de um a três anos de reclusão, e responde de forma independente do homicídio.

Onde pedir ajuda no Distrito Federal

Mulheres em situação de violência no DF contam com uma rede específica de atendimento. Os canais funcionam 24 horas e não exigem que a vítima já tenha registrado ocorrência:

  • 190: Polícia Militar, para emergência em andamento.
  • 197: Polícia Civil, para denúncia e informação sobre investigação.
  • 180: Central de Atendimento à Mulher, do governo federal, que orienta e encaminha.
  • Deam I e Deam II: delegacias especializadas no atendimento à mulher, na Asa Sul e em Ceilândia.
  • Casa da Mulher Brasileira, em Ceilândia, que reúne delegacia, Justiça, Ministério Público, Defensoria e acolhimento no mesmo endereço.

A medida protetiva de urgência pode ser pedida na delegacia, sem advogado, e a decisão judicial sai em até 48 horas. Familiares e vizinhos também podem denunciar.

O Distrito Federal mantém ainda o Viva Flor, programa de monitoramento de mulheres com medida protetiva em vigor. A participante recebe um dispositivo que aciona a Polícia Militar de forma direta quando o agressor se aproxima, sem precisar discar. O ingresso é feito por indicação judicial ou por avaliação da própria rede de atendimento, e o acompanhamento segue enquanto durar a medida.

Especialistas em segurança pública insistem em um ponto prático: a denúncia precoce, ainda na fase de ameaça e perseguição, é o que permite à polícia agir antes do crime violento. Registro de ocorrência por ameaça, mesmo sem agressão física, abre caminho para a medida protetiva.

Casos recentes no DF

A investigação em Sobradinho II se soma a outras apurações de crimes contra a mulher conduzidas pela Polícia Civil neste ano. Em agosto, a corporação prendeu, 12 anos depois, o suspeito de matar uma jovem em Planaltina, caso reaberto a partir de exame de DNA.

A Polícia Civil não informou se houve pedido de conversão da prisão em preventiva. Enquanto a investigação corre, o inquérito permanece sob sigilo parcial, procedimento comum em apuração de crime violento com suspeito ainda foragido.

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