Fila do transplante de córnea chega a 37,7 mil; veja como doar no DF

setembro 10, 2026
Equipe médica realiza cirurgia oftalmológica com microscópio em hospital público

A fila do transplante de córnea no Brasil chegou a 37.719 pessoas em setembro de 2026, segundo levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) divulgado nesta quarta-feira (9). A espera média até a cirurgia subiu para 370 dias.

O número representa alta de 15% em seis meses. Em dezembro de 2025, o país tinha 32.639 pacientes aguardando o procedimento. Há dez anos, o tempo médio de espera era de 174 dias, menos da metade do registrado agora.

Em 2025, foram realizados 17.790 transplantes de córnea no país. O volume não acompanha a entrada de novos pacientes na lista, e a diferença entre a demanda e a oferta é o que empurra a fila para cima.

Quem está esperando

O perfil traçado pelo CBO mostra uma fila majoritariamente feminina e idosa, mas que também atinge crianças. São 753 crianças e adolescentes à espera de uma córnea no país.

  • 56% dos pacientes são mulheres
  • 47% têm 65 anos ou mais
  • 753 são crianças e adolescentes
  • São Paulo concentra a maior fila absoluta, com 7.505 pacientes
  • Rio de Janeiro tem 4.760 e Minas Gerais, 4.532

A desigualdade entre os estados também aparece nos procedimentos realizados. Amapá e Roraima não registraram nenhum transplante de córnea em 2025.

Por que a fila cresceu

O CBO aponta um conjunto de fatores. A falta de reajuste nos valores pagos pelos procedimentos reduz a capacidade dos serviços credenciados. Bancos de olhos enfrentam problemas de manutenção e trabalham com insumos cotados em dólar, o que encarece a operação. Somam-se a isso as exigências crescentes de produção e processamento do tecido.

A pandemia de covid-19 também pesa. Entre 2020 e 2023, cirurgias eletivas foram represadas em todo o país, e parte desse acúmulo ainda não foi absorvida.

Como funciona a doação no DF

No Distrito Federal, a atividade é coordenada pela Central Estadual de Transplantes (CET-DF), que gerencia o cadastro de receptores, as notificações de morte encefálica e a distribuição de órgãos e tecidos. O paciente entra na lista única depois que a equipe médica avalia o caso e confirma a indicação do transplante.

A córnea tem uma particularidade importante. Enquanto cerca de 85% dos órgãos transplantados no DF vêm de outros estados, no caso da córnea a rede local depende das doações feitas aqui. O Banco de Olhos do DF funciona 24 horas para a procura de doadores, e o tecido pode ser captado até 12 horas após a parada cardíaca. Isso amplia o número de pessoas que podem doar, já que a córnea não exige diagnóstico de morte encefálica.

A decisão final é da família. Segundo a Carta de Serviços da Secretaria de Saúde do DF:

Não é necessário deixar nada por escrito. A doação depende da autorização dos familiares após a notificação do desejo do potencial doador.

Na prática, avisar parentes próximos em vida é o que garante que a vontade seja cumprida. Sem a autorização familiar no momento da notificação, a doação não acontece, mesmo que a pessoa tivesse manifestado a intenção.

Onde procurar informação

  • Central Estadual de Transplantes do DF: Centro Integrado de Operações de Brasília (CIOB), 1º andar, SDN Conjunto A, Brasília
  • Telefones da CET-DF: (61) 2017-1145, ramal 6900, e (61) 99109-3699
  • E-mail para córneas: cetdfcorneas@saude.df.gov.br
  • Banco de Olhos, 24 horas: (61) 3550-8869 e (61) 99556-9117, com WhatsApp

Doador vivo também é possível em outros órgãos: parentes até o quarto grau e cônjuges podem doar um rim, parte do fígado, medula óssea ou pulmão. Pelo SUS, o DF transplanta coração, rim, fígado, córneas e medula óssea.

Quem quiser contribuir de outras formas com a rede pública encontra caminhos parecidos na doação de sangue, que passa a valer com regras novas em outubro, com prazos menores de espera após tatuagem e piercing.

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