Soldado da PM morre em treinamento no Lago Paranoá e MPDFT dá 10 dias para a corporação explicar
Agente do Batalhão de Polícia Militar Ambiental ficou cerca de três minutos submerso no Trecho 2 do Setor de Clubes Sul. Promotoria de Justiça Militar pediu protocolos, equipamentos e cronologia do socorro.

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Um soldado do Batalhão de Polícia Militar Ambiental morreu durante um treinamento no Lago Paranoá na segunda-feira, 21 de setembro. O Ministério Público do DF requisitou informações ao Comando-Geral da Polícia Militar no mesmo dia e deu 10 dias para a corporação responder.
A atividade acontecia no Trecho 2 do Setor de Clubes Sul. Segundo a requisição, o agente teria ficado cerca de três minutos submerso. O óbito foi constatado pelo Corpo de Bombeiros do DF depois de mais de 30 minutos de manobras de reanimação. O MPDFT não divulgou o nome do militar.
O que o Ministério Público quer saber
A requisição partiu da Promotoria de Justiça Militar e busca esclarecer as circunstâncias do caso, além de verificar em que condições a atividade foi planejada, executada e supervisionada. O foco declarado está nas medidas de segurança e no atendimento à emergência.

A lista é detalhada e cobre o ciclo inteiro do exercício. O MPDFT pediu a natureza e o planejamento da atividade, a qualificação dos instrutores e dos responsáveis pela segurança, os equipamentos utilizados e os protocolos de prevenção de riscos. Também requisitou dados sobre as condições ambientais no momento do treinamento, a estrutura de socorro disponível e a cronologia do atendimento prestado ao militar.
Na mesma requisição, o órgão pediu documentos e registros do episódio: imagens, comunicações, registros de ocorrência e informações sobre eventuais perícias e procedimentos de apuração já instaurados pela corporação. A íntegra está na nota publicada pelo MPDFT.
Como funciona a apuração de morte de militar em serviço
A Promotoria de Justiça Militar do MPDFT é a unidade que atua nos casos envolvendo policiais e bombeiros militares do DF no exercício da função. A requisição de informações é o primeiro passo do acompanhamento: ela obriga o órgão público a apresentar documentos e permite ao Ministério Público avaliar se há necessidade de instaurar procedimento próprio.
O prazo de 10 dias corre desde 21 de setembro. Ele vale para o envio das informações e dos documentos, não para a conclusão da apuração interna da PMDF, que corre em paralelo e costuma incluir sindicância e perícia.
O que o BPMA faz no Lago Paranoá
O Batalhão de Polícia Militar Ambiental é a unidade da PMDF encarregada da fiscalização ambiental no Distrito Federal, o que inclui a atuação no espelho d'água do Lago Paranoá e nas áreas de proteção da região. O batalhão faz operações contra a captura e o cativeiro de animais silvestres e também atividades na água, como o mergulho ambiental realizado em junho no Lago Paranoá.
Treinamento aquático de unidade policial envolve exercícios de mergulho, resgate e deslocamento na água, normalmente com equipe de apoio na superfície. É exatamente o conjunto de protocolos e de estrutura de socorro que o MPDFT pediu para examinar.
O que ainda não se sabe
- O tipo exato de exercício que estava em curso no momento do afogamento.
- Quantas pessoas participavam e quem respondia pela segurança da atividade.
- Se havia equipe médica ou embarcação de apoio no local e a que distância.
- Se a PMDF abriu sindicância e em que fase ela está.
A corporação tem até o começo de outubro para enviar as respostas ao Ministério Público. O site oficial da PMDF não respondeu às tentativas de acesso na manhã desta quinta-feira, 24, e não foi possível confirmar se houve manifestação pública da corporação sobre o caso.
Afogamento no DF: o que o socorro leva em conta
O tempo é a variável central em afogamento. A submersão de poucos minutos já produz parada cardiorrespiratória por falta de oxigênio, e a chance de recuperação cai a cada minuto sem reanimação. Foi por isso que, mesmo com mais de meia hora de manobras do CBMDF, o óbito acabou constatado no local.
Casos no espelho d'água do DF e do Entorno se repetem ao longo do ano, com vítimas em situações muito diferentes. Em agosto, um homem de 27 anos morreu afogado no Lago Corumbá IV, em Alexânia.
Próximos passos
A resposta da PMDF ao MPDFT vence no começo de outubro. A partir dela, a Promotoria de Justiça Militar decide se instaura procedimento próprio para apurar responsabilidade. Emergências no Lago Paranoá devem ser comunicadas ao Corpo de Bombeiros pelo 193.






