Qualquer unidade básica de saúde (UBS) do Distrito Federal oferece teste rápido e gratuito de hepatites B e C, com resultado em poucos minutos. O Julho Amarelo, campanha nacional de combate às hepatites virais, reforça o convite à testagem neste mês.
A campanha foi instituída pela Lei 13.802/2019 e mobiliza o Ministério da Saúde e as secretarias estaduais durante todo o mês de julho. O foco é o diagnóstico precoce: as hepatites virais avançam em silêncio e, na maioria dos casos, só dão sinais quando o fígado já está comprometido.
Doença silenciosa
O Brasil registrou 826.292 casos confirmados de hepatites virais entre 2000 e 2024, segundo o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais de 2025, do Ministério da Saúde. No mesmo período, foram cerca de 50 mil mortes relacionadas às doenças.
Os números do boletim mostram o tamanho de cada tipo:
- Hepatite C: 342.328 casos (41,5% do total) e 75,3% das mortes;
- Hepatite B: 302.351 casos (36,6%) e 22% das mortes;
- Hepatite A: 174.977 casos (21,2%);
- Hepatites D e E: juntas, menos de 1% dos registros.
Sem tratamento, as hepatites B e C podem evoluir para cirrose e câncer de fígado. O alerta dos médicos é justamente contra a falsa sensação de saúde.
“O principal desafio é o diagnóstico. A hepatite é uma doença silenciosa”, disse o infectologista Marcelo Daher ao Jornal Opção, ao defender a testagem de quem passou dos 50 anos.
Onde fazer o teste no DF
Na rede pública do DF, o teste rápido de hepatites B e C está disponível em qualquer UBS, sem necessidade de pedido médico. Também há testagem no Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA), no mezanino da Rodoviária do Plano Piloto.
O exame é feito com uma gota de sangue e o resultado sai em poucos minutos. Em caso de resultado positivo, a própria rede encaminha o paciente para exames confirmatórios e início do tratamento.
Quem deve fazer o exame
A orientação das sociedades médicas é que toda pessoa faça o teste de hepatites B e C pelo menos uma vez na vida. A recomendação é reforçada para quem tem mais de 45 anos e para grupos com maior exposição:
- Quem recebeu transfusão de sangue antes de 1993;
- Quem compartilhou objetos perfurocortantes, como lâminas e alicates de unha;
- Quem tem tatuagem ou piercing feitos sem controle de esterilização;
- Quem tem múltiplos parceiros sexuais;
- Profissionais com exposição frequente a sangue.
Tratamento e vacina pelo SUS
O tratamento das hepatites é oferecido pelo Sistema Único de Saúde. No caso da hepatite C, os antivirais atuais curam cerca de 97% dos pacientes, segundo especialistas ouvidos pelo Jornal Opção. Quanto mais cedo o diagnóstico, menor o risco de dano permanente ao fígado.
Contra as hepatites A e B existe vacina, disponível nas salas de vacinação da rede pública do DF. A Secretaria de Saúde local aplicou mais de 1 milhão de doses de vacinas em 2026, e o Julho Amarelo costuma intensificar a oferta contra as hepatites.
Próximos passos
Quem nunca fez o teste pode procurar a UBS mais próxima com um documento com foto e o cartão do SUS. A lista de unidades e os horários de funcionamento estão no site da Secretaria de Saúde do DF (saude.df.gov.br). O teste é rápido, gratuito e pode antecipar em anos um diagnóstico que salva o fígado.








