O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) deu por encerradas as negociações com o Brasil e enviou ao presidente Donald Trump a recomendação final do novo tarifaço sobre produtos brasileiros, segundo a CNN. A informação foi comunicada pelo chefe do órgão, Jamieson Greer, a interlocutores do governo Lula.
De acordo com a CNN, Greer fez o comunicado em reunião virtual na terça-feira (14) e reclamou do que classificou como falta de empenho do lado brasileiro. Nesta quarta-feira (15) terminou o prazo legal para a decisão da investigação comercial aberta contra o Brasil.
O relatório preliminar do USTR, divulgado em 1º de junho, propôs tarifa adicional de 25% sobre cerca de 4 mil produtos brasileiros, conforme o Metrópoles. Para entrar em vigor, a medida depende agora do aval de Trump.
Exceções devem crescer
Apesar do tom duro, Greer sinalizou uma ampliação da lista de produtos isentos. Segundo a CNN, o chefe do USTR afirmou ter tomado nota dos argumentos apresentados pelo setor privado e pelo governo brasileiro, com espaço para poupar itens industrializados exportados por subsidiárias de empresas americanas instaladas no Brasil.
Greer avisou, porém, que não haverá uma lista dinâmica de exceções, ou seja, o rol de produtos isentos não deve crescer gradualmente depois que a tarifa entrar em vigor. No desenho atual, ainda segundo a CNN, o pacote atinge 21% das exportações brasileiras aos Estados Unidos em valor.
Associações do setor produtivo estimam que a sobretaxa pode alcançar cerca de US$ 14,9 bilhões em exportações, de acordo com o Metrópoles.
Um ano de investigação
A recomendação é o desfecho da investigação aberta em 15 de julho de 2025 com base na Seção 301 da lei comercial americana. O processo examinou seis frentes:
- Comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, com foco no Pix;
- Tarifas consideradas preferenciais concedidas a outros parceiros;
- Combate à corrupção;
- Proteção à propriedade intelectual;
- Acesso ao mercado brasileiro de etanol;
- Fiscalização do desmatamento ilegal.
Depois do relatório preliminar de junho, houve consulta pública com manifestações escritas até 1º de julho e audiência em Washington nos dias 6 e 7. O governo brasileiro tentou até a última semana uma saída negociada, incluindo a oferta de redução da tarifa sobre o etanol americano em troca de acesso ao mercado de açúcar dos EUA, proposta que o USTR descartou, segundo a CNN.
Autoridades brasileiras também rebateram os argumentos americanos sobre desmatamento e apontaram falta de fundamentação técnica em pontos do relatório. Mesmo com o fim das tratativas declarado por Greer, o governo manteve o canal aberto.
“Nós estamos aqui”, resumiu um integrante do governo brasileiro ouvido pela CNN, ao sinalizar disposição para negociar até a decisão final de Trump.
O que falta para a tarifa valer
Não há data anunciada para a manifestação de Trump. Na proposta preliminar, a vigência começaria cerca de 30 dias após o anúncio oficial, o que jogaria o início da cobrança para meados de agosto, caso o presidente americano confirme a recomendação sem mudanças.
O anúncio deve mexer com o câmbio nos próximos dias. Quem quiser acompanhar o efeito da decisão na moeda americana pode seguir a cotação do dólar em tempo real.
O tarifaço é mais um capítulo do atrito comercial iniciado em 2025, quando os EUA já haviam taxado produtos brasileiros e o governo Lula criticou publicamente a medida. Na semana passada, o Brasil correu contra o prazo para tentar evitar a sobretaxa de 25%.








