A Petrobras cancelou na madrugada desta quinta-feira (10) o reajuste de R$ 0,19 por litro que havia anunciado horas antes para a gasolina vendida às distribuidoras. Com o recuo, o litro da gasolina A na refinaria passa de R$ 2,61 para R$ 3,05, e não para os R$ 3,24 anunciados na noite de quarta.
O anúncio original falava em alta de R$ 0,63 por litro, mas esse número nunca foi só reajuste da empresa. Ele reunia duas coisas diferentes na mesma conta.
- R$ 0,44 referentes ao fim do desconto que vinha sendo aplicado desde maio, bancado por subvenção econômica do governo federal e prorrogado até 9 de setembro;
- R$ 0,19 de reajuste próprio da Petrobras, decidido pela companhia.
A parcela de R$ 0,44 continua valendo, porque o desconto acabou no prazo. A de R$ 0,19 foi cancelada. Em nota, a empresa afirmou que “reafirma seu compromisso com uma atuação responsável, equilibrada e transparente, em consonância com sua estratégia comercial”.
No mesmo dia 9, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto que reduz em R$ 0,63 por litro as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a gasolina. A carga tributária federal do combustível cai para R$ 0,16 por litro. Na conta do governo, o corte de tributo anula o efeito do aumento para distribuidoras e para o consumidor final.
Quanto custa a gasolina no DF hoje
O Levantamento de Preços de Combustíveis da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) referente à semana de 30 de agosto a 5 de setembro é o dado mais recente disponível para o Distrito Federal. Ele foi coletado antes do episódio desta semana e serve de linha de base para medir o que vier depois.
- Gasolina comum: média de R$ 6,63 por litro, com mínimo de R$ 6,39 e máximo de R$ 6,79, em 50 postos pesquisados;
- Gasolina aditivada: média de R$ 6,75, variando de R$ 6,39 a R$ 7,39;
- Etanol hidratado: média de R$ 4,29, de R$ 4,09 a R$ 4,49;
- Diesel S10: média de R$ 6,92, de R$ 6,59 a R$ 7,19;
- Botijão de 13 kg: média de R$ 105,56, de R$ 98,99 a R$ 115.
A diferença de R$ 0,40 entre o posto mais barato e o mais caro do DF na gasolina comum equivale a R$ 20 em um tanque de 50 litros. Vale mais pesquisar do que esperar o repasse.
Por que o preço da refinaria não é o preço da bomba
O valor que a Petrobras anuncia é o da gasolina A, o produto que sai da refinaria e é vendido às distribuidoras. Não é o que o motorista abastece. O que chega ao posto é a gasolina C, que leva etanol anidro na mistura obrigatória e passa por mais três camadas de custo antes do bico da bomba.
- tributos federais, agora reduzidos pelo decreto, e o ICMS estadual, que no caso do DF é definido pelo governo local;
- margem e logística da distribuidora;
- margem do posto revendedor.
Por isso um movimento de R$ 0,19 na refinaria nunca aparece como R$ 0,19 na bomba, e raramente aparece no mesmo dia. Distribuidoras e postos trabalham com estoque comprado ao preço anterior, e o repasse costuma levar de alguns dias a duas semanas. O caminho de volta, quando o preço cai, historicamente é mais lento que o da alta.
Etanol ou gasolina no DF
Com os preços da última semana medida pela ANP, a conta é favorável ao etanol no Distrito Federal. A regra prática do setor é a dos 70%: como o etanol rende menos por litro, ele só compensa quando custa até 70% do preço da gasolina.
No DF, R$ 4,29 dividido por R$ 6,63 dá 64,7%. O porcentual está abaixo do limite, o que torna o etanol mais vantajoso para o bolso na média dos postos pesquisados. A conta muda de posto para posto, e vale refazer com os valores do painel de preços na hora de abastecer.
O governo federal já vinha usando crédito extraordinário para segurar o preço na bomba. Em agosto, foram liberados R$ 3,15 bilhões para conter a alta do diesel e da gasolina.
A ANP publica o levantamento de preços toda semana. A próxima edição, que cobre o período em que o novo valor de refinaria entrou em vigor, é o que vai mostrar quanto do movimento desta semana efetivamente chegou aos postos do Distrito Federal.








