ter, 13 out
Segurança

PCDF mira quadrilha que usava deepfake de famosos para vender remédio

Operação Ilusão Digital apura venda de suplemento sem registro na Anvisa anunciado com vídeos falsos de Almir Sater, Fagner e Alexandre Garcia.

Por Denver Moura 4 min de leitura
Cápsulas brancas de medicamento espalhadas sobre superfície colorida
Neste texto4 tópicos
  1. Como o golpe funcionava
  2. Os crimes apurados
  3. Uso de imagem sem autorização
  4. Como não cair

A Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) deflagrou nesta terça-feira (18) a Operação Ilusão Digital contra um esquema que usava vídeos falsos de artistas e jornalistas, produzidos com inteligência artificial, para vender um suposto medicamento contra disfunção erétil a vítimas do DF e de outros estados. Um mandado de busca e apreensão foi cumprido em Guarulhos, em São Paulo.

O produto vendido pelo grupo é o suplemento Erec Power, anunciado como natural e sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Os cantores Almir Sater e Fagner e o jornalista Alexandre Garcia estão entre as figuras públicas que tiveram rosto e voz manipulados nos anúncios, segundo a investigação.

Como o golpe funcionava

Nos vídeos, os famosos apareciam relatando problemas de saúde que nunca declararam e recomendando o produto. A montagem era feita com inteligência artificial, técnica conhecida como deepfake, que reproduz o rosto e a entonação da pessoa a partir de material público disponível na internet.

A peça circulava como anúncio em redes sociais. Convencida pela credibilidade do nome estampado no vídeo, a vítima comprava o suplemento pela internet e recebia a entrega em casa. A investigação identificou compradores no Distrito Federal e em vários estados, o que caracteriza o caso como crime cibernético de alcance nacional.

O suspeito localizado em Guarulhos confessou aos investigadores que produzia o conteúdo manipulado e detalhou o funcionamento do esquema, segundo a PCDF. O caso está a cargo da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DRCC).

“Uma coisa que chama atenção é que ele comercializava esses produtos sem autorização legal”, afirmou o delegado-chefe da DRCC, João Guilherme.

Os crimes apurados

A soma das condutas investigadas pode levar a uma pena máxima de 28 anos de prisão, segundo a PCDF. A apuração considera quatro tipos penais.

  • Estelionato qualificado por meio eletrônico, quando a fraude é praticada com uso de dispositivo ou rede social
  • Comercialização ilegal de medicamentos, por vender produto sem registro sanitário
  • Associação criminosa, pela atuação de mais de uma pessoa de forma estável
  • Falsidade ideológica, pela atribuição de declarações a pessoas que nunca as deram

Uso de imagem sem autorização

A manipulação da imagem e da voz de uma pessoa sem consentimento também abre caminho para ação civil por parte de quem foi retratado, com pedido de indenização por dano moral e remoção do conteúdo. No caso dos anúncios, os artistas não têm relação com o produto nem com a empresa que o vendia.

Golpes desse tipo cresceram junto com a facilidade de gerar vídeos convincentes. Em maio, a PCDF já havia prendido no DF um suspeito de aplicar golpes com anúncios falsos em redes sociais que usavam fotos criadas por inteligência artificial. Em julho, outra investigação apurou a criação de conteúdo íntimo falso com a mesma tecnologia.

Como não cair

A orientação da PCDF é desconfiar de qualquer medicamento vendido fora de farmácia e sem registro sanitário, ainda que a propaganda traga um rosto conhecido. A checagem do registro é gratuita e feita em poucos segundos.

  • Consulte o registro do produto no site da Anvisa antes de comprar
  • Desconfie de anúncio que promete efeito rápido para disfunção erétil, emagrecimento ou dor crônica
  • Procure o perfil oficial do artista: quem é usado em deepfake costuma publicar desmentido
  • Repare em falhas de sincronia entre a boca e a voz, piscadas raras e trechos com áudio metálico
  • Nunca compre remédio por link recebido em rede social ou aplicativo de mensagem
  • Registre ocorrência na Delegacia Eletrônica da PCDF se já tiver comprado

Medicamento sem registro traz risco à saúde porque não passou por avaliação de composição, dose e efeito adverso. Produtos que prometem tratar disfunção erétil costumam conter substâncias de venda controlada, que interagem com remédios para pressão e coração.

A PCDF tem feito operações seguidas contra fraudes digitais no DF. Em agosto, a corporação também deflagrou a Operação Reflexo, contra um golpe de venda de celulares que nunca eram entregues.

A investigação da Operação Ilusão Digital continua para identificar os demais integrantes do grupo e o volume financeiro movimentado. A polícia não divulgou o número de vítimas, o valor total arrecadado com as vendas nem o nome da empresa usada para faturar os pedidos. As informações foram divulgadas pelo Correio Braziliense e pelo Metrópoles nesta terça-feira (18).

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