qui, 24 set
Segurança

Soldado da PM morre em treinamento no Lago Paranoá e MPDFT dá 10 dias para a corporação explicar

Agente do Batalhão de Polícia Militar Ambiental ficou cerca de três minutos submerso no Trecho 2 do Setor de Clubes Sul. Promotoria de Justiça Militar pediu protocolos, equipamentos e cronologia do socorro.

Por Redação Sou Brasília 4 min de leitura
Vista do Lago Paranoá com a Torre de TV Digital de Brasília ao fundo e casas na margem
Foto: Josue Marinho/Wikimedia Commons (CC BY 3.0)
Neste texto6 tópicos
  1. O que o Ministério Público quer saber
  2. Como funciona a apuração de morte de militar em serviço
  3. O que o BPMA faz no Lago Paranoá
  4. O que ainda não se sabe
  5. Afogamento no DF: o que o socorro leva em conta
  6. Próximos passos

Um soldado do Batalhão de Polícia Militar Ambiental morreu durante um treinamento no Lago Paranoá na segunda-feira, 21 de setembro. O Ministério Público do DF requisitou informações ao Comando-Geral da Polícia Militar no mesmo dia e deu 10 dias para a corporação responder.

A atividade acontecia no Trecho 2 do Setor de Clubes Sul. Segundo a requisição, o agente teria ficado cerca de três minutos submerso. O óbito foi constatado pelo Corpo de Bombeiros do DF depois de mais de 30 minutos de manobras de reanimação. O MPDFT não divulgou o nome do militar.

O que o Ministério Público quer saber

A requisição partiu da Promotoria de Justiça Militar e busca esclarecer as circunstâncias do caso, além de verificar em que condições a atividade foi planejada, executada e supervisionada. O foco declarado está nas medidas de segurança e no atendimento à emergência.

Tabela com as seis frentes de informação que o MPDFT requisitou à PMDF sobre a morte do soldado
O pedido cobre o ciclo inteiro do exercício, do planejamento à cronologia do socorroArte: Sou Brasília, com dados do MPDFT

A lista é detalhada e cobre o ciclo inteiro do exercício. O MPDFT pediu a natureza e o planejamento da atividade, a qualificação dos instrutores e dos responsáveis pela segurança, os equipamentos utilizados e os protocolos de prevenção de riscos. Também requisitou dados sobre as condições ambientais no momento do treinamento, a estrutura de socorro disponível e a cronologia do atendimento prestado ao militar.

Na mesma requisição, o órgão pediu documentos e registros do episódio: imagens, comunicações, registros de ocorrência e informações sobre eventuais perícias e procedimentos de apuração já instaurados pela corporação. A íntegra está na nota publicada pelo MPDFT.

Como funciona a apuração de morte de militar em serviço

A Promotoria de Justiça Militar do MPDFT é a unidade que atua nos casos envolvendo policiais e bombeiros militares do DF no exercício da função. A requisição de informações é o primeiro passo do acompanhamento: ela obriga o órgão público a apresentar documentos e permite ao Ministério Público avaliar se há necessidade de instaurar procedimento próprio.

O prazo de 10 dias corre desde 21 de setembro. Ele vale para o envio das informações e dos documentos, não para a conclusão da apuração interna da PMDF, que corre em paralelo e costuma incluir sindicância e perícia.

O que o BPMA faz no Lago Paranoá

O Batalhão de Polícia Militar Ambiental é a unidade da PMDF encarregada da fiscalização ambiental no Distrito Federal, o que inclui a atuação no espelho d'água do Lago Paranoá e nas áreas de proteção da região. O batalhão faz operações contra a captura e o cativeiro de animais silvestres e também atividades na água, como o mergulho ambiental realizado em junho no Lago Paranoá.

Treinamento aquático de unidade policial envolve exercícios de mergulho, resgate e deslocamento na água, normalmente com equipe de apoio na superfície. É exatamente o conjunto de protocolos e de estrutura de socorro que o MPDFT pediu para examinar.

O que ainda não se sabe

  • O tipo exato de exercício que estava em curso no momento do afogamento.
  • Quantas pessoas participavam e quem respondia pela segurança da atividade.
  • Se havia equipe médica ou embarcação de apoio no local e a que distância.
  • Se a PMDF abriu sindicância e em que fase ela está.

A corporação tem até o começo de outubro para enviar as respostas ao Ministério Público. O site oficial da PMDF não respondeu às tentativas de acesso na manhã desta quinta-feira, 24, e não foi possível confirmar se houve manifestação pública da corporação sobre o caso.

Afogamento no DF: o que o socorro leva em conta

O tempo é a variável central em afogamento. A submersão de poucos minutos já produz parada cardiorrespiratória por falta de oxigênio, e a chance de recuperação cai a cada minuto sem reanimação. Foi por isso que, mesmo com mais de meia hora de manobras do CBMDF, o óbito acabou constatado no local.

Casos no espelho d'água do DF e do Entorno se repetem ao longo do ano, com vítimas em situações muito diferentes. Em agosto, um homem de 27 anos morreu afogado no Lago Corumbá IV, em Alexânia.

Próximos passos

A resposta da PMDF ao MPDFT vence no começo de outubro. A partir dela, a Promotoria de Justiça Militar decide se instaura procedimento próprio para apurar responsabilidade. Emergências no Lago Paranoá devem ser comunicadas ao Corpo de Bombeiros pelo 193.

Mais em Segurança

Ver todas

Mais lidas da semana

últimos 7 dias
Enviar no WhatsApp