Hospital de Base trata artéria calcificada sem cirurgia aberta

agosto 7, 2026
Equipe médica em sala de hemodinâmica do Hospital de Base do DF durante procedimento cardíaco, com angiografia coronária no monitor

O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) passou a oferecer o rotablator, tecnologia usada para desobstruir artérias do coração com calcificação intensa, informou a Secretaria de Saúde nesta sexta-feira (7/8). O equipamento permite tratar durante o cateterismo pacientes que antes precisavam de cirurgia cardíaca convencional.

A técnica é indicada quando o acúmulo de placas de colesterol endurece a parede da artéria coronária a ponto de impedir a angioplastia comum. Nesses casos, o balão não consegue expandir o vaso e o stent não abre por completo. Com o rotablator, uma broca de alta precisão desgasta a camada calcificada antes do implante do stent.

A incorporação do equipamento caiu na semana em que se marca o Dia do Colesterol, data usada pela rede pública para reforçar exames de rotina e controle de fatores de risco.

O que muda para o paciente do SUS no DF

O ganho mais direto é o tipo de intervenção. Em vez de uma operação de peito aberto, com abertura do tórax e circulação extracorpórea, parte dos pacientes passa a ser tratada por um cateter introduzido pela artéria do punho ou da virilha. O procedimento é feito no Serviço de Hemodinâmica do próprio Hospital de Base.

A Secretaria de Saúde aponta três efeitos práticos:

  • menor tempo de internação, porque o paciente de angioplastia costuma receber alta em prazo mais curto do que o de cirurgia cardíaca;
  • mais segurança no tratamento de lesões que antes eram consideradas de difícil abordagem pelo cateterismo;
  • redução de custo para a rede pública, já que a cirurgia aberta exige centro cirúrgico, equipe ampliada e leito de terapia intensiva.

“Esse reforço para o Hospital de Base traz inúmeros benefícios para a população e fortalece ainda mais nossa posição como referência no tratamento de doenças coronárias de alta complexidade”, afirmou Gabriel Kanhouche, chefe do Serviço de Hemodinâmica do HBDF.

Como funciona o procedimento

O rotablator é um cateter com uma ponta diamantada que gira em alta rotação dentro da artéria. Ao encostar na placa endurecida, a broca pulveriza o cálcio em partículas microscópicas, que são absorvidas pela corrente sanguínea. O vaso volta a ter diâmetro suficiente para receber o balão e o stent, e o sangue retoma o caminho até o músculo cardíaco.

A indicação não é para qualquer obstrução. Ela entra no cardápio da equipe quando a calcificação já avançou e as demais técnicas de preparo da lesão não resolvem.

“O equipamento é utilizado quando a calcificação está muito avançada e outras técnicas já não são suficientes para tratar a obstrução. Com essa intervenção, conseguimos, em muitos casos, evitar uma cirurgia cardíaca mais complexa no futuro”, explicou Leandro Richa Valim, cardiologista intervencionista do HBDF.

Por que a calcificação atrapalha o tratamento

A calcificação coronária é o estágio avançado da aterosclerose. A gordura depositada na parede do vaso ao longo de anos sofre um processo em que o cálcio se fixa na placa e a torna rígida. O resultado é uma artéria que se comporta como um cano com incrustação: estreita, dura e resistente à dilatação.

O quadro é mais comum em pacientes idosos, diabéticos, com doença renal crônica e com histórico longo de colesterol alto e pressão descontrolada. É justamente o perfil que chega ao Hospital de Base pela porta da alta complexidade.

Os sinais de alerta seguem os mesmos da doença coronária: dor ou aperto no peito ao esforço, falta de ar, cansaço desproporcional à atividade, dor que irradia para braço, mandíbula ou costas. Diante deles, a orientação da rede é procurar atendimento imediato.

Onde o serviço fica

O Hospital de Base fica no Setor Médico Hospitalar Sul e concentra os casos de alta complexidade cardiovascular da rede pública do DF. O acesso ao Serviço de Hemodinâmica se dá por encaminhamento: o paciente é avaliado na unidade básica de saúde ou na emergência, passa pelo cardiologista e entra na regulação da Secretaria de Saúde.

Quem procura o serviço por conta própria, sem encaminhamento, tende a ser redirecionado à porta de entrada correta, com exceção das situações de emergência, em que o atendimento é imediato em qualquer unidade.

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Prevenção continua sendo o caminho mais barato

Nenhuma tecnologia de desobstrução substitui o controle dos fatores que levam à calcificação. A rede pública do DF orienta a checagem periódica do colesterol a partir dos 20 anos, com intervalo definido pelo médico conforme o risco de cada pessoa, e o controle de pressão arterial, glicemia, peso e tabagismo.

Para quem já teve infarto ou colocou stent, o acompanhamento é contínuo, com medicação de uso permanente e revisão periódica no ambulatório de cardiologia.

Perguntas frequentes

O que é o rotablator?

É um cateter com uma broca de alta precisão que gira em altíssima velocidade e desgasta a camada de cálcio depositada na parede da artéria coronária. Depois que a passagem é aberta, o cardiologista implanta o stent e restabelece o fluxo de sangue para o coração.

Quem pode usar o tratamento no Hospital de Base?

O procedimento é indicado a pacientes com obstrução coronária de calcificação intensa, em que a angioplastia convencional não consegue expandir o vaso. A indicação é feita pelo cardiologista que acompanha o caso, dentro da rede pública.

Como chegar ao Serviço de Hemodinâmica do HBDF pelo SUS?

O caminho é o mesmo da alta complexidade cardiovascular no DF: atendimento na UBS ou na emergência, avaliação do cardiologista e encaminhamento pela regulação da Secretaria de Saúde para o Hospital de Base.

O procedimento substitui a cirurgia de ponte de safena?

Não em todos os casos. Segundo o Hospital de Base, a técnica permite evitar uma cirurgia cardíaca mais complexa em parte dos pacientes, mas a escolha entre angioplastia e cirurgia continua sendo do time que avalia cada caso.

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