Estelionatário foragido deixa 36 vítimas e rombo de R$ 2,35 milhões no DF

setembro 12, 2026
Chave de carro sobre superfície escura, ilustrando golpe na venda de veículos usados

Um homem investigado por vender carros que nunca entregava deixou 36 vítimas e prejuízo de R$ 2,35 milhões no Distrito Federal, e está foragido desde maio, informou a Polícia Civil do DF (PCDF) nesta sexta-feira (11). Christiano D’Ambrosio Figueiredo é alvo de mandado de prisão expedido pelo Juízo das Garantias da Vara Criminal e do Tribunal do Júri do Riacho Fundo.

Segundo a investigação, ele deixou o território nacional em 2 de maio de 2026, com destino a Roma, na Itália. Não há registro de retorno ao Brasil. O caso foi divulgado pela corporação e publicado pelo Correio Braziliense.

Como o golpe funcionava

A PCDF descreve um esquema simples e repetido. O investigado negociava a venda de automóveis, oferecia os veículos, recebia antecipadamente os valores combinados e deixava de entregar os bens. Diante da cobrança, apresentava justificativas para os atrasos, até interromper de vez a comunicação com o comprador.

O crime apurado é o estelionato eletrônico, previsto no parágrafo 2º-A do artigo 171 do Código Penal, incluído pela Lei 14.155, de 2021. A modalidade tem pena maior que a do estelionato comum: de quatro a oito anos de reclusão, mais multa, quando a fraude é cometida com o uso de dispositivo eletrônico, rede social ou contato telefônico. A pena aumenta de um terço ao dobro se a vítima é idosa ou vulnerável.

Por que a venda de carro concentra esse tipo de fraude

A negociação de veículo usado reúne as três condições que o golpista procura. O valor é alto, o pagamento costuma ser feito por transferência imediata e a entrega do bem acontece depois do pagamento, não junto com ele. Some-se a isso o hábito de fechar negócio pelo aplicativo de mensagem, sem contrato assinado, e o comprador fica sem garantia nenhuma se o carro não aparecer.

Nos 36 casos reunidos no inquérito, o prejuízo médio por vítima passa de R$ 65 mil, o que dá a dimensão do tipo de veículo negociado.

O que checar antes de pagar por um carro

  • Confira o documento do veículo. Peça o CRLV e verifique se o nome do vendedor é o mesmo que consta como proprietário. Vendedor que não é o dono precisa apresentar procuração.
  • Consulte o veículo no Detran-DF pela placa e pelo chassi, para conferir restrição judicial, alienação fiduciária, multas e débitos de IPVA.
  • Veja o carro pessoalmente. Fotos e vídeos enviados por aplicativo não comprovam posse.
  • Desconfie de preço muito abaixo do mercado e de pressa para fechar negócio.
  • Não transfira valor integral antes da entrega. Se houver sinal, registre por escrito o prazo e a condição de devolução.
  • Confira a titularidade da conta que vai receber o Pix ou a transferência. Conta de terceiro é sinal de alerta.

Como denunciar

Quem tiver informação sobre o paradeiro do foragido pode ligar para o 197, canal de denúncia anônima da Polícia Civil. A corporação garante o sigilo da identidade de quem denuncia.

Vítima de golpe na compra de veículo deve registrar ocorrência, presencialmente ou pela delegacia eletrônica da PCDF, reunindo antes as conversas com o vendedor, o comprovante de transferência, o anúncio e os dados da conta que recebeu o dinheiro. Esse material é o que permite reunir casos isolados em um único inquérito, como ocorreu neste.

A PCDF não informou se há pedido de difusão internacional para a localização do investigado. Ele não foi julgado e permanece na condição de investigado até decisão definitiva da Justiça.

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