Ponte do Bragueto terá projeto urbanístico para enfrentar tráfico, lixo e ocupações na Asa Norte
MPDFT reuniu 15 órgãos e definiu que a Seduh fará projeto para a área sob a ponte. Adote uma Praça, ponto de recicláveis do SLU e ligação com a orla estão entre as saídas.

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A área sob a Ponte do Bragueto, na saída norte de Brasília, vai ganhar um projeto urbanístico da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh). A decisão saiu de uma reunião convocada pelo Ministério Público do DF (MPDFT) para enfrentar uso e tráfico de drogas, ocupações irregulares e acúmulo de lixo no local.
O encontro reuniu representantes de mais de dez órgãos do governo, das forças de segurança e da sociedade civil na sede do MPDFT em 5 de outubro.
Quais são os problemas na Ponte do Bragueto?
O diagnóstico apresentado aos participantes aponta consumo e venda de drogas na região, além de relatos de que materiais recicláveis estariam sendo usados como moeda de troca para conseguir entorpecentes. Pouca gente circulando, falta de uso regular do espaço e acúmulo de materiais ajudam a manter o quadro, segundo o levantamento.
Para o procurador distrital dos Direitos do Cidadão, Eduardo Sabo, a resposta precisa ser conjunta. "Precisamos definir com clareza o que cabe a cada órgão e avançar para medidas concretas, especialmente na qualificação urbanística e na manutenção do espaço, para que as ações não sejam apenas pontuais", afirmou.
O que cada órgão ficou de fazer
| Órgão | Encaminhamento |
|---|---|
| Seduh | Iniciar os procedimentos para elaborar o projeto urbanístico da área |
| Administração do Plano Piloto | Avaliar a inclusão do local no programa Adote uma Praça, que permite parceria com moradores e empresas |
| SLU | Estudar alternativas de coleta de recicláveis, inclusive um ponto de recebimento e venda do material pelos catadores |
| Adasa e Caesb | Informar responsabilidades sobre água, saneamento e manutenção |
| DER-DF | Esclarecer o uso e a gestão da área da ponte |
A ideia do ponto de recicláveis leva em conta a presença de catadores autônomos na região. A proposta é organizar o espaço sem tirar o sustento de quem trabalha com o material.
Desenho urbano contra o crime
Um dos pontos centrais da reunião foi usar o planejamento urbano para prevenir crimes, estratégia conhecida pela sigla em inglês CPTED, de Prevenção Criminal pelo Design Ambiental. A lógica é simples: lugar iluminado, com gente passando e atividade regular, oferece menos condição para o crime.
Os participantes avaliaram que operações policiais, fiscalização e limpeza continuam necessárias, mas não resolvem sozinhas. Entre as mudanças discutidas estão:
- iluminação melhor e caminhos mais seguros para pedestres;
- áreas de permanência, onde as pessoas possam ficar;
- atividades regulares que tragam a comunidade para o local;
- ligação da área da ponte com a orla do Lago Paranoá, com mais circulação de pedestres e ciclistas.
Estiveram na reunião a Casa Civil, as secretarias de Desenvolvimento Urbano, Desenvolvimento Social e Saúde, DF Legal, PMDF, Ibram, Adasa, SLU, Detran, Novacap, a Administração do Plano Piloto e a associação de moradores AmoNoroeste.
A orla perto das pontes de Brasília tem concentrado ocorrências recentes, como o afogamento de um jovem perto da Ponte JK por falta de sinalização. Quem presenciar venda de drogas ou outro crime na região pode acionar a PMDF pelo 190 ou denunciar de forma anônima pelo 197 da Polícia Civil, números reunidos no guia de telefones de emergência e denúncia do DF.
O MPDFT vai cobrar informações da Adasa, da Caesb e do DER antes de definir os próximos passos com a Seduh.
Fonte: Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT).





