O volume do setor de serviços no Brasil recuou 0,4% em maio na comparação com abril, descontados os efeitos sazonais. O dado faz parte da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada pelo IBGE nesta quarta-feira (15), e interrompe a recuperação iniciada no mês anterior.
O resultado devolve parte do avanço de abril, quando o setor cresceu 1,1% na série já revisada pelo instituto. Na divulgação original, a alta daquele mês havia sido estimada em 1,2%, como mostrou o SouBrasília na edição anterior da pesquisa.
Mesmo com a queda, o segmento segue no positivo nas comparações mais longas. Sobre maio de 2025, o volume de serviços cresceu 0,4%. No acumulado do ano, a alta é de 1,9%, e em 12 meses, de 2,6%. A receita nominal das empresas do setor subiu 0,3% no mês, avançou 6,9% sobre maio do ano passado e acumula ganho de 7,3% em 2026.
A leitura mês a mês mostra um começo de ano irregular. O setor fechou dezembro em queda de 0,3%, ficou estável em janeiro, subiu 0,1% em fevereiro, recuou 0,9% em março e reagiu em abril, antes do novo tombo. Na prática, a atividade anda de lado desde o fim de 2025, sustentada pelo nível recorde alcançado nos anos anteriores.
Transporte aéreo puxa a queda de maio
Entre as cinco grandes atividades pesquisadas pelo IBGE, o comportamento foi dividido em maio, sempre na comparação com abril:
- Serviços profissionais, administrativos e complementares: alta de 1,9%, puxada pelos serviços técnico-profissionais, que subiram 3,4%;
- Serviços prestados às famílias: alta de 0,2%, com avanço de 0,4% em alojamento e alimentação;
- Informação e comunicação: estabilidade (0,0%), combinando queda de 0,6% nos serviços de tecnologia da informação e comunicação e salto de 3,4% no segmento audiovisual e de agências de notícias;
- Transportes, serviços auxiliares e correio: queda de 1,0%;
- Outros serviços: queda de 1,9%.
Dentro do grupo de transportes, o desempenho mais fraco veio do transporte aéreo, que despencou 5,1% em maio. O transporte terrestre praticamente repetiu o nível de abril, com variação de -0,1%, enquanto o aquaviário subiu 1,3%. Armazenagem, serviços auxiliares e correio recuaram 1,1%.
A PMS acompanha a receita bruta de empresas com 20 ou mais funcionários que têm o serviço não financeiro como atividade principal, excluídas as áreas de saúde e educação. O indicador de volume desconta a variação de preços da receita, o que explica a distância entre as duas medidas em 2026: enquanto a receita nominal cresce 7,3% no ano, o volume avança 1,9%. A diferença reflete, em boa parte, a inflação dos serviços, que segue entre as mais resistentes do IPCA.
No DF, serviços crescem 8,3% em um ano
O recorte regional da pesquisa mostra o Distrito Federal em situação mais confortável que a média nacional. O volume de serviços local caiu 1,6% em maio frente a abril, na série com ajuste sazonal, mas cresceu 8,3% na comparação com maio de 2025. No acumulado de 2026, a alta chega a 10,5%, e em 12 meses, a 8,8%, mais que o triplo do ritmo registrado pelo país no mesmo período.
O desempenho tem peso direto na economia da capital, que gira em torno do comércio, dos serviços e da administração pública. Restaurantes, escritórios de tecnologia, consultorias, transporte e turismo de eventos respondem pela maior parte das empresas e dos empregos privados de Brasília, e um setor aquecido tende a se traduzir em contratações e renda circulando nas regiões administrativas.
O fôlego do setor aparece também no mercado de trabalho local: o DF gerou 16 mil postos de trabalho formais no primeiro trimestre, segundo o Caged, com os serviços entre os principais motores das vagas.
O que acompanhar daqui em diante
A queda de maio se soma a outros sinais de atividade mais fraca no país. A prévia do PIB medida pelo Banco Central avançou 0,5% em abril, em ritmo menor que o do início do ano, e indicadores privados do setor já apontavam perda de tração no segundo trimestre.
A próxima edição da PMS, com os dados de junho, vai indicar se o recuo de maio foi pontual ou o começo de uma desaceleração mais clara na segunda metade do ano. As tabelas completas da pesquisa, incluindo os resultados por atividade e por unidade da federação, estão disponíveis no sistema Sidra, no site do IBGE.
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