qui, 5 nov

Projeto de Erika Kokay obriga posto a trocar bomba flagrada em fraude

PL 2578/26 exige substituição da bomba adulterada e cria mapa público da ANP com o resultado das fiscalizações em postos de todo o país.

Por Denver Moura 3 min de leitura
Bico de abastecimento em bomba de gasolina com indicação de preço por litro
Neste texto4 tópicos
  1. O mapa público de fiscalização
  2. Quem fiscaliza a bomba hoje
  3. Como fica a tramitação
  4. O que checar antes de abastecer

Um projeto de lei em análise na Câmara dos Deputados obriga postos de combustível a substituir bombas medidoras flagradas em fraude. O texto é de autoria da deputada Erika Kokay (PT-DF) e foi apresentado como PL 2578/26. A proposta também determina que a Agência Nacional do Petróleo mantenha um mapa público e atualizado com o resultado das fiscalizações feitas em postos de todo o país.

Pela redação, a troca do equipamento passa a ser obrigatória quando a fraude for formalmente identificada em norma ou comprovada por perícia técnica. A bomba adulterada precisa ser substituída por equipamento que atenda aos requisitos de segurança e integridade.

A substituição não livra o posto das sanções já previstas. O projeto deixa expresso que a troca não exime o infrator de multas e demais penalidades aplicáveis pelos órgãos de fiscalização.

O mapa público de fiscalização

O segundo ponto do texto é o que mais muda a vida de quem abastece. A ANP passaria a manter mapa atualizado com os resultados das fiscalizações, em parceria com órgãos de defesa do consumidor e de metrologia. Hoje o consumidor depende de consultar uma autuação específica ou de acompanhar operações divulgadas pontualmente.

“O cidadão não possui mecanismo simples e imediato para descobrir fraudes, restando apenas confiar no selo de segurança e em fiscalizações periódicas”, afirmou a autora na justificativa da proposta.

A fraude na bomba é conhecida como “bomba baixa”: o equipamento é adulterado para registrar volume maior que o efetivamente entregue ao tanque. O prejuízo é difícil de perceber no ato, porque a diferença aparece em frações de litro a cada abastecimento.

Quem fiscaliza a bomba hoje

A verificação dos equipamentos é responsabilidade do Inmetro e dos institutos estaduais de pesos e medidas. A aferição confere se o volume registrado no visor corresponde ao volume entregue, com tolerância definida em norma técnica. O selo colado na bomba indica a data da última verificação.

A ANP, por sua vez, fiscaliza a qualidade do produto e a regularidade do posto como revendedor, e pode interditar bicos e lacrar tanques. Os dois trabalhos são distintos e nem sempre acontecem no mesmo dia, o que ajuda a explicar a dificuldade de o consumidor saber se o posto onde abastece tem histórico de autuação.

O projeto de Erika Kokay ataca justamente esse ponto de informação. Ao concentrar num mapa público o resultado das fiscalizações, transfere ao consumidor a possibilidade de consultar o histórico antes de escolher onde abastecer.

Como fica a tramitação

O projeto tramita em caráter conclusivo, o que significa que pode ser aprovado pelas comissões sem passar pelo plenário da Câmara, salvo recurso. Passa pelas comissões de Indústria, Comércio e Serviços; Minas e Energia; Defesa do Consumidor; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois segue para o Senado.

Enquanto o texto não vira lei, o consumidor do DF que suspeitar de irregularidade pode acionar o Procon-DF e o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia, responsável pela aferição das bombas. A ANP recebe denúncias sobre qualidade e quantidade de combustível pelos seus canais de atendimento.

O que checar antes de abastecer

  • Confira se o visor da bomba está zerado antes do início do abastecimento
  • Guarde a nota fiscal, documento necessário para qualquer reclamação
  • Observe o selo do Inmetro e a data da última aferição no equipamento
  • Em caso de suspeita, registre reclamação no Procon-DF, no Inmetro e na ANP

Leia também: Preço da gasolina no DF: Petrobras cancela parte do aumento.

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