O Hospital de Base do Distrito Federal (HBDF) passou a oferecer o rotablator, tecnologia usada para desobstruir artérias do coração com calcificação intensa, informou a Secretaria de Saúde nesta sexta-feira (7/8). O equipamento permite tratar durante o cateterismo pacientes que antes precisavam de cirurgia cardíaca convencional.
A técnica é indicada quando o acúmulo de placas de colesterol endurece a parede da artéria coronária a ponto de impedir a angioplastia comum. Nesses casos, o balão não consegue expandir o vaso e o stent não abre por completo. Com o rotablator, uma broca de alta precisão desgasta a camada calcificada antes do implante do stent.
A incorporação do equipamento caiu na semana em que se marca o Dia do Colesterol, data usada pela rede pública para reforçar exames de rotina e controle de fatores de risco.
O que muda para o paciente do SUS no DF
O ganho mais direto é o tipo de intervenção. Em vez de uma operação de peito aberto, com abertura do tórax e circulação extracorpórea, parte dos pacientes passa a ser tratada por um cateter introduzido pela artéria do punho ou da virilha. O procedimento é feito no Serviço de Hemodinâmica do próprio Hospital de Base.
A Secretaria de Saúde aponta três efeitos práticos:
- menor tempo de internação, porque o paciente de angioplastia costuma receber alta em prazo mais curto do que o de cirurgia cardíaca;
- mais segurança no tratamento de lesões que antes eram consideradas de difícil abordagem pelo cateterismo;
- redução de custo para a rede pública, já que a cirurgia aberta exige centro cirúrgico, equipe ampliada e leito de terapia intensiva.
“Esse reforço para o Hospital de Base traz inúmeros benefícios para a população e fortalece ainda mais nossa posição como referência no tratamento de doenças coronárias de alta complexidade”, afirmou Gabriel Kanhouche, chefe do Serviço de Hemodinâmica do HBDF.
Como funciona o procedimento
O rotablator é um cateter com uma ponta diamantada que gira em alta rotação dentro da artéria. Ao encostar na placa endurecida, a broca pulveriza o cálcio em partículas microscópicas, que são absorvidas pela corrente sanguínea. O vaso volta a ter diâmetro suficiente para receber o balão e o stent, e o sangue retoma o caminho até o músculo cardíaco.
A indicação não é para qualquer obstrução. Ela entra no cardápio da equipe quando a calcificação já avançou e as demais técnicas de preparo da lesão não resolvem.
“O equipamento é utilizado quando a calcificação está muito avançada e outras técnicas já não são suficientes para tratar a obstrução. Com essa intervenção, conseguimos, em muitos casos, evitar uma cirurgia cardíaca mais complexa no futuro”, explicou Leandro Richa Valim, cardiologista intervencionista do HBDF.
Por que a calcificação atrapalha o tratamento
A calcificação coronária é o estágio avançado da aterosclerose. A gordura depositada na parede do vaso ao longo de anos sofre um processo em que o cálcio se fixa na placa e a torna rígida. O resultado é uma artéria que se comporta como um cano com incrustação: estreita, dura e resistente à dilatação.
O quadro é mais comum em pacientes idosos, diabéticos, com doença renal crônica e com histórico longo de colesterol alto e pressão descontrolada. É justamente o perfil que chega ao Hospital de Base pela porta da alta complexidade.
Os sinais de alerta seguem os mesmos da doença coronária: dor ou aperto no peito ao esforço, falta de ar, cansaço desproporcional à atividade, dor que irradia para braço, mandíbula ou costas. Diante deles, a orientação da rede é procurar atendimento imediato.
Onde o serviço fica
O Hospital de Base fica no Setor Médico Hospitalar Sul e concentra os casos de alta complexidade cardiovascular da rede pública do DF. O acesso ao Serviço de Hemodinâmica se dá por encaminhamento: o paciente é avaliado na unidade básica de saúde ou na emergência, passa pelo cardiologista e entra na regulação da Secretaria de Saúde.
Quem procura o serviço por conta própria, sem encaminhamento, tende a ser redirecionado à porta de entrada correta, com exceção das situações de emergência, em que o atendimento é imediato em qualquer unidade.
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Prevenção continua sendo o caminho mais barato
Nenhuma tecnologia de desobstrução substitui o controle dos fatores que levam à calcificação. A rede pública do DF orienta a checagem periódica do colesterol a partir dos 20 anos, com intervalo definido pelo médico conforme o risco de cada pessoa, e o controle de pressão arterial, glicemia, peso e tabagismo.
Para quem já teve infarto ou colocou stent, o acompanhamento é contínuo, com medicação de uso permanente e revisão periódica no ambulatório de cardiologia.
Perguntas frequentes
O que é o rotablator?
É um cateter com uma broca de alta precisão que gira em altíssima velocidade e desgasta a camada de cálcio depositada na parede da artéria coronária. Depois que a passagem é aberta, o cardiologista implanta o stent e restabelece o fluxo de sangue para o coração.
Quem pode usar o tratamento no Hospital de Base?
O procedimento é indicado a pacientes com obstrução coronária de calcificação intensa, em que a angioplastia convencional não consegue expandir o vaso. A indicação é feita pelo cardiologista que acompanha o caso, dentro da rede pública.
Como chegar ao Serviço de Hemodinâmica do HBDF pelo SUS?
O caminho é o mesmo da alta complexidade cardiovascular no DF: atendimento na UBS ou na emergência, avaliação do cardiologista e encaminhamento pela regulação da Secretaria de Saúde para o Hospital de Base.
O procedimento substitui a cirurgia de ponte de safena?
Não em todos os casos. Segundo o Hospital de Base, a técnica permite evitar uma cirurgia cardíaca mais complexa em parte dos pacientes, mas a escolha entre angioplastia e cirurgia continua sendo do time que avalia cada caso.







