Projeto de Erika Kokay obriga posto a trocar bomba flagrada em fraude

setembro 16, 2026
Bico de abastecimento em bomba de gasolina com indicação de preço por litro

Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados obriga postos de combustível a substituir bombas medidoras flagradas em fraude. O texto é de autoria da deputada Erika Kokay (PT-DF) e foi apresentado como PL 2578/26. A proposta também determina que a Agência Nacional do Petróleo mantenha um mapa público e atualizado com o resultado das fiscalizações feitas em postos de todo o país.

Pela redação, a troca do equipamento passa a ser obrigatória quando a fraude for formalmente identificada em norma ou comprovada por perícia técnica. A bomba adulterada precisa ser substituída por equipamento que atenda aos requisitos de segurança e integridade.

A substituição não livra o posto das sanções já previstas. O projeto deixa expresso que a troca não exime o infrator de multas e demais penalidades aplicáveis pelos órgãos de fiscalização.

O mapa público de fiscalização

O segundo ponto do texto é o que mais muda a vida de quem abastece. A ANP passaria a manter mapa atualizado com os resultados das fiscalizações, em parceria com órgãos de defesa do consumidor e de metrologia. Hoje o consumidor depende de consultar uma autuação específica ou de acompanhar operações divulgadas pontualmente.

“O cidadão não possui mecanismo simples e imediato para descobrir fraudes, restando apenas confiar no selo de segurança e em fiscalizações periódicas”, afirmou a autora na justificativa da proposta.

A fraude na bomba é conhecida como “bomba baixa”: o equipamento é adulterado para registrar volume maior que o efetivamente entregue ao tanque. O prejuízo é difícil de perceber no ato, porque a diferença aparece em frações de litro a cada abastecimento.

Quem fiscaliza a bomba hoje

A verificação dos equipamentos é responsabilidade do Inmetro e dos institutos estaduais de pesos e medidas. A aferição confere se o volume registrado no visor corresponde ao volume entregue, com tolerância definida em norma técnica. O selo colado na bomba indica a data da última verificação.

A ANP, por sua vez, fiscaliza a qualidade do produto e a regularidade do posto como revendedor, e pode interditar bicos e lacrar tanques. Os dois trabalhos são distintos e nem sempre acontecem no mesmo dia, o que ajuda a explicar a dificuldade de o consumidor saber se o posto onde abastece tem histórico de autuação.

O projeto de Erika Kokay ataca justamente esse ponto de informação. Ao concentrar num mapa público o resultado das fiscalizações, transfere ao consumidor a possibilidade de consultar o histórico antes de escolher onde abastecer.

Como fica a tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo, o que significa que pode ser aprovado pelas comissões sem passar pelo plenário da Câmara, salvo recurso. Passa pelas comissões de Indústria, Comércio e Serviços; Minas e Energia; Defesa do Consumidor; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois segue para o Senado.

Enquanto o texto não vira lei, o consumidor do DF que suspeitar de irregularidade pode acionar o Procon-DF e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, responsável pela aferição das bombas. A ANP recebe denúncias sobre qualidade e quantidade de combustível pelos seus canais de atendimento.

O que checar antes de abastecer

  • Confira se o visor da bomba está zerado antes do início do abastecimento
  • Guarde a nota fiscal, documento necessário para qualquer reclamação
  • Observe o selo do Inmetro e a data da última aferição no equipamento
  • Em caso de suspeita, registre reclamação no Procon-DF, no Inmetro e na ANP

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