dom, 11 out
Política

Carta de jovens do DF cobra propostas dos candidatos ao GDF

Mais de 150 jovens de regiões periféricas do DF assinam carta com demandas de educação, saúde, mobilidade e segurança dirigidas aos candidatos ao GDF em 2026.

Por Denver Moura 4 min de leitura
Grupo de adolescentes sentado na escada da escola escrevendo em cadernos, com mochilas ao lado
Neste texto6 tópicos
  1. Quais áreas o documento cobre
  2. O que dizem os participantes
  3. Como a carta será usada na campanha
  4. O calendário eleitoral
  5. Por que o eleitor jovem pesa na conta
  6. O que vem depois

Mais de 150 adolescentes e jovens de regiões periféricas do Distrito Federal assinam uma carta-manifesto com demandas dirigidas aos candidatos ao Governo do Distrito Federal e às demais disputas de 2026. O documento faz parte da campanha Perifa nas Urnas, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), lançada em 12 de agosto, Dia Internacional da Juventude.

A carta reúne propostas construídas ao longo de dois anos de oficinas e debates coletivos, em processo iniciado em 2025 pela Rede de Juventudes e Adolescências (JUÁ) e aprofundado em encontros realizados em julho deste ano. Participaram jovens de regiões administrativas como Ceilândia, Itapoã, Paranoá e Estrutural, além de moradores de cidades do Entorno goiano, entre elas Águas Lindas e Valparaíso.

Quais áreas o documento cobre

O texto está organizado por eixos temáticos e trata de saúde pública, assistência social, educação, mobilidade urbana, segurança cidadã, cultura, esporte, lazer e meio ambiente. O recorte declarado é o combate às desigualdades territoriais e raciais dentro do Distrito Federal.

Na educação, área com o detalhamento mais extenso, as demandas incluem:

  • manutenção e ampliação de cursos preparatórios gratuitos para o Enem e para vestibulares;
  • construção de novas escolas em regiões com déficit de vagas;
  • ampliação de turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) no período noturno.

A escolha desses três pontos tem relação direta com a rotina do público que participou das oficinas. O curso preparatório gratuito é o instrumento que permite disputar vaga em universidade pública sem custo de mensalidade, e a EJA noturna é o formato que atende quem trabalha durante o dia e não concluiu a educação básica na idade prevista.

O que dizem os participantes

Os jovens que assinam o documento situam a carta como ferramenta de cobrança, e não como apoio a candidatura específica.

“Reduzir as discrepâncias econômicas e sociais que afetam o DF”, afirmou Sara Cristina Lisboa Ribeiro, moradora de Ceilândia e uma das participantes da construção do texto.

Para MC Favelinha, do Itapoã, também envolvido na campanha, a iniciativa abre caminhos para enfrentar a desinformação no território, ao levar informação eleitoral organizada para dentro das regiões administrativas.

Como a carta será usada na campanha

Segundo o Inesc, o documento detalha responsabilidades específicas para cada cargo em disputa. A separação importa porque as competências não se sobrepõem: obras de escola, unidade básica de saúde e transporte urbano estão no campo do Executivo distrital, enquanto a fiscalização do orçamento e a aprovação de leis cabem à Câmara Legislativa, e o financiamento de programas federais depende da bancada no Congresso.

Ao distribuir as demandas por cargo, a carta oferece a eleitores e movimentos sociais parâmetro para cobrar compromisso prático de cada candidato, em vez de promessa genérica de campanha.

O calendário eleitoral

A entrega ocorre em um momento definido do calendário. O prazo para registro de candidaturas na Justiça Eleitoral se encerrou em 15 de agosto, e a campanha para os cargos majoritários e proporcionais já está em curso, com propaganda eleitoral autorizada.

Isso significa que as chapas ao GDF já estão formalizadas e que os programas de governo apresentados no registro estão disponíveis para consulta pública nos sistemas do Tribunal Superior Eleitoral. O material permite comparar as propostas dos candidatos com as demandas listadas pelos jovens.

Quem quiser conferir os nomes registrados e a documentação das chapas encontra o passo a passo no guia do registro de candidaturas de 2026, com os sistemas Candex e DivulgaCand.

Por que o eleitor jovem pesa na conta

O voto é facultativo entre 16 e 17 anos e obrigatório a partir dos 18. No Distrito Federal, o alistamento de adolescentes de 16 e 17 anos depende de iniciativa própria, o que faz da mobilização em escola e em coletivo de bairro o principal canal de captação desse eleitorado.

Como a eleição para governador se decide no conjunto das regiões administrativas mais populosas, e não apenas no Plano Piloto, a agenda apresentada por jovens de Ceilândia, Itapoã, Paranoá e Estrutural incide sobre áreas de peso eleitoral relevante na disputa distrital.

O que vem depois

A campanha Perifa nas Urnas prevê continuidade da mobilização até o pleito, com atividades formativas nas regiões administrativas. A meta declarada pelos organizadores é levar o conteúdo da carta ao maior número possível de eleitores jovens antes da votação.

O Inesc não divulgou se haverá agenda formal de entrega do documento a cada candidatura nem se pedirá resposta pública às propostas. Até a publicação desta reportagem, nenhuma das candidaturas ao GDF havia se manifestado publicamente sobre a carta.

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