Greve dos bancários nesta quinta: o que abre e o que fecha no DF

agosto 18, 2026
Fachada de agência bancária com placas de atendimento e entrada de vidro

Os bancários aprovaram em assembleias realizadas na segunda-feira (17) uma greve nacional de 24 horas para esta quinta-feira (20), o que deve fechar agências no Distrito Federal e no restante do país. A paralisação foi decidida depois que a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) não apresentou índice de reajuste salarial na sétima rodada de negociação da Campanha Nacional Unificada de 2026.

A decisão saiu de assembleias convocadas pelos sindicatos em todo o país. Segundo o Comando Nacional dos Bancários, que reúne as entidades sindicais da categoria na mesa com os bancos, 97% dos participantes rejeitaram a proposta patronal apresentada até aquele momento.

Antes da paralisação, porém, ainda há uma chance de acordo. Trabalhadores e bancos voltaram à mesa nesta terça-feira (18) para a oitava rodada de negociação, considerada decisiva pelas duas partes: é o encontro que pode suspender ou confirmar a greve marcada para quinta.

O que os bancos ofereceram

A proposta que gerou a rejeição prevê congelamento do piso de ingresso para quem entrar na categoria e reajustes diferenciados para três faixas salariais, sem que os bancos informassem qual seria o percentual de cada faixa. Em rodadas anteriores, a Fenaban também chegou a propor redução do valor dos vales refeição e alimentação em cidades do interior.

“Não aceitaremos retirada de direitos. Vamos defender a minuta aprovada pelos bancários e bancárias, por aumento real”, afirmou Juvandia Moreira, coordenadora do Comando Nacional dos Bancários.

A pauta da categoria pede reajuste com ganho real sobre a inflação, elevação do piso salarial e recomposição dos benefícios de alimentação. Pelos cálculos da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), o vale alimentação acumulou perda real de 13% entre 2019 e 2025.

O que funciona no DF durante a paralisação

Greve bancária não interrompe os canais digitais. Em paralisações anteriores da categoria, os serviços que seguiram no ar foram os mesmos que a maior parte dos clientes já usa no dia a dia:

  • aplicativo do banco e internet banking, incluindo Pix, transferências, pagamento de boletos e consulta de saldo;
  • caixas eletrônicos, sujeitos à disponibilidade de dinheiro e à reposição durante o dia;
  • cartões de débito e crédito nas maquininhas do comércio;
  • correspondentes bancários, lotéricas e canais de atendimento por telefone.

O que trava é o atendimento presencial: abertura de conta, renegociação de dívida no balcão, saques acima do limite do caixa eletrônico, depósito em dinheiro no guichê e serviços que exigem assinatura presencial. Compensação de cheques e algumas operações de crédito podem ficar para o dia seguinte.

Quem precisar resolver algo no balcão nesta semana deve antecipar para quarta-feira (19). Contas com vencimento na quinta podem ser pagas pelo aplicativo até o horário limite do próprio boleto, sem multa por atraso, já que o pagamento digital continua ativo.

Como fica o pagamento de contas e benefícios

Boletos vencidos no dia da greve podem ser pagos normalmente pelos canais digitais. Nas paralisações da categoria, a orientação usual dos sindicatos e da própria Fenaban é a de que documentos com vencimento no dia parado podem ser quitados no primeiro dia útil seguinte sem encargos, quando o pagamento depende de atendimento presencial.

Beneficiários do INSS e servidores que recebem por conta salário não têm o crédito afetado: o depósito é processado pelo sistema, não pelo atendimento na agência. O saque pode ser feito em caixa eletrônico, lotérica ou correspondente.

Para quem depende de agência física, vale conferir antes se a unidade abriu. A adesão à greve varia por região e por banco, e nem toda agência fecha as portas.

Por que a negociação chegou até aqui

A Campanha Nacional Unificada reúne os bancos públicos e privados em uma única mesa desde os anos 1990, o que faz do acordo dos bancários um dos maiores contratos coletivos do país. Neste ano, a discussão travou no índice: os bancos não apresentaram percentual de reajuste até a sétima rodada, e a categoria respondeu com a assembleia que aprovou a paralisação.

Além do reajuste, estão na mesa a remuneração dos executivos e a distância entre topo e base da categoria. A Contraf-CUT estima que a remuneração média anual dos principais executivos dos três maiores bancos privados pode chegar a R$ 12,5 milhões em 2026, cerca de 120 vezes a remuneração anual de um bancário na função de escriturário.

O resultado da oitava rodada define o cenário desta quinta. Se houver acordo, a greve é suspensa. Se não houver, a orientação é de paralisação de 24 horas, com retomada do atendimento na sexta-feira (21). Serviços de conta de luz, imposto e benefícios seguem disponíveis nos canais digitais, como no Nota Legal do DF, que também é resolvido pela internet.

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